Filosofia E Psicanálise: Um Pequeno Estudo Transdisciplinar A Partir De Sigmund Freud



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Para o campo da Filosofia, os estudos psicanalíticos são essenciais e como que complementos, pelo fato de buscarem uma explicação acerca do que leva o Homem a tecer teorias sobre a sua situação no mundo. O fator psicológico cabe em cada apontamento do estudo de uma teoria filosófica, destacando-se como altos fatores os instintos ou pulsões. São estes altos fatores diretrizes reais do máximo exame do filosófico como construção objetiva da constituída construção subjetiva do ser humano. O id “contém tudo que é herdado, que se acha presente no nascimento, que está assente na constituição — acima de tudo, portanto, os instintos, que se originam da organização somática e que aqui (no id) encontram uma primeira expressão psíquica”, conforme Sigmund Freud. O ego atua como intermediário entre o id e o mundo externo, tendo “a tarefa da autopreservação. Com referência aos acontecimentos externos, desempenhar essa missão dando-se cinta dos estímulos, armazenando experiências sobre eles (na memória), evitando estímulos excessivamente intensos (mediante a fuga), lidando com os estímulos moderados (através da adaptação) e, finalmente, aprendendo a produzir modificações convenientes no mundo externo, em seu próprio benefício (através da atividade)”. O superego é “uma terceira força que o ego tem de levar em conta”, pois nele prolonga-se a influência parental, que “inclui em sua operação não somente a personalidade dos próprios pais, mas também a família, as tradições raciais e nacionais por eles transmitidas, bem como as exigências do milieu social que representam. Da mesma maneira, o superego, ao longo do desenvolvimento de um indivíduo, recebe contribuições de sucessores e substitutos posteriores aos pais, tais como professores e modelos, na vida pública, de ideais sociais admirados”.


O Homem, em sua constituição psíquica, é a trino. Levando esta concepção para o esquema delineador do ato de filosofar, chegando ao captar do sentido do filosofar como meio de expressão do ser verdadeiro para sí mesmo e para o mundo, encontra-se toda carga psíquica de impressões na sucessão lógica das teorias filosóficas. O id, o ego e o superego são as chaves reveladoras da concepção do ser filósofo e da filosoficamente concebedora noção do filosofar. O id comporta o que objetivamente se expandirá de boa condicionalidades instintivas advindas da herança biológica psicossocial, mais precisamente o fator da centralização do indivíduo humano como pensador regido pelos internos fatores de sua compleição psíquica. O ego interpreta os externos fatores que afetam a individualidade, a qual constrói um modo lógico de interpretação dos estímulos recebidos para determinar-se no âmbito do mundo que o cerca. O superego é o palco de toda ideologia, espiritualista ou materialista, dependendo de como o indivíduo pensante livre (supostamente) utiliza-se externamente das influências que internamente envolvem-no em um emaranhado de visões apontando para uma definitiva única visão, obrigatoriamente.


Todas as potencialidades filosóficas são universalmente concebidas como inerentes ao ser humano,independentemente de suas condições sociais, raciais e econômicas. O psiquismo de cada indivíduo determina a formação de seu ideal filosófico. O esquemas abaixo acolhem essa determinação exposta no parágrafo anterior:

ID               


Condicionalidades
 Instintivas


Pensador
No Âmbito
Psíquico


EGO


Externos Fatores
Influentes


Individualidade
Construtora
De Interpretações


SUPEREGO


Palco De Toda
Ideologia


Visão Filosófica
Ideal
Do Pensador



Filósofo:


Condicionado          →       Influenciado
Instintivamente                pelos fatores externos


→ Gerando toda sua
ideologia            

Pensativo na esfera psíquica    →


Individualizado no construir interpretativo  
→   Pensador Realizado com a sua visão filosófica real


Coletivamente, a teoria filosófica assim influi:

FILÓSOFO
FILOSOFIA
SOCIEDADE
Construtor de ideais
Inspiradora de ideais
Receptora de ideais
Idealizador consciente
Ideia metapsíquica real
Realizadora inconsciente
Id Coletivo
Ego Coletivo
Superego Coletivo



Para a coletividade, a essência da sociedade, toda ideologia a afetar-lhe molda-lhe o evoluir como elemento de crescimento como civilização, em um todo coesivo. Individualmente, ocorre o mesmo com cada ente, pois “cada indivíduo é uma parte componente de numerosos grupos, acha-se ligado por vínculos de identificação em muitos sentidos e construiu o seu ideal de ego segundo os modelos mais variados. Cada indivíduo, portanto, partilha de numerosas mentes grupais — as de sua raça, classe, credo, nacionalidade, etc. — podendo também elevar-se sobre elas, na medida em que possui um fragmento de independência e originalidade”. Os filósofos que eternizam-se com suas teorias são tais tipos independentes e originais que elevam-se sobre todas as categorias sociais que influenciam. Não são “super-homens”, mas indivíduos capazes de melhor observar, captar e interpretar a realidade que os instiga a investigar intelectualmente. Os filósofos, por causa de suas especiais condições psíquicas, são leitores atentos do transcorrer da da fenomenalidade no  mundo inteligível, como narradores eficientes de uma ciência investigativa. Esta ciência, no entanto, não pode possuir nenhuma rigidez, pois “o avanço do conhecimento, contudo, não tolera qualquer rigidez, inclusive em se tratando de definições”. A Filosofia possui o caráter da construção de teorias válidas para todas as épocas, independentemente da cultura a qual se associe. Assimilada como um objetivo de tentativa de esclarecimentos sobre as coisas, o dever dela não é ser uma direção vital do ser humano, mas uma indicação da humana direção objetiva da subjetividade.


Como dito acima, os filósofos não estão acima do restante da Humanidade. Os instintos neles também estão presentes e adquirem intensidades que revelam-se em suas teorias. Para a coletividade, o filósofo é um indivíduo dotado de “sobrehumanas faculdades”, um “gênio” inafetado pelos instintos. Eles são afetados por estes na mesma proporção que um indivíduo pouco letrado. São libidinosos, egocêntricos, neuróticos, talvez até em proporções maiores do que outros indivíduos; ou recalcados, introspectivos, submetidos a uma prática de submissão dos instintos. Estes “representam as exigências somáticas que são feitas à mente. Embora sejam a suprema causa de toda atividade, elas são de natureza conservadora; o estado, seja qual for, que um organismo atingiu dá origem a uma tendência a restabelecer esse estado assim que ele é abandonado”. Filósofos são seres não-livres dos instintos, principalmente os sexuais; destes até alguns filósofos do passado tentaram e alguns do presente tentam e muitos do futuro tentarão, livrar-se para melhor filosoficamente investigarem a realidade das coisas, mas “a consecução da repressão, porém, fracassa de modo especialmente fácil no caso dos instintos sexuais. Sua libido represada encontra outras saídas do inconsciente, porque regride a fases anteriores do desenvolvimento e a atitudes anteriores para com os objetos, e em pontos fracos do desenvolvimento libidinal, onde existem fixações infantis, irrompe na consciência e obtêm descarga. O que resulta é um sintoma e, consequentemente, em sua essência, uma satisfação sexual substitutiva”.


Os quadros abaixo exemplificam um paralelo entre os filósofos das duas naturezas:


FILÓSOFOS LIBERAIS
FILÓSOFOS RECALCADOS
Explosão Instintiva
Repressão Instintiva
Desejos Insaciáveis
Desejos Controlados
Libertinagem Ativa
Introspecção e Passividade
Alegrias Efêmeras
Tristeza Permanente
Id Ativo
Id Inativo
Ego Ativo
Ego Inativo
Superego Ativo
Superego Inativo
Satisfação dos Sentidos
Sublimação dos Sentidos
Materialismo Grosseiro
Espiritualismo Sutil
Filosofia Objetiva
Filosofia Subjetiva



Filósofos:


Liberais → Instintivos → Ideais Materialistas


Recalcados → Reprimidos → Ideais Espiritualistas


Com este esquema, assim divide-se a Filosofia:



FILOSOFIA MATERIALISTA
FILOSOFIA ESPIRITUALISTA
Gera Ateísmo
Gera Deísmo
Gera Regimes Políticos Autoritários
Gera Regimes Políticos Assistencialistas
Gera Ismos Desagregadores
Gera Ismos Integralizadores
Gera Filósofos Materialistas
Gera Filósofos Espiritualistas
Influencia os Materialistas
Influencia os Espiritualistas


Os dois ramos filosóficos em conflito influenciam as massas, o organismo social. No mundo contemporâneo, o materialismo e o espiritualismo; os anti-religiosos e os religiosos; os idealismos materiais e os idealismos espirituais, estão digladiando-se e elevando a cada instante, globalmente, a aceleração da desagregação social vigente há anos. Em uma velocidade impressionante, conforme os anos mudam, a civilização contemporânea derruba todos os alicerces de otimismo construtivo de aprimoramentos como organizadora e controladora dos instintos humanos. A Política, a Economia, os Governos Estatais, o sistema organizacional civilizatório em seu todo sofre de uma temível desagregação estrutural. A violência, as guerras, a corrupção, o terrorismo internacional e o domínio das potências econômicas mundiais a explorarem o aumento do empobrecimento maior dos países mais pobres, alavancam o derrubar das colunas sustentadoras desta civilização. O mundo perde o seu sentido de ser com um instinto coletivo de puro egotismo a ser dominante na sociedade mundial, que deveria unir-se para a resolução do fim de alguns ou de todos os males que constroem uma desigualdade cada vez maior. Egoísmo é o que move o maquinário personalístico da psique social; altruísmo, felizmente, ainda está presente em poucos que não se deixam enredar pelo psiquismo egoístico coletivo.


O desapontamento, no entanto, é geral, atingindo os instintivos egoístas e altruístas já que “existe ainda um fator adicional de desapontamento. Durante as últimas gerações, a Humanidade efetuou um progresso extraordinário nas ciências naturais e em sua aplicação técnica, estabelecendo seu controle sobre a natureza de uma maneira jamais imaginada. As etapas isoladas desse progresso são do conhecimento comum, sendo desnecessárias enumerá-las. Os homens se orgulham de suas realizações e tem todo o direito de se orgulharem. Contudo, parecem ter observado que o poder recentemente adquirido sobre o espaço e o tempo, a subjugação das forças da natureza, consecução de um anseio que remonta a milhares de anos, não aumentou a quantidade de satisfação prazerosa que poderiam esperar da vida e não os tornou mais felizes”. O Homem é um ser infeliz caminhante por sobre a Terra que externamente busca a felicidade que internamente pode encontrar. O pensamento da civilização atual é voltado apenas para o eu, o seu ego social, ao invés de uma múltipla compreensão globalizada do caos reinante no mundo. Por mais avançadas que se tornem as ciências e as tecnologias, nenhuma destas possuirá jamais o caminho do salvamento de uma civilização decadente que coletivamente pensa estar em seu auge. O inconsciente coletivo molda mentiras para si mesmo, midiaticamente consagradas, sacralizadas e aceitas conscientemente pela coletividade. O Superego Coletivo é tão cegamente improdutivo e infértil quanto o egotista que individualmente existe apenas para si mesmo.


A Filosofia e a Psicanálise são irmãs, apesar de filósofos e psicanalistas ortodoxos pensarem o contrário. Com citações de obras de Freud desenvolvi esta pesquisa em forma de ensaio sobre as similaridades entre duas das ciências mais racionais já desenvolvidas. Encerro, assim, os meus estudos filosóficos de hoje.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!

BIBLIOGRAFIA

Freud, Sigmund. Esboço de Psicanálise.
___________. O Mal na Civilização.
___________. Psicologia de grupo e análise do ego.






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