Berserk - Volume 17


Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Danilo de Assis
Edição: Beth Kodama
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Abril de 2017
242 pags.


Sinopse:

Dois anos se passaram desde o “Eclipse” que extinguiu o Bando do Falcão. Guts saiu em busca de vingança contra os God Hand e seus apóstolos, a começar por Griffith, renascido como Femt. Com muito esforço, ele venceu a batalha no ar contra Rosine no “Vale da Neblina”, mas entrou em conflito com os Cavaleiros das Correntes Sagradas, que o perseguiam a serviço do Vaticano. Gravemente ferido devido ao confronto com Rosine, Guts foi capturado e interrogado pela capitã dos Cavaleiros das Correntes Sagradas, Farnese, que carrega uma ardente fé. As provocações de Guts a irritaram, e ele acabou sendo mandado de volta para a jaula. E a noite chegou, trazendo consigo monstros à espreita…


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Repleto de revelações, conceitos que dão um novo tom ao enredo e uma tensa carga de psicológica explosão a cada página, este décimo sétimo volume de Berserk é uma leitura abrindo novas portas narrativas. A Saga Da Punição continua, com a conclusão do Capítulo Dos Acorrentados (Aqueles Que Não Vêem, A Noite do Milagre, Idas E Vindas e Manhã Da Verdade) e início do Capítulo Do Ritual De Nascimento (Revelação [partes 1, 2 e 3], Fissura Na Lâmina, Chama Fraca e Para A Terra Sagrada [partes 1 e 2]). Elementares acontecimentos neste volume enriquecem ainda mais a força da mitologia moldada por Kentaro Miura. E o maior conteúdo de significativa importância para a mesma é o maior volume da crítica religiosa que nos volumes anteriores já vinha sendo construída a fim de tomar um maior corpo durante o andamento desta saga.

Através dos olhos e da subjetividade de Farnese que somos primeiramente confrontado com questionamentos religiosos capitais. Utilizada como refém na fuga de Guts do acampamento dos Cavaleiros Das Correntes Sagradas, para que algumas questões que ele tinha acerca de sua perseguição por estes fosse por ela respondida, passou por terríveis momentos que abalaram sua antes indestrutível fé. Diante da perseguição dos Espíritos Malignos Noturnos, atraídos pelo Estigma de Guts, e de todos os fenômenos deflagrados pelos mesmos (a possessão de cães selvagens e até de um cavalo), ela se perde em uma paralisia que lhe afeta a própria consciência de si mesma. Levada ao extremo do turbilhão emocional na noite mais macabra de toda sua vida, junto com Guts, Farnese se deixa pôr diante de seus demônios e monstros interiores. Os desejos, os impulsos, as tensões, os recalques e toda a montanha de verdades abaixo da máscara religiosa de devota fiel transbordam para fora nela em um momento que não vou entregar aqui, pois seria um tremendo spoiler.

E diante de tantos “milagres” onde está o tão decantado “Deus” venerado por Farnese e cultuado como única verdade do mundo de Berserk pela Igreja Católica representada no mesmo? Um “Deus” represado em tantos corações que pedem por uma aliança maior com “Sua Realidade”? Um “Deus” que permite o demoníaco plano contingencial da existência dos God Hand e dos absurdos crimes de todos os tipos praticados pelos Apóstolos? As respostas estão dentro da própria trama e penetram a todo instante na nossa mente de leitor. Uma delas, insistindo no deflagrar de muitas outras indagações, surge imponente no Sonho Da Descida Do Falcão, que todos no Reino De Midland e, talvez, em redor do mundo, tiveram. Sonho anunciando desgraças, mortes, massacres e guerras; mas, tendo como reluzente esperança um luminoso Falcão a descer em direção ao mundo como um raio de esperança… Não é preciso muito para deduzirmos quem seja o dito Falcão, não é mesmo?

E todos os envolvidos com ele ressurgem neste volume, como que confirmando os Fios Do Destino atando todos no mesmo plano de desígnios conforme a realidade determinada pelo mesmo. O Rei De Midland, a Princesa Charlotte, o General Lavin, Zodd, Godeau, Rickert, Erika e Caska, em diversos níveis, somam-se ao Destino que as Asas Do Falcão movimentam acima de todos. Pelos olhos de Sir Lavin somos apresentados à Peste Negra (clara referência à apocalíptica epidemia que matou milhares na Europa Medieval) afetando os campos, cidades pequenas e seus moradores; morte do Rei coincide com a chegada a Midland de um misterioso exército; o retorno de Guts à casa de Godeau, para saber que Caska fugiu, o levar a ser questionado de frente com certas decisões que tomara; um sonho de Zodd o faz mirar um futuro encontro com o grande guerreiro que sempre sonhara enfrentar; e cada fato, como um chamado a um determinado lugar, leva todos a uma Terra Sagrada Onde Se Reúnem Ovelhas Brancas Cegas…

Para completar e fechar com sanguinária ênfase este volume, surgem no último capítulo Mozgus, O Cônego De Sangue, e seus Carrascos. Mozgus é o Inquisidor Do Vaticano mais cruel, capaz de cometer atrocidades inenarráveis em nome da fé no Deus ao qual ele serve com uma rigidez impar. Escoltado por Farnese e os demais Cavaleiros à mesma Terra Sagrada, o Templo De Saint Albion, encontra um ataque de camponeses em busca de vingança por um injustificado massacre em sua aldeia. No triste estilo dos cruéis inquisidores da História Humana, o pequeno ataque é contido e cada sobrevivente recebe uma tenebrosa morte na chamada Pena Da Roda. Uma sequência para leitores fortes acostumados com atrocidades, comprovando ainda mais que Berserk não é uma história que pegue leve ou amenize em sua crítica. Muitos que se deixam levar apenas pela violência, apagam a visão crítica de Miura quanto aos crimes da chamada Santa Inquisição e, no geral, de toda a História Católica em nome de uma visão de mundo crida ainda hoje, em nosso mundo, por seus seguidores e defensores como a única válida e adequada ao Ser Humano. O Cônego promete muito, ainda mais por um certo detalhe apresentado por Miura graficamente que precisa ser confirmado nos próximos volumes.

E Caska foi encontrada por Luka, uma camponesa que também se encaminha com outros camponeses para Saint Albion. Sim, O Destino bate Asas junto às Asas Do Falcão…

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!



























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