Berserk - Volume 15



Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Danilo de Assis
Edição: Beth Kodama
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Dezembro de 2016
242 pags.


Sinopse:

Na dimensão aberta pelo Behelit, Griffith, cujo corpo se encontrava em uma situação irreversível, ofereceu a vida dos membros do Bando do Falcão para os demônios, a fim de realizar o seu sonho. Praticamente todos eles acabaram devorados e Caska foi violada por Griffith, que reencarnou como um God Hand. Guts perdeu um olho e um braço, ficando à beira da morte. Guts e Caska foram salvos pelo Cavaleiro da Caveira, uma entidade misteriosa que os levou até Rickert e Erika. Caska sofreu um aborto, mas o feto, corrompido por Griffith, desapareceu com o nascer do sol. Guts, munido agora de um braço mecânico com um canhão embutido e da “Matadora de Dragões”, uma espada colossal jamais empunhada antes, partiu em sua jornada de vingança. Agora, ele se deparou com Jill e sua vila sendo atacada pelos demoníacos elfos do Vale da Neblina.


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Este volume dá continuidade à Saga Da Punição, que demonstra ser uma das mais espetaculares dentro de toda a mitologia de Berserk. Como se a narrativa continuasse a nos transportar para dentro da história, nos unimos a cada personagem quebrando de vez todas as paredes das realidades que separam o Mundo Ficcional deste nosso mundo que denominamos como “Real”. No Capitulo Das Crianças Perdidas, vemos em A Rainha, Fogo-Fátuo, Pirkaf Dos Olhos Vermelhos, Lembranças De Uma Menina, O Mundo Dos Seres Alados, Guardiões (Partes I e II), Os Perseguidores, Vale Da Neblina (Partes I e II) e Casulo mais um drama existencialista pesadíssimo do que uma batalha puramente constituída por cenas ultraviolentas cuja única sensação possível é o ódio.

O ódio, no entanto, atua ainda em Guts, só que, diferentemente dos volumes anteriores, há algo estranho com ele devido às origens e à natureza de uma dos Apóstolos dos God Hand que aqui ele enfrenta. Soma-se a isto o fato de que Rosine transforma as crianças que rapta em vilas próximas ao Vale Da Neblina em versões de Elfos nada inocentes e puras, como pôde ser visto no volume anterior e mais ainda a certa altura deste. Sua história nos é contada por Jill, que revela detalhes excessivos em demasia para a compreensão da história e é algo que aqui não vou entregar. Jill, então, é a porta de entrada para o distorcido Mundo Élfico da Neblina comandado por uma criança empregando outras crianças para assolar todas as vilas nas quais surgem como pragas mortais.

E aqui se encontra o que deu a Guts um desconforto durante os embates contra Rosine e seus Elfos. O fato de estar a enfrentar crianças transformadas em monstros parece abalá-lo um pouco, mas isto não quer dizer que há um recuo muito grande em seu instinto assassino quanto a isto… Tanto que nem mesmo ver os cadáveres dos Elfos mortos em um celeiro na vila de Jill, retomando a forma humana, lhe fez maneirar no modo como enfrenta os demais durante a perseguição a Rosine até a Neblina. E, cada vez mais perto dele, os Cavaleiros das Correntes Sagradas liderados por Farnese, se deparam com os cadáveres carbonizados das crianças e, cada vez mais, fazem uma terrível ideia do que seja o Espadachim Negro. Este, até o encontro de Rosine, enfrenta outros monstros, adultos que servem como protetores dos Elfos e que atrasam Guts bem no meio do caminho em direção aos seus alvos.

A relação de amizade entre Jill e Rosine é amplamente explorada, dando emotividade cativante a este volume em diversos momentos. Jill, deslocada no mundo em que vive, reencontra a amiga transformada em um monstro que, mesmo assim, pensa que seus atos são naturais e bons para o mundo em que agora vive. Mas, por qual motivo um monstro no corpo de uma criança, tendo a mente e o coração de uma criança, deveria ser visto como tal? Rosine não é um monstro como o Conde e outros que Guts matou anteriormente, mas uma criança que, tão deslocada quanto Jill, foi escolhida pelo Destino para se tornar uma representante dos God Hand no mundo De Berserk. Ela parece nem ter uma exata noção do que representa realmente ser uma dos Apóstolos, mas ofereceu os pais como Sacrifícios para ser o que se tornou. Contudo, a empatia para com a personagem é imediata quando percebemos sua inocência e o quanto ela quer compartilhar com Jill a felicidade que encontrou, propondo que esta se torne uma dos Elfos.

E Puck, Elfo de verdade, é o alívio cômico e, às vezes, uma tomada de pensamento crítico à certa altura da narrativa em momentos específicos. Muito mais do que um “bichinho de estimação bonitinho e engraçado”, como ele, aparentemente, parece ser se formos preconceituosos com o personagem, ele demonstra aqui ser essencial na mitologia do mangá. Sua importância vai além de curar Guts de ferimentos com o pó solto por suas asas e se refere a expressar a voz da razão que algumas vezes toca no coração do insensível e irracional Espadachim. Não vou entrar em detalhes, mas sua participação vem crescendo cada vez mais em importância por causa de sua cativante e empática personalidade que, nas horas certas, o faz proferir palavras corretas. Cada vez mais passamos a compreender o porquê de Kentaro Miura ter posicionado como o companheiro de um guerreiro de extremíssima brutalidade e insensibilidade um personagem como Puck. Com a Jill, as palavras que chamam à razão também funcionam, mas de um modo mais prático e visível do que com Guts.

E o volume termina em chamas, anunciando fantástica conclusão no próximo.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!












  




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