Berserk - Volume 10



Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Gustavo Figueiredo
Edição: Beth Kodama e Diego M. Rodeguero
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Fevereiro de 2016
244 pags.


Sinopse:


Desnorteado após Guts abandonar o Bando do Falcão, Griffith tem relações com a Princesa Charlotte, mas é descoberto, preso e torturado. O Bando é cercado pelo exército de Midland e quase dizimado. Um ano depois, liderados por Caska, os remanescentes continuam em fuga. Guts ouve rumores sobre o Bando e retorna bem a tempo de enfrentar o exército que ameaçava seus antigos companheiros. E, então, a relação entre Guts e Caska se aprofunda…


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


O décimo volume de Berserk estabelece o início de um ritmo de tensão mais elevado do que nas edições anteriores e que alcançará extremíssimos ápices nas posteriores. Kentaro Miura inicia aqui uma descida muitíssimo mais profunda em direção ao podre teor de elementos repulsivos e grotescos desta nossa Humanidade. Juntamente com tais elementos, o Terror, o Horror e um clima cada vez mais Dark, no que de mais completo possui este termo, se apresenta explosivo ao nosso olhar como leitores. Dificílimo respirar lendo A Faísca Na Ponta Da Espada, Invadindo Windham (Partes 1 e 2), A Véspera (Partes 1 e 2), Ruína Milenar, Reencontro nas Profundezas das Trevas, Caminho Sangrento, Bakiraka (Partes 1 e 2) e A Flor do Castelo de Pedra. Tente respirar…


O centro narrativo deste volume se baseia no resgate de Griffith, há um ano sendo aprisionado e torturado pelo sádico carcereiro da masmorra. Com a ajuda da Princesa Charlotte, acompanhada pela serviçal Anna, que conduz Guts, Caska, Pippin e Judeau por um caminho seguro até a masmorra, chamada de Torre da Ressurreição. Assim como o pai dela, o Rei de Midland, no volume anterior, Charlotte é apresentada melhor em muitos mais detalhes de sua personalidade. Se nos volumes que antecederam a este ela foi mostrada como uma mistura de Princesinha Sofia com Sansa Stark, neste, apesar de ainda manter sua delicadeza e serenidade, típicas da princesa que ela é, sobressaiu-se neste como uma mulher determinada a livrar do suplício do ser amado. Ela não se torna uma versão pink da Caska ou uma Xena, “forjada no calor da batalha”, durante o resgate de seu amor, mas firmeza e poder de decisão, mesmo diminutos, percebemos em seu comportamento. É através dela que conhecemos a história do continente onde se passa a história de Berserk e, também, de Midland, fatos ocorridos mil anos antes da narrativa do mangá. O Rei Gaiseric, o Rei dos Demônios, o Imperador da Morte, é apresentado graficamente e tem a incrível semelhança com o misterioso Cavaleiro da Caveira. Este, aliás, chega a tempo de salvar apenas Rickert de um banquete de Apóstolos dos God Hand, os quais devoraram uma parcela do Bando do Falcão que fora dividida por Casa antes de partir para a missão de resgate de Griffith.


Interiormente, Caska se sente intimidada e incomodada pela presença de Charlotte, demonstrando ainda possuir sentimentos pelo seu antigo líder. Mesmo tendo iniciado um romance com Guts, ela disfarça o ciúme e uma sutil raiva por perceber o grande amor que a princesa sente pelo homem de seus sonhos. Afinal de contas, o Falcão escolheu Charlotte como um meio para o alcance de vôos ainda mais elevados no Reino e acabou por ser sumariamente abatido. Encontrado em uma das mais profundas celas da masmorra, o mesmo nem parece o brilhante e quase divino líder do Bando de mercenários que elevou a exército entre os exércitos de Midland. E Guts, ao ver o terrível estado dele, sente a tenebrosa culpa por tê-lo abandonado, conduzindo-o a um destino crudelíssimo, chorando e vindo a demonstrar um sentimento de afeto profundo pelo amigo do qual se afastara. Trancafiados na cela pelo monstruoso carcereiro, o grupo ouve dos dementes lábios deste um relato de como torturou Griffith durante um ano. Tendões dos pés e mãos cortados; corpo cirurgicamente esfolado; a língua arrancada e usada como “talismã” pelo sádico monstro que tudo contou-lhes divertidamente: motivos mais do que suficientemente aniquiladores para fazer Guts adentrar no Modo Berserk…


E Miura explode as páginas explorando o ódio de Guts, que abre caminho para seus companheiros de resgate deixando para trás corpos mutilados, partidos ao meio, esfacelados… Conseguem sair da Fortaleza e são, posteriormente, perseguidos por cinco dos Bakiraka, os quais são superficialmente explicados como sendo uma seita ou ordem de assassinos residente ao leste de Midland especialistas em caçadas. Com alguma dificuldade, mas sempre tendo a lendária habilidade estrategista que os tornou famosos na guerra contra os Tudor, os quatro da equipe de resgate de Griffith conseguem se livrar daqueles. No entanto, o Rei não se dá por satisfeito e nem aceita a fuga do homem que mais odeia na face do mundo dele. Falsamente, promete à filha que não mais perseguirá seu inimigo, mas, sozinho com um de seus comandantes e um soldado, pede a convocação do Exército dos Cães Negros. A “vergonha do exército de Midland”, nas palavras daquele mesmo comandante, se encarregará da caçada ao fugitivo e da extinção de todo o Bando, sob as ordens do Rei. E vemos ao fim deste volume a primeira aparição de Wyald, cuja aparência remete a determinados indivíduos famintos que já conhecemos muito bem neste mangá…


Amanhã, muita “Diversão e Emoção" na resenha do espetacular décimo primeiro volume de Berserk!


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




















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