Quando Não Há Mais Nada A Ser Comemorado


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Atualmente, falar de assuntos que envolvam a emotividade é tratado como “mimimi, “vitimismo” ou “frescura”. Muito da sensibilidade de olhar para si mesmo e perceber que as momentâneas alegres passagens de nossas vidas foram meras ilusões foi se perdendo durante o advento desta atual Era Cibernética. Não me engano mais com a “felicidade” dos que me rodeiam onde resido, nem com os risos e fotos onde todos se encontrem “felizes” que surgem nas Redes Sociais. Uma meditação sobre o fim da festa em cada um de nós, em algum dia, alguma hora ou algum momento de nosso existir e ser nunca deve ser tratado como medíocre emprego do pensamento dentro da escrita.

Meus vizinhos vivem comemorando e, certa vez, alguém me disse que eles “festejam a vida”. Mas, o que seria “festejar a vida” em um mundo onde ao mesmo tempo um estupro ocorre no Rio de Janeiro, uma bomba mata centenas em Bagdá ou um psicopata faz mais uma vítima em Hiroshima? Já refletiram sobre as desgraças, tragédias e misérias todas do mundo que nos rodeia? Ou apenas lêem no Facebook ou Twitter as notícias e ignoram ou comentam sem nenhum maior envolvimento íntimo? Não estamos sendo vazios ao ignorarmos tudo isso? Eu também me sinto vazio quando ouço ou leio alguma notícia sobre uma injustiça, um ataque terrorista ou um crime hediondo e, simplesmente, penso “isto não me interessa, não estou nem aí, foda-se!”.

É preciso, sim, pôr a mão inteira dentro da ferida, o que poucos blogueiros fazem. Falar em primeira pessoa, reconhecer os mecanismos da imperfeição íntima, não parece fácil, eu sei; porém, começar a escrever intensamente sobre isso, levando o Outro a pensar, é já um momento de reflexão crítica da razão de resistir neste mundo quebrado. Eu sou egoísta muitas vezes, cheio de traumas, um outsider, um deslocado dentro e fora da Internet. Me alimento de Nerdices, Poesia, Literatura, Beleza Feminina, Espiritualidade, Ódio, Amor, Erotismo, Pornografia e masturbação excessiva tentando encontrar uma razão para comemorar a minha própria vida. Nada abafa o sufoco da minha mente, o desespero do meu coração, a solidão do meu corpo… Não há uma resposta, uma alegria, um motivo de festa. Se pensam estarem livres dessas sensações, Seres Do Mundo, estão redonda e plenamente enganados. Olhem para dentro de si mesmos e encontrarão no espelho de vossas almas as maiores e piores verdades sobre si mesmos.

E o maior que nosso desencanto toca é sempre aquilo tudo que conscientemente negamos. E o pior que contra nossa visão se choca envolve tudo o que em nós rejeitamos. Não é necessária a Psicologia para que cada um encare de frente todo e qualquer demônio, fantasma, vampiro e estrige residente no Subconsciente. Quando conhecidos e admitidos como vitais, o peso não é tão grande; negados e ocultados durante a maior parte da vida, são carrascos implacáveis geradores de tormentos infinitos. No reconhecimento e na admissão deles, cessam os fúteis sentimentos de uma externa busca por sensações que caminhem para o que o senso comum crê como “vida feliz”. No caso da negação e do ocultamento, a alimentação das ilusões em torno de uma “existência feliz” abundam para o caminhar em uma estrada de cada vez maior desespero, angústia e dor. Olhar para o espelho d’alma é cruel, meus caros, minhas caras; vocês preferem olhar ou ficar cegos durante toda a vida?

Se olharem, se sentirão gratos por se verem como verdadeiramente são. Sentirão a necessidade de reflexão sobre o verdadeiro objetivo de suas necessidades e se as mesmas se coadunam com o que a Sociedade manifesta como os passos ideais de “fatores que levam à felicidade”. Esta campanha de Marketing, a favor de um estado existencial fora da atual humana realidade, um dia se despedaça diante dos olhos de todo aquele que percebe o absurdo do incentivo do sempre estar em estado de festa. A desorientação inicial é necessária, junto a uma crônica necessidade de solidão e isolamento. A identificação com o Outro e uma relativa diminuição do próprio egoísmo se torna capaz de ser captada quando a consciência se livra de determinadas ilusões. Mas, isto ainda não é ser incondicionado totalmente de todas as manobras daqueles que dizem e incentivam “a busca da felicidade a qualquer custo”.

Não há específica forma para que algum ser humana “abra os olhos” e nenhum livro de auto-ajuda, Religião ou divertimento é capaz de realizar tal Milagre Interior. É problema de cada um, que sinta a necessidade de não atender mais às expectativas sociais e ancestrais (séculos de polarização do comportamento humano no sentido de termos arcaicos sobre “a busca da plena felicidade”), exigir de si mesmo o início de alguma libertação iniciadora de uma transformação interior. Esta aqui, no entanto, não é “Iluminação Suprema” que faça com que alguém se torne “Acima do Humano”; se trata, apenas, de um situar-se em si mesmo fora de padrões, regras e cartilhas socialmente transmitidas oralmente ou pela Mídia. Milhões seguem trios-elétricos? Milhões pulam Carnaval? Milhões se casam? Milhões procriam? Alguns se tornam milionários? Poucos se tornam bilionários? O mundo inteiro está em festa? O mundo inteiro é uma festa? Eu nada tenho a ver com isso. Você tem, faz parte disto e nem sente a necessidade de experimentar uma outra realidade a fim de sair desse esquema ilusório de ilusórias efêmeras coisas?

Sei que a festa de meus vizinhos é incessante, que as boates sempre vão existir e os comerciais televisivos sempre irão contribuir para a hipnose das massas em torno do tema da desenfreada “busca da felicidade”. Não me sinto melhor do que todos que estão em festa e nem me apiedo da cegueira deles porque também sou ainda tão cego, egocêntrico e megalomaníaco quanto eles e cada um de vocês. Não uso da ironia aqui, Seres Do Mundo, mas da minha identificação com a realidade estranguladora de toda forma da quase possível fuga da prisão das terrestres ilusões. Um passo é nada mais comemorar e, nem mesmo, ter ou criar expectativas em relação a amores, trabalho, estudo e religiosidade. O inimigo nosso maior é a mente criadora de expectativas, indo ao cúmulo do excesso de sonhos que, com raras exceções, não se cumprem em sua exata natureza. Matem as expectativas, mesmo que risos, sorrisos e a paz interior gerados por uma ou várias ilusões desaparecem. Mais vale o luto de uma existência silenciosa do que o colorido do tumulto de uma existência escandalosa.

E bilhões são aqueles que escandalosamente existem em cada canto da Terra.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




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