Biocyberdrama Saga



Roteiro: Edgar Franco
Arte: Mozart Couto
Coordenação Editorial: André Barcellos Carlos de Souza e Maria das Graças Monteiro Castro
Revisão: Gisele Dionísio da Silva e Maria Lucia Kons
Projeto Gráfico: Leandro Araújo de Souza
Editoração Eletrônica: Leandro Araújo de Souza e Alanna Oliva
Letreiramento: Matheus Moura
2ª Edição
Goiânia: Editora UFG
2016
280 p.



Sinopse:


No Século XXXI, a Humanidade encontrasse encontra-se em vias de Extinção. No entanto, o corpo e a mente da Raça Humana, graças aos avançadíssimos processos da Engenharia Genética e da Tecnologia, modificaram por completo a relação entre a vida, a morte e a imortalidade. Neste cenário de uma Aurora Pós-Humana, encontramos Antônio Euclides, dividido entre dois caminhos totalmente opostos quanto à remodelação de seu estado físico e psíquico. Caminhos que, no entanto, guiam em direção ao mesmo destino: o da transcendência da simples condição humana em direção a um sentido mais amplo de percepção de toda a realidade.



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Biocyberdrama Saga está muito além do fato de ser considerada uma obra-prima. Se existisse uma categoria eletiva de classificação de obras que se encarregam de tornarem-se relíquias acima das denominadas obras-primas, esta história entraria na mesma. O que Edgar Franco e Mozart Couto aqui realizaram foi um ato de aproximação do que o Futuro reserva para a nossa Humanidade. Nesta era de deterioração intelectual extensa e cada vez mais crescente, onde o chorume das perspectivas de opiniões baseadas no senso comum transbordam por todos os cantos e campos, o significado desta obra é o mais essencial e elementar possível. Ler uma antecipação de até onde podemos chegar através de uma linguagem simples e complexa ao mesmo tempo, é uma oportunidade rara de entrar em contato com algo possuidor de extrema segurança no tocante a assunto tão polêmico entre acadêmicos e não-acadêmicos: o do aprimoramento total do ser humano em termos genéticos e tecnológicos que visem ao alcance de uma superação dos até então conhecidos limites do status do Homo sapiens como a espécie dominante planetária.


Esta segunda edição de Biocyberdrama (que teve a primeira edição lançada no ano de 2013) contar com um trabalho gráfico caprichado e de estilo feito para agradar tanto quanto o conteúdo nele disponibilizado.  Além de contar com um texto introdutório, escrito por Franco e intitulado Uma saga quadrinhizada em segunda edição: a arte dos quadrinhos pós-humanistas, tem uma Apresentação escrita por Elydio dos Santos Neto; um Prefácio delineando todo o processo criativo da obra, além de um guia de referências contemporâneas para a concepção da mesma e quadros explicativos sobre a trama; e quatro Anexos (HQ’s Biocyberdrame, Hightech e Igualdade; Biocyberprocesso) que apresentam as fases antecessoras à concretização da presente história. Fechando o volume, informações sobre os autores do mesmo que fornecem informações básicas sobre  suas respectivas carreiras.


A obra trata, em primeiríssimo lugar, das escolhas que se podem ter diante de um panorama demonstrativo de uma realidade futura. O personagem principal, Antônio Euclides, funciona como um arquétipo dos seres tão aprofundados em dúvidas, que geram a necessidade das escolhas, que todos nós somos por sermos tão frágeis e quebradiços. Ser um Tecnogenético em um corpo geneticamente aprimorado que é uma simbiose de elementos animais e vegetais; ou um Extropiano, livre da necessidade de um corpo orgânico, tendo a possibilidade de apenas ser uma essência a navegar pela rede telemática mundial? Como não quero estragar o prazer da leitura, a solução encontrada por Franco para a definitiva escolha de Antônio parte de um princípio muito lógico de fatores que guiam para um clímax inesperado. Quando se tem a nítida ideia, durante a leitura, que o encaminhamento da conclusão da história vai para um lado que não contrarie o que foi estabelecido desde o início, o autor se vale de uma reconfiguração narrativa muito sutil que melhora ainda mais a trama quando esta é visualizada de um modo geral. Outra personagem de grande destaque na trama, Orlane, tem um papel crucial no clímax da história e ainda demostra que o mais fundamental de todos os sentimentos jamais deverá abandonar a Terra: O Amor.


A arte é um caso a ser ainda mais alinhado ao que o roteiro enfoca com destreza e riqueza de detalhes que não se tornam enfadonhos. Couto transmitiu em cada ambientação a nitidez do que a mensagem explícita da história repassa ao leitor. Por alguns segundos ou longos minutos é possível ficar a admirar cenários, personagens e a fluidez de um traço que nunca deixar de ser firme a cada quadro e página. Assombroso é o domínio que ele possui de Anatomia, tanto nas formas humanas quanto nas híbridas orgânicas e robóticas, tornando realistas tais concepções de um modo a não causarem estranhamento. Muito pelo contrário, o que a arte desta Saga provoca é um incomum maravilhamento, um êxtase que poucas vezes este Inominável Ser que vos fala sentiu ao ler uma História em Quadrinhos. Não gosto de comparar estilos, mas o de Couto nada fica a dever diante de grandes mestres do Desenho como Jack Kirby, John Byrne, Barry Windsor-Smith e tantos outros que na História da Nona Arte provaram a verdade de seus respectivos talentos.


Esta é uma obra que fica para sempre n’alma daqueles que a lerem. Somando Roteiro e Arte, não se pode falar que pontas soltas, deslizes, furos de roteiro ou desvirtualização gráfica foram cometidos. O que fica ao final da leitura é uma sensação de querer mais sobre o riquíssimo universo aqui criado com grandiosidade e espetacular sensibilidade. Quem sabe Edgar Franco e Mozart Couto já não estejam organizando Biocyberdrama Saga 2 neste exato momento?


Neste mundo, todos os sonhos ainda podem ser realizados…


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!








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