Berserk - Volume 13



Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Gabriela Kato
Edição: Beth Kodama
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Agosto de 2016
244 pags.


Sinopse:

O Eclipse começou! Com isso, todo o passado perdeu seu sentido. O Behelit, de volta as mãos de Griffith, entrou em ressonância com o brado de sua alma e, derramando lágrimas de sangue, arrastou todos em volta para a outra dimensão. Quatro seres divinos, os “God Hand”, surgiram, e profetizaram que Griffith se tornaria um deles caso sacrificasse seus companheiros: o Bando do Falcão. Indagando se ele seria capaz de abandonar sua ambição, os quatro o incitaram a oferecer seus companheiros em sacrifício e realizar seu sonho. Então, Griffith tomou sua decisão e o festim dos demônios teve início!


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Griffith fez a escolha de se entregar aos Desígnios do Destino que guiaram-no em direção ao seu Ascender Existencial como o Quinto God Hand. É aterrador presenciar o que um sentimento de incessante desejo da realização de um sonho pode realizar, ainda mais se vidas estão envolvidas. Foi apenas pensando em si mesmo e almejando alcançar o brilhante castelo de seu grande sonho que Griffith fez, espontaneamente, sua escolha. Tempestade da Morte (Partes 1 e 2), O Deus do Abismo, Sangue Fresco, Movimento Fetal, Nascimento, A Última Visão do Olho Direito, Fuga, Acordando do Pesadelo, Correndo e Promessa de Vingança marcam o alvorecer do nascimento de Guts como o Espadachim Negro.

Um por um dos membros do Bando do Falcão é eliminado pelos Apóstolos. Como se fossem momentos realizadores do fim de um grande conto de grandes realizações, cada um encontra a morte cruelmente sem nunca terem imaginado que um dia seriam oferecidos como sacrifícios para a subida existencial daquele que viam com amor e admiração totais. Assim como não se pode deixar ser conquistado totalmente por um personagem da saga As Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin, não se deveria ter apego aos personagens de Berserk. Tal como Martin, Kentaro Miura não poupa seus personagens da desgraça, da maldição, da miséria, do sofrimento, da dor e da morte, por mais chocante e brutal que a mesma seja. Personagens muito carismáticos como Judeau e Pippin tem mortes honradas, dignas da vida que levaram como soldados a serviço do Grande Falcão que tanto veneravam e no qual confiaram desde sempre as próprias existências. Eu gostava muito dos dois, muito mesmo; eram personagens importantes na trama, grandes guerreiros e personalidades de destaque, cada um a seu modo. Mas, a narrativa necessitava de sacrifícios para o teor dramático extremo de toda a expansão da história como um todo. Sacrifícios dentro dos próprios sacrifícios que os do Bando representaram para a glória mais do que sombra de Griffith.

Guts resistiu ao máximo, corajosamente lutando, ferozmente suportando os ataques dos mais diversos tipos de monstros e habilidosamente sobrevivendo. A certo ponto, encontrando a muitos de seus companheiros destroçados, desmembrados e mastigados, literalmente, pelos Apóstolos, algo o faz explodir em fúria: a visão de Caska, há muito violentada por vários Apóstolos e prestes a ser perfurada mortalmente. Seu ódio cresce e em direção a Casa ele irrompe, mas tem o braço esquerdo seguro pelas mandíbulas de um Apóstolo. E o estupro letal de Caaka é interrompido pelo Nascimento do Quinto dos God Hand. Void, Slan, Ubik e Conrad saúdam ao seu Novo Irmão, Femt, As Asas das Trevas. O novo membro dos God Hand, com toda sua abismal presença e sinistra magnificência, voa em direção a Guts e Caska. E a esta, em uma fria demonstração de poder e autoridade adicionadas a um aterrador modo de tortura psicológica, começa a estuprar aquela que o ama mais do que tudo na própria existência.

São vinte e seis páginas de abuso sexual, no qual sentimos pelo olhar de Femt apenas a certeza de demonstrar que ele continua acima de Guts, que este jamais poderá estar no mesmo patamar que ele. Vinte e seis páginas de abuso sexual de uma personagem que antes já sofrera estupro… Você aí aguentaria mudar de página a cada quadro de tal sofrimento mostrado de modo contundentemente visceral? Você aí continuaria colecionando Berserk após este volume, o mais macabro e insano que já possa ter sido desenvolvido por um mangaká? Você aí teria estômago para se concentrar no que cada imagem ilustrativa de tal estupro passa como mensagem tanto para Guts quanto para nós mesmos? Você aí teria essa coragem de, não se desequilibrando, nem entrando em estado de choque e muito menos fazendo um estrondoso desnecessário mimimi, defender o ponto de vista do autor e ilustrador ao ter sido tão concusivamente explicito em tal ultraviolento ato de violação de uma mulher?

Eu tive. Eu suportei. Eu revirei as páginas. E compreendi que não era apenas Caska ali a ser brutalmente violentada, antes pelos Apóstolos, depois por Femt, mas cada um de nós. Quando lemos obras do Gênero Fantasia ou clássicas obras enfocando o Período Medieval, no qual Miura baseou o mundo de Berserk, sempre buscamos altos valores, cenas de grande altruísmo, excessiva bondade e a extensa capacidade infinda do Bem vencer o Mal. Ao enfocar com clareza e visceralidade o estupro de Caska, no conjunto todo da extensão do mesmo, Miura feriu de morte a tudo que se possa imaginar de uma obra envolvendo capas, espadas, cavaleiros, mercenários, reis, princesas, príncipes, vilões e monstros a serem destruídos. Estupradas são as nossas esperanças de um mundo onde tudo seja rosas e risos altíssimos dentro de uma intensa paz, harmonia e felicidade. Estupradas são a nossa inocência ao crermos que o mundo seja um lugar para bens apenas e a incoerência de almejarmos nos concentrar em sonhar com um mundo melhor em algum amanhã. Estuprada é toda nossa expectativa tanto em relação aos personagens do mangá quanto ao trágico destino de muitas mulheres e homens do qual sabemos através dos noticiários. Nada tem a ver com Misoginia ou uma provocação ao Feminismo as vinte e seis páginas da violação que explodem diante de nossos olhos de modo protuberante e retumbante. A execução da metalinguagem também é explícita e, mesmo com uma história contendo elementos tão fantásticos, ambientados em um mundo imaginário, as mensagens diretas ou indiretas podem ser captadas em uma leitura atenta de todo o conjunto de fatos deste volume muito além das vinte e seis páginas de um estupro.

E o Cavaleiro da Caveira, que enfrentava Zodd do lado de fora do Portal Dimensional aberto pelo Behelit, salva Guts e Caska. Um detalhe interessante é que nenhum dos God Hand previu a aparição daquele (como a própria Slan mencionou, acrescentando ainda que eles não são Deus) e Void se defende do golpe da espada do mesmo. Este fato abre mais uma indagação: se os God Hand são seres divinos, porque um deles se defenderia de um golpe de espada, mesmo esta sendo claramente mística? Bem, tal questão, junto com outras meditações sobre o Deus que aparece diante de Griffith em outro Plano Dimensional Interior, vai ser assunto de artigos futuros. O que importa aqui, no momento atual desta resenha, é finalizar a mesma informando que Guts e Caska, junto com Rickert, foram levados para as montanhas onde o primeiro permanecera por algum tempo treinando após abandonar o Bando. Em uma caverna atrás da casa do Ferreiro Godeau e de sua filha Erika, os dois foram confinados sob orientação dada a Rickert pelo Cavaleiro. Caska se encontra em um lamentável estado mental, não reconhecendo nem mesmo Guts, algo que a este revolta e o faz sair desesperadamente correndo da caverna…

E é através do Cavaleiro, enfrentando Espectros que o perseguirão por todo o restante da existência dele, por causa do Estigma do Sacrifício em seu pescoço, que Guts tem consciência de tudo que o aguarda. E jura apenas uma coisa contra todos que trouxeram-lhe as terríveis perdas anteriormente citadas:

VINGANÇA!!!

VINGANÇA!!!

VINGANÇA!!!

Amanhã, a conclusão da Semana Berserk aqui no blog. Até!

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!


















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