Lobo Solitário - Volume 1



Criação E Roteiro: Kazuo Koike
Arte: Goseki Kojima
Capa 1: Frank Miller & Lynn Varley
Capa 2: Goseki Kojima
Tradução: Drik Sada
Letras: Ricardo Santana & Danilo de Assis
Edição: Beth Kodama & Bruno Zago
Posfácio: Levi Trindade
Editora: Panini Brasil LTDA
Data de Lançamento: Dezembro/2016
290 pags.




Sinopse:

Este é o caminho sangrento de Itto Ogami e seu filho Daigoro, em busca de vingança contra a poderosa e influente família Yagyu, braço direito do Shogun, que orquestrou das sombras a ruína do Clã Ogami.




Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Fazendo eco com o dito por Levi Trindade, Editor da Panini Comics, no Posfácio deste primeiro Volume de Lobo Solitário, conheci a história de Itto Ogami e Daigoro através do seriado japonês O Samurai Fugitivo. Exibido pelo atual SBT, nos bons e saudosos anos 80, uma época sem o tanto de mínimo e moralismo barato que imperam hoje em dia no Brasil e no mundo, era algo incomum em meio a tantos seriados da época. Com uma linguagem seca e direta, indo de um extremo contemplativo a um extremo ultraviolento sem nenhum corte ou censura, foi um marco em uma época na qual era possível ainda exibir tal conteúdo na TV aberta brasileira. Com certeza, alguns que estejam a ler estas palavras conheceram o Lobo Solitário na mesma época, obra que, anos depois, descobri ter sido baseada em um famoso Mangá considerado a maior obra-prima do Gênero em todos os tempos para a grande maioria dos especialistas. E agora, com este relançamento baseado na série original executado pela Panini, muitos, como eu, que ainda não conheciam o Mangá agora tem a oportunidade de ter uma preciosidade em sua coleção.

O subtítulo O Caminho do Assassino amplifica o contexto trabalhado por Kazuo Koike e brilhantemente ilustrado por Goseki Kojima neste Volume visceralmente empolgante. “Alugo minha espada, alugo meu filho”; Apenas um pai pelo filho, um filho pelo pai; De norte a sul, de oeste a leste; Travessia do carrinho de bebê pelo Rio da Morte; Suiou-ryu Zanbatou; À espera da chuva de outono; Formação de Hachimon Tonkou; Asas para os pássaros, presas para as feras; e O Caminho do Assassino dão uma sensação que faz a leitura evocar diversas outras sensações de tirar o fôlego e prender a atenção ao extremo. Permeado por citações da Arte da Guerra de Sun Tzu e muito da Filosofia Japonesa e Oriental, com sutilidade, torna ainda mais agradável a leitura. O sombrio tom da história é amenizado por diversos sutis momentos contemplativos que Kojima moldura como pequenos quadros rápidos, os quais não se tornam enfadonhos. O tratamento do roteiro facilita a leitura, já que Koike consegue tratar da temática filosófica envolvida tornando a mesma constituída por uma linguagem inteligível, prática e sem rodeios.

Todos os personagens aqui presentes são bem desenvolvidos, com grandiosíssimo destaque para Itto Ogami. Não é possível definir, em termos ocidentais, a personalidade dele; no máximo, temos que admitir que a Cultura Japonesa abordada na história centraliza-se no Shogunato, mais precisamente no Período Edo (1603-1868). O que, então, cada leitor deve fazer diante de certas questionáveis atitudes dele diante dos olhos ocidentais? Fechar os olhos, ignorar, fazer de conta que não está perceptível os fatos que se passam a cada página onde os mesmos ocorrem? Criticar tresloucadamente sem examinar o porquê dos fatores que levaram o personagem a tais atitudes? Porque Ogami usa o filho nas execuções de seus contratos de assassinato de aluguel, um ato que repugna até mesmo outros personagens que percebem cada tática onde Daigoro é a figura central. Como leitores ocidentais, nossa preocupação deve sempre, ao contato com criações artísticas que se voltem contra os princípios a nós imputados desde crianças, levarmos a mente até a conceituação de que estamos lendo ou assistindo algo oriundo de uma Cultura muito diferente da nossa. Uma leitura de qualidade segue o caminho de uma aquisição de conhecimentos culturais diversificados de um modo flexível e capaz de fazer fluir o pensamento ao mesmo tempo.

A qualidade da edição é primorosa, com cada página apresentando letras cuidadosamente trabalhadas, não tornando a leitura pesada para os olhos; um acabamento gráfico que dá à edição um formato adaptável a qualquer forma de deposição em uma estante; um Glossário com os termos em japonês utilizados ao longo do Volume; notas explicativas do Editor com informações sintetizadas; e capas de estilo artístico refinado. Não sendo apenas uma obra de lutas tocando em temas polêmicos aos olhos ocidentais, repito, Lobo Solitário faz jus à fama que adquiriu com o passar dos anos e a aceitação de seu reconhecimento como a melhor obra do Gênero Mangá já realizada. Prostitutas, Ronins, Yakuzas,  Samurais, Camponeses, Assassinos, Ladrões, Estupradores… Do início ao fim, neste Volume se encontra uma variedade rica de exóticos tipos humanos que atuam a favor da continuidade do roteiro como um todo. Os fatos ocorrem com sentido e seguem, harmoniosamente, em todos os diversos acontecimentos, que fluem sem serem forçados em sua consecução. Leitura para todas as horas, passando determinadas mensagens que cada leitor deve saber identificar entre golpes de Katana e reflexões existencialistas.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!






















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