Do Mundo Dos Motivos E Do Mundo Das Necessidades



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


O Sistema Natural de livre vida complexa dos diversificados elementos da Natureza é de uma pureza altamente soberana na dignidade de seus atributos. Não ecoam ritmos negativos no ritmo positivo perpétuo da harmonia entre Fauna e Flora. À simples folha morta caindo de uma árvore corresponde o nascimento de mil folhas em mil árvores; a um pássaro abatido por um caçador corresponde o nascimento de inúmeros pássaros em todas as florestas; ao agonizar dos peixes em um rio poluído corresponde o encontro de outros peixes com límpidos rios; aos raios solares banhando a tudo corresponde a vitalidade do crescimento de novos naturais nascimentos; em tudo na Natureza a executar um determinado ato essencial há uma mais profunda essencialidade a envolver-lhes as consequências. Na Natureza, o páthos, em sua objetividade, é a alma intrínseca nos movimentos evolutivos de seus elementos unidos na realidade das coisas presentes em seu organismo.


Há páthos na Natureza, um páthos maravilhosamente equilibrador do esquema organizacional de todos os elementos naturais. Paixões humanas, que se tornam corrompedoras devido ao próprio humano elemento nelas inserido, a ele comparadas, são como infantilidades desconhecidas até para as crianças. Amor, ódio, ciúme, inveja… Todas as paixões, tornadas pela Humanidade tolas paixões humanas corrompedoras, tornam-se um todo de profundas desequilibrantes inverdades racionais no Gênero Humano. Querer justificar a tolice de uma corrompida paixão humana corrompedora como justificável é tecer uma colcha recheada de espinhos venenosos que prendem-se a todos os pontos conhecidos e desconhecidos da Razão. A própria ação do corromper das paixões, todas estas tornadas artificiais em suas básicas potencialidades, é um movimento de inúteis movimentos. Não há naturalidade em nenhuma paixão humana tornada corrompida porque todas estas, assim transformadas, ocorrem após um motivo específico que toca nos sentidos de maneira subjetiva e exterioriza-se objetivamente em esforçados vazios exercícios expressivos sistemáticos.


Para um Ser Humano amar ou odiar, adorar ou rejeitar, enfim, sentir por outro Ser Humano as contraditórias paixões corrompedoras, há sempre em demasia o verso fatídico do motivo. O Ser Humano chegou a um ponto tão desgraçado de fenomênica capacidade exercedora de suas atitudes que já não atua em uma empresa sem motivos, maiores ou menores. Para uma grande campanha de arrecadação de alimentos, o motivo do Natal, de um desastre natural ou de um interesse político; para uma atuação primorosa do aparelho governamental nas áreas mais empobrecidas de uma cidade, o motivo de uma enchente, de uma chacina ou de um interesse político (Política, Política, Política… Tudo, realmente, infelizmente, é dependente da Política, louvada seja a Desgraça Contemporânea…); para a grande aceitação de um Ser Humano como Grande Ser Humano, o motivo do valor altíssimo de sua conta bancária, da hipocrisia de querer auxiliar os “menos favorecidos socialmente” ou da demagogia aplaudida de seus ideais políticos (os animais políticos são assim);


Para uma grande missão de paz em uma região continental assolada por décadas de conflitos, o motivo de uma “cruzada pelo bem-estar geral do mundo”, da Economia (hipocritamente negado) ou de uma manobra política de dominação (o mestrado desta “arte” é dos Estados Unidos); para um grande empreendimento na área da Administração Pública a fim de eliminar a corrupção, o motivo de um escândalo público, de uma “exigência da sociedade” ou de uma plataforma eletiva de propaganda política; para uma grande mudança na área educacional, o motivo da deterioração dos Ensinos Fundamental e Médio, da polarização do Ensino Superior ou da ação política de um Governo preocupado em manter-se forte na camada intelectual de uma nação; para um grande desenvolvimento na área da Saúde, o motivo da desestruturação orgânica da rede hospitalar, da perda de alguns doentes por mau atendimento ou dos interesses políticos de dedicados demagogos de plantão a dizerem-se “defensores dos direitos populares a atendimentos médicos aprimorados”; para as grandes obras em todos os níveis sociais, o motivo, este grande mal humano, sempre está atuando. Nada com extrema sinceridade é realizado dessa maneira porque o motivo interesseiro é tudo no contexto de um ato. O motivo é uma paixão e degenera os âmbitos nos quais as sinceras tendências humanas na realização de algo poderiam atuar.


Não é nenhuma tenebrosa estranheza metafísica o fato da Política atuar, mesmo que superficialmente, nos ambientes decadentes da atual sociedade humana. A Política é uma paixão degenerada, degenerativa e degeneradora, tudo o que toca apresenta como consequência um efeito inverso do Toque de Midas: transforma em pó. A Animalidade Política é um ultraje do próprio ente humano que é um animal político, este ser de ridículas metas que apenas trata de adquirir os melhores direitos para os grupos sociais dominantes que representa. As maiores parcelas construtoras da Desgraça Contemporânea advém da Política, esta monstruosidade suavizada ano após ano pela própria imbecilidade humana. Monstros dirigindo nações estão, das mais ricas às mais pobres; monstruosas aberrações nascem no seio da Humanidade na forma de falsas elaborações de soluções para uma próspera unidade mundial, uma Verdadeira Globalização. Globalmente, o mundo dos motivos, o mundo que despreza a sinceridade, o mundo dos monstros políticos, o Mundo da Desgraça Contemporânea, é um clubinho aberto a todo tipo de mediocridades apaixonadas do mundo das paixões corrompedoras.


Política, motivos e paixões corrompedoras inexistem na Natureza. Nada no movimento Das ondas do mar, no deslizar dos peixes nos oceanos, no crescer do tronco de uma árvore, no florescimento de uma frondosa árvore, nos fenômenos naturais que ela manifesta com um páthos incompreensível, está subjugado pelas limitações tão comuns moldadas pelos seres humanos socialmente.


“(...) qual seria a razão por que os seres infra-humanos não possuem a mesma cultura e civilização que o Gênero Humano arquitetou sobre a face da Terra? Evidentemente, falta aos seres infra-humanos essa misteriosa faculdade que possibilita ao Homem perceber algo que o ser infra-humano não pode perceber, por falta de competente faculdade que chamamos inteligência ou intelecto (...)”.


Acima, as palavras Huberto Rohden em sua obra Filosofia Universal. Metafisicamente, é possível responder à pergunta traçando uma linha de raciocínio que para alguns filósofos parece fantasia ou insanidade sofismática. Penso que todo filósofo deve especulativamente fantasiar, sem medo de cair em sofismas pueris; a Filosofia gera corajosos estudantes das verdades ou candidatas a verdades e, não, medíocres covardes que aceitam a obviedade esquecendo esse percrustar a não-obviedade em suas essencialidades.


Sim, os Seres Infra-Humanos, os animais, não construíram uma cultura e uma civilização idênticas à humana. Por uma benção da Natureza, no sublime estado natural que não arregimenta propriedades excessivas que desgastem o espírito, tais seres estão fora do mundo dos motivos. Muito felizes em suas íntegras particularidades vitalizadas pela Natureza, cada animal, equilibradamente, atua excelentemente em seu papel nos habitats heterogêneos nos quais residem. A relação pais/filhos é a de uma necessidade procriatória natural; a relação presa/predador é a de uma necessidade alimentar e equilibrante de um habitat; a relação vida/morte é uma necessidade encarada como uma atitude da Natureza, na qual nada material é eterno. O Mundo Natural é o mundo das necessidades, um mundo mais digno em sua latente sinceridade do que o mundo social, que é o mundo dos motivos. Em nenhum animal, há o motivo para a realização de um ato; ele realiza o ato movido pela necessidade que a tal guia-lhe inexoravelmente.


Senhor Huberto Rohden, os animais são inteligentes, talvez até mais que os seres humanos. Não caio em um abstrato sofisma nesta especulação, que é uma afirmação absoluta sob um ponto de vista subjetivo que experimentou realidades objetivas. Pelo fato deles não serem intelectuais corrompidos pelas paixões corrompidas pelos próprios seres humanos, todos são inteligentss pela necessidade que não possuem de tentarem fazer-se senhores do mundo. A fala e os pensamentos deles não são ininteligíveis para os que atentam-se a observar-lhes os movimentos corporais e os comportamentos. Nos animais, o páthos dominante denota-lhes inocência necessária para a sobrevivência em um mundo morto socialmente. O Gênero Humano quer, inconscientemente, esquecer totalmente da Natureza, passando a apoiar-se na fria tecnologia que embota-lhe diariamente o espírito totalitariamente. A ditadura humana é uma epidemia extinguidora da Natureza, a qual luta contra a sua agonia prestes a sucumbir diante da Animalidade Social, da Natureza Social Artificial. A salvação da Desgraçada Humanidade Contemporânea está nos mistérios do mundo Das necessidades; porém, o Homem cega-se, ensurdece-se e emudece-se aos chamados naturais das necessidades naturais, abraçando com festiva racionalidade os motivos corrompedores de sua existência.


É raro o páthos no Homem. Este, moldado socialmente pelos motivos, é apaixonado perdidamente pela própria desgraça. A Natureza é superior, as paixões naturais são engrenagens de máquinas imortais isentas de motivos para funcionarem na velocidade estonteante do desejo de um reto evoluir. Amar, odiar, invejar, as paixões humanas corrompedoras e corrompidas todas, no mundo das necessidades não são conhecidas pelos animais. As plantas não odeiam as formigas que carregam-lhes partes de sí mesmas, tanto umas como as outras equilibram-se em necessidades próprias; o beija-flor não ama a flor da qual nutre-se, nem a flor odeia o beija-flor por servir de meio de consumo para ele, as necessidade equilibram-se; as aranhas tecem com maestria as suas teias e a inveja não nasce em uma por outra ter tecido uma teia melhor elaborada que a dela; as formigas incessantemente trabalham e não brigam entre si, pois, coletivamente, são unidas no objetivo da sustentação segura de suas moradias; as aranhas e as formigas, em suas específicas necessidades, resumem todos os primorosos recursos do páthos natural, isento de motivos, motivações e motivados; na naturalidade das atividades há o princípio de uma Verdadeira Felicidade, pulsante, instintiva, integral, sã, sábia e satisfatoriamente realizada.


Tribulações, sensualismo depravado, preconceitos, guerras, discussões, dissoluções, fins, destrutivismos, ideologias, ideais, moralismos, Política, Religião, sociedade, Ciências, Filosofia… Sem nenhuma preocupação eterna com estas motivações humanas corrompedoras do Ser, os animais sabem ser necessários a sí mesmos e à Natureza. O Homem não sabe a nada ser necessário e tudo o que “intelectualmente”, “culturalmente” e “civilizadamente”  domina é ruína, tragédia, miséria, desgraça… Dando-se aos motivos, o Homem é um motivo desnecessário para este planeta; se um ser humano precisa ser motivado para agir, ao invés de simplesmente sincero agir, já demonstra que nem aos animais é necessário. O mundo social motiva a Desgraça Contemporânea, nada está sendo necessário à Humanidade com relação as criações desta para alcançar uma Graça. A Graça está na Natureza, necessária ao Homem se este fosse necessariamente verdadeiro Homem nesta época das épocas decadentes. A Natureza aguarda o retorno do Gênero Humano para os seus maternais braços; evidentemente, se a continuidade da desgraça for muito longa, a mãe do páthos natural pode acabar desaparecendo.


São dias calamitosos os dias atuais, apocalípticos, nos quais este filósofo tenta não ceder às paixões humanas deterioradas pelo Homem. Este filósofo geme, a Natureza dele ainda é a humana, a artificial. E humanas ainda são as suas paixões, com todos os motivos possíveis. Os humanos e suas artificiais paixões; os animais e o seu páthos natural; o Homem e a sua Desgraça Contemporânea; a Natureza e a sua Graça Natural. A vitória eterna é a da Natureza e a derrota eterna é da Humanidade.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




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