Tijuca - José de Alencar




   (A D. HELENA COCKRANE)



SALVE, rochedos agrestes!

Salve, Tijuca louçã!

Quando, ao raiar da manhã,

As alvas névoas tu vestes,

Como és formosa, montanha,

Ao sol que a face te banha!



Vós, Senhora, que habitais

Aqui, na mansão florida,

Sabeis como é doce a vida

Neste remanso da paz.

Que dias gozei serenos,

Sob estes climas amenos!



Traz a brisa aqui, na asas,

Da celeste eflorescência

Doce pólen de existência,

Coado por entre as gazas

Deste azul sempre luzente,

Que aveluda um céu ridente.



Aqui a rosa floresce

Nos campos, porém mais bela

Vem nas faces da donzela,

Donde nativa parece.



Ai, que rosas de carinhos,

Têm perfumes sem espinhos!

Nesta serra alcantilada,

Que o cimo às nuvens remonta,

Como que o éden esponta

À alma na terra exilada;

E os anjos dos vales seus

Ficam mais perto de Deus.



Calmo e doce paraíso!

Não dar-me o Senhor poder

Sempre em teu seio viver!...

Me fora a vida sorriso,

E a delícia do teu ermo

Me sanara o corpo enfermo.



Adeus, ó serra gentil,

Adeus, Tijuca risonha!

Ausente; contigo sonha

Quem te viu encantos mil.

Adeus, formosa montanha,

Ai, que saudade tamanha!...



(28 de fevereiro 1864.)




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