Berserk - Volume 12


Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Diógenes Diogo
Edição: Beth Kodama
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Junho de 2016
244 pags.


Sinopse:

Os dias de glória do Bando Do Falcão no reino de Midland chegam ao fim. Com a saída de Guts do grupo, Griffith deflora a Princesa Charlotte e o incidente chega aos ouvidos do Rei. Griffith é aprisionado, e o Bando do Falcão, atacado pelo exército real. Um ano depois, Guts retorna ao Bando e resgata Griffith. Porém, é tarde demais, e Griffith, com o corpo comprometido, já não pode mais fazer nada sozinho. O Bando do Falcão perde as esperanças. Nesse meio-tempo, Guts e Casa aprofundam seu relacionamento, mas…!


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

O Eclipse se aproxima e, com ele, o momento no qual o Verdadeiro Destino de Griffith, Guts, Caska, Judeau, Pippin e todo o restante do Bando do Falcão igualmente se torna concreto. Este volume é muito mais sinistro do que os anteriores, é o prelúdio de uma desgraça profeticamente escrita no Destino conforme este é delineado nas diversas falas sobre o mesmo, de maneira direta ou indireta. Mais do que nas resenhas anteriores, é nesta que não devo mesmo entregar um amontoado de spoilers e irei me concentrar em uma interpretação pessoal acerca deste roteiro encaminhante aos Abismos Infernais: Réquiem dos Ventos, Guerreiros do Crepúsculo, O Garoto do Beco, Eclipse, A Hora Prometida, Descensão, Pandemônio, O Castelo, A Despedida e O Banquete. Tudo em uma terra e momento prometidos pelos God Hand.

Kentaro Miura, aqui, mais do que nunca imprime uma melancolia e surdo desespero no contexto narrativo desde a primeira página. Uma melancolia se transformando em vazio. Um desespero sendo traduzido como sinal da chegada de uma desgraça ainda maior. Há o ar carregado, trazendo cada parcela da narrativa para dentro de uma combustão acelerada que se tratará de a todos neste volume se envolver de modo total. E tudo se inicia em Griffith, tudo sempre se referiu a Griffith desde o primeiro momento da primeira página do primeiro volume de Berserk. Muitas respostas são dadas neste décimo segundo volume. Outras indagações nascem ao custo de muito que ainda não foi na trama revelado. Respostas que equivalem a um tanto de significados nascidos a partir da necessidade existencial dos God Hand e seus Apóstolos. Indagações que se concentram nesta única dúvida maior entre todas as demais dúvidas maiores sobre os mistérios envolvendo toda a história deste mangá: por que Griffith é O Escolhido para tornar-se O Quinto dos God Hand?

Quebrado e inutilizado fisicamente, mas ainda tendo em si o frenético irresistível desejo pela ascensão existencial; uma ascensão que se transmitiu durante toda sua existência de modo plural, visceral e latente; um modo que o levou a se erguer da miséria da infância ao alto título de Cavaleiro no Reino de Midland; um título que se evaporou diante de um ato sem a menor sombra de lógico cuidado que sempre motivou-lhe nas buscas por um horizonte melhor em seu existir; um Reino que um dia venerou-lhe como a um Deus; um Deus aprisionado, torturado e mutilado durante um ano; a prisão física, que não aprisionou-lhe a mente e o espírito; a tortura física, que não destruiu-lhe os sonhos e os objetivos; a mutilação física que não corrompeu-lhe as esperanças e a confiança; mente, espírito, sonhos, objetivos, esperanças e confiança ainda a tudo dispostos a serem por ele alcançados; por ele, que almeja alcançar o castelo no topo da montanha; por ele, que almeja assentar-se no trono de ricos tributos de todos os tipos; por ele, quebrado, humilhado e rebaixado a um ser dependente de tudo e de todos…

“Eu ofereço…”

Basta apenas uma frase.

“Eu ofereço…”

Uma frase para o alcance do castelo.

“Eu ofereço…”

Uma frase para o tocar no sonho realizado.

“Eu ofereço…”

Uma frase para toda existencial fartura dentro da Eternidade.

“Eu ofereço…”

Uma frase para abrir um alto caminho infinitamente acima de todo alto caminho conhecido.

“Eu ofereço…”

Uma frase que os God Hand apontam como a chave do Ascender de todos aqueles destinados a se tornarem seja um deles ou Apóstolo.

“Eu ofereço…”

Uma frase conscientemente ligada ao desejo e à vontade interna do Escolhido, sem ser imposta ou ser uma obrigação.

“Eu ofereço…”

E Griffith oferece. Oferece porque jamais mediu o quanto poderia realizar para alcançar seu sonho ousando pisar em cadáveres através do caminho. Oferece porque jamais se importou em pisar nesses cadáveres para alcançar cada um de seus objetivos. Oferece porque jamais se desviou do ponto no qual seu sonho deveria ser posto acima de tudo, até mesmo de seus comandados. Oferece porque quer o castelo em suas mãos, com tudo que o mesmo pode lhe dar. Oferece porque O Destino lhe guiou até a Terra Prometida, o Momento Prometido, no qual oferecida lhe seria a oportunidade de, conforme os desígnios do Deus moldado pela vontade e pensamento humanos, Ascender, Transmutar-Se, Transcender-Se.

Griffith ofereceu seus Sacrifícios para sua Ascensão, Transmutação e Transcendência, de livre e espontânea vontade. O Falcão ofereceu seus aliados, aqueles que resgataram-no, aqueles que veneravam-no como a um Deus, à fome dos Apóstolos. O Banquete inicia-se. Morte. Desespero. Gritos. Terrores. Horrores. Incêndios. O Fim. O Verdadeiro Fim…

A seguir, o mais chocante volume de um mangá que possa existir.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!























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