Crônicas Da Cinzenta Cidade - Vigésima Quinta Crônica

 


Foto de Diana Titenko no Pexels



Mutilados sonhadores jogam suas cinzas sobre a Cidade. Há que se cometer muito crime abaixo do sol antes que toda Humanidade perceba a Grande Mutilação. Mas, até o Grande Percebimento, O Grande Dia Do Amanhã, haverá ainda mutilações pelas ruas da Humana Cidade. 


Viver mutilado é parte do Humano Ser neste mundo de mártires e vitimas, extremistas e racionalistas, 

plebeus e nobres, sinceros e mentirosos. O corte mais profundo de toda mutilação tem sempre como maior alvo o coração. O Coração Da Grande Humana Cidade, jogado fora, pisoteado, devorado pelas Sombras Amargas. 


Sombras há nas humanas ruas, cães vacilantes rondam por aí farejando sempre carniça podre. Cães que se vestem bem, cadelas que se perfumam muito. Os cães humanos, as cadelas humanas, tão somente cinzentos na rudeza das horas. 


Os latidos soam alto pelos horizontes dos mutilados. Há na Cinzenta Cidade o assombro de todas as Mãos de Kali. A Devoradora Ainda Reina. A Devoradora Ainda Grita. A Devoradora Ainda Dança. 


Dança com cada espada em Suas Mãos mutilando os já mutilados. O que está esparramado pelo solo da Cinzenta Cidade é cada etapa da Demoníaca Revelação do que domina esta Humanidade: a Revelação dos Demônios encarnados em todos os membros pelo solo amontoados. 


E Kali Avança entre as cinzas, gritando pelos humanos nomes. E Kali Avança levantando as cinzas, gritando pelos desumanos nomes. E Kali Avança, Ela aponta as lâminas de cada uma das espadas Dela. Ass, acompanha o humano mutilar. 


Eu sou um dos mutilados sonhadores. Minha cabeça agora cai por obra da Guilhotina Da Realidade. Murmuro decapitado muitas palavras ainda e uma fatalíssima mulher, que não é A Furiosa Dançarina, pega nas mãos a minha cabeça. E me beija. E cospe na minha boca. E lança meu crânio em direção a cinzentos leões. 


Ela é uma das tricoteuses que ainda vagam pela Terra. A Santa Guilhotina Ainda Reina, toda coberta de sangue e de cinzas. Elas tricotam vendo as Humanas Mutilações, flutuando sobre as cinzas. 


Mas, elas pisam em três cinzentos estandartes que um dia se fizeram amantes dos idealistas das cinzas. Três baluartes da Grande Humana Ilusão. Três fragmentos do Grande Fracasso Humano. Três instrumentos extintos do Grande Mutilado Ser Humano. 


Mutiladas Liberdade, Igualdade e Fraternidade: vejam só, mortais, as tricoteuses pisoteando nos cinzentos túmulos de tais utópicas mentiras irrealizáveis. 


Inominável Ser 

CINZENTO

CRONISTA 

INOMINÁVEL 





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