Brasil, 29/04/2021: Alcance De Quatrocentos Mil Mortos Pela Covid-19



Inomináveis Saudações a todos vós, Seres Do Mundo. 


O dia de ontem marcou um tristíssimo alcance no número de vitimados por uma terrível doença dentro de uma Pandemia, que todos os especialistas atualmente não tem como afirmar ou deduzir quando terminará. A nível mundial, já passou-de de três milhões de mortos; a nível nacional, como tragicamente evocado no título deste blog, quatrocentos mil mortos. Fica até muito difícil escrever sobre isto porque noto que muitas das pessoas residentes no Brasil estão mais preocupadas com o que ocorre no BBB do que em despertar para o número de mortos advindos da Covid-19


Cansei-me de, aqui no blog, escrever sobre o assunto da Crise Sanitária mais grave no mundo e em nosso país nos últimos quarenta anos. Mesmo cansado de bater na mesma tecla em muitos textos, alertando quem deve procurar se alertar, vou continuar fazendo o meu papel como Blogueiro que está atento a este assunto de modo verdadeiro e integral. Não escrevo aqui para ganhar dinheiro, me passa longe a ideia de, igualmente, fazer aqui qualquer tipo de sensacionalismo acima da dor dos parentes de cada vítima. Minha proposta aqui está no fato de narrar sobre o meu ponto de vista acerca de muitas formas de ignorar-se a atual situação vinda de muitas pessoas. 


Pessoas como aquelas que citei acima, os escravos do BBB, o Pão & Circo da atualidade nacional anualmente a apodrecer-nos culturalmente. O engajamento mais natural contra a propagação do Coronavírus advém da parte de muito poucos, o que mais se vê por aqui é descaso, despreocupação e desprezo pela dor alheia. Há até quem nada sinta lendo ou assistindo notícias sobre o diário número de vítimas, absurdamente elevado a cada dia que passa por causa de um conjunto enorme de fatores. Há quem culpe A, X ou Z por isso ou por aquilo, eximindo-se da própria culpa em relação à propagação da atual calamidade nacional. E até pode soar para os despreocupados ser um “exagero” considerar uma calamidade tudo que está ocorrendo. Negacionistas até o fim, cegos para o desastre que nos cerca. 


“Desastre? Que desastre? Eu quero é saber do Fiuk e do Gilberto se beijando e pulando pelados na piscina! Quero ouvir mais uma lacração da Juliette! Não tenho nada a ver com Coronavírus, a Vacina chegou e tudo vai ficar bem, do jeito que era antes. Eu que não vou ficar chorando ou me lamentando por causa dos outros.”


De uma maneira parecida, vocês já devem ter ouvido de um parente, vizinho, amigo, conhecido ocasional na rua ou colega de trabalho algo parecido com o discurso acima. A bizarra condição social (no sentido de uma sociedade viciada em mecanismos de alienação total da parcela mais aculturada de uma população) que leva a esse tipo de discurso explica tudo que levou ao alcance de quatrocentos mil mortos no Brasil. Incluir o BBB aqui nesta postagem faz todo o sentido, não é nada estranho notar que quase não há uma comoção geral, nas ruas mesmo, devido ao alcance daquele número de mortos. As discussões incluem esse programa, que é o maior desserviço à inteligência humana de todos os tempos, e assuntos como Futebol, a nova fofoca do bairro, as banalidades cotidianas, qual tipo de carne e de cerveja será usada nos churrascos de sábado e domingo… Não podemos fugir da realidade, a parcela do povo brasileiro que não se importa com o momento atual é assim. Sempre foi nos momentos mais críticos. Sempre será. 


Protestos na Internet neste momento mesmo, principalmente dos ativistas do Twitter, contra o alcance da fatal estatística que hoje se abateu sobre o Brasil. "Genocídio", "Presidente Genocida", "Fora Bolsonaro", epítetos daqui, epítetos dali, epítetos de cá… Mas, vocês acham mesmo que há um pingo sequer de sinceridade nesse ativismo virtual todo, leitores virtuais? Vocês acham que todas essas pessoas sentem, de verdade, pesar por cada um dos quatrocentos mil mortos? Vocês acham que há mesmo tanta indignação com tanta gente agora a gritar contra isso, contra aquilo e o que mais houver a ser atacado agora? Não vejo nenhuma sinceridade mesmo, do artista mais famoso ao reles desconhecido com acesso à Internet, tudo parece um tipo de oportunidade para estar, de alguma forma, nos holofotes. Mesmo que por cinco segundos de fama, como participantes de um tipo de BBB diante da eliminação das vidas de Seres Humanos. Chega a ser nojento observar a falta de sinceridade em muito discurso que ando lendo pela Internet sobre a Pandemia aqui no Brasil. A hipocrisia toma conta, no geral, de tudo que acompanha o ativismo virtual. 


Isso tudo, mesmo, já me cansou há muito tempo. E, se formos apontar culpados, teremos que apontar os dedos uns para os outros. A Covid-19 apenas expôs com uma maior potência os crônicos problemas sociais, políticos, sanitários e econômicos do Brasil. Problemas que há muitos anos vieram sendo tolerados, sem uma maior participação nossa para a mudança necessária que os destruísse, que os extinguisse. Agora, posso incluir cada brasileiro adulto e ciente de toda a longa crise da nossa sociedade, que o Governo de Luís Inácio Lula da Silva apenas soube mascarar por um bom tempo e que o de Jair Messias Bolsonaro continua a mascarar mesmo no meio de toda a atual tragédia nacional. Cito Lula e Bolsonaro porque 2022 já se anuncia sobre todos nós como um ano que será extremamente tempestuoso, conflituoso e arriscado para a nossa Democracia bastante capenga e frágil ultimamente. Junto com o BBB e outras distrações que fazem parte do aculturamento nacional atual, Lula e Bolsonaro cito como inclusões porque também estão a retirar o foco daquilo que hoje está, até agora, se mostrando insolúvel: como frear o crescimento do número de contaminações e mortes causadas pelo Coronavírus


Tudo, diante do panorama atual, com uma lentíssima Vacinação (um paliativo, como os mais informados sabem; a cura definitiva para a doença pode demorar a surgir após um indeterminado número de anos) e um desinteresse da maioria populacional em se conscientizar do momento em que estamos, me leva a afirmar que chegaremos até o final do ano próximos a um milhão de mortos. Dificilmente, o grosso do povo, bastante irritado com as restrições, vai querer se conscientizar de verdade, preferindo continuar se revelando rebelde a todas as medidas restritivas que surgirem. Dentro de um cenário assim, é impossível ser otimista ou tentar dar uma de Mãe Dinah tentando prever quando e como a Pandemia terminará. Por causa disto, é muito difícil ver uma saída, com Variantes do Coronavírus bastante perigosas se espalhando com o consentimento da total irresponsabilidade de muitas pessoas de todas as classes sociais. Fica tudo obscuro, nublado, denso, imprevisível e mais macabro a cada dia dentro do panorama do avanço das mortes. No entanto, meia dúzia verdadeiramente está de verdade se importando com quem sofre e lamentando cada morte. BBB e outras coisas são mais necessárias, importantes e dignas de atenção total. 


O peso deste dia me esmaga, muito. Seria fácil não continuar escrevendo sobre este assunto… No entanto, seria covardia de minha parte fugir de uma contemporânea mazela em meu redor. Uma mazela em nosso redor. Uma mazela nos abraçando. Uma mazela nos amaldiçoando. Porque amaldiçoada é uma população que, em seu todo, não reage e exige fazer algo que possa trazer uma solução para o abismo no qual estamos transitando. Minha frustração é que, sempre, eu vejo que somente eu tenho esta noção da realidade nacional. 


Saudações Inomináveis a todos vós, Seres Do Mundo.





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