É Sempre Um Grande Momento Quando Canalhas Se Dão Mal!



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

As prisões, nesta semana que passou, de Anthony Garotinho (PR) e Sérgio Cabral (PMDB) foram para muitos motivo de intensa comemoração bastante esfuziante. Mas, este aqui que vos escreve não vai elogiar a Polícia Federal (que deu mais um showzinho de pirotecnia) ou o Sérgio Moro (juiz defensor de interesses estranhos e duvidosos, na minha opinião e na de muitos). Como residente no Estado do Rio de Janeiro, tendo conhecimento de causa do que aqui ocorre, vou dar meu testemunho aqui sobre o que observo e penso sobre tais prisões. Mas, sem ofender determinadas sensibilidades, vou procurar ser na análise menos radical do que costumo ser quando o assunto são os politicos e suas medíocres malandragens.

Aqui está é um caos como nunca tinha sido, nem mesmo quando o ainda tão criticado Leonel Brizola (PDT) foi Governador do Estado. Nem no famigerado Governo de Moreira Franco (PMDB) o Rio de Janeiro enfrentou a crise na qual hoje se encontra. Seria muito fácil culpar, simplesmente, o eleitor por acreditar em populistas como Garotinho e Cabral, dois dos maiores responsáveis pela atual crise por aqui. O primeiro, quando Governador, foi acusado de diversos desvios de verbas públicas; a esposa dele, e sucessora no cargo, a Rosinha, também foi acusada. Cabral foi mais escandaloso, ostentando publicamente o que os recursos das contas públicas lhe davam, para um indevido uso pessoal; e exibindo como um pavão arrogante os benefícios advindos das propinas que agora vieram ao conhecimento público. Mas, o problema todo está no fato de que todo o suporte dado a eles pelo conjunto do maquinário político, no geral, se configura também como um fator relevante na busca por uma explicação acerca do que gerou o que se vê atualmente no Estado.

Um maquinário que vê no conluio escuso com esquemas financeiros uma maneira de se reconfigurar cada vez mais na esfera de comando governamental. A lama de todos os lados começa com a garantia de processos que culminam sempre na troca de favores em todos os tipos de mesquinhos interesses. Se Garotinho comandou um esquema para garantir votos para os candidatos que ele apoiava em Campos; Cabral exigiu 5% de empresas como propina para a liberação de obras; o que dizer se há alguma garantia de que canalhas como esses dois não existam com maior frequência em todo os tipos de cargos públicos cariocas?

A situação exige uma reflexão bastante séria. As prisões deles possuem um lado positivo, mas, também, servem para desviar o foco para outros assuntos. E, também, são apenas a mais baixa base da montanha de corruptos e corrupções que grassam no Rio, em todos os níveis, enquanto este texto aqui é digitado, concluído, postado neste blog e lido por vocês aí do outro lado. A comemoração deve ser acompanhada de uma racional reflexão, senão os problemas de corrupção continuarão a ocorrer com outros personagens e situações no futuro. Por mais que seja prazeroso e aliviante vê-los pagar pelos crimes que cometeram, a racionalidade deve imperar acima da euforia mais escandalosa. Tanto deve ser assim porque Garotinho, por exemplo, foi hoje transferido para um hospital particular daqui do Rio e, possivelmente, terá o benefício da prisão familiar por causa de toda aquela palhaçada divulgada ontem pela mídia em todos os meios de comunicação.

Mas, confesso que me deu muito prazer vê-los presos e desesperados, cada um a seu modo. Aposentados e pensionistas passando dificuldades mensalmente por causa do atraso dos pagamentos dos benefícios que lhes são direitos inalienáveis; professores humilhados com ridículos salários e falta de reconhecimento da parte dos governantes por seu trabalho; médicos e enfermeiros trabalhando em precaríssimas condições, também tendo seus salários atrasados; bombeiros, policiais, agentes administrativos… Enfim, todos que constroem ou construíram através do funcionalismo público as suas carreiras profissionais, sentem na pele o que aqueles canalhas plantaram no Estado durante o tempo no qual administraram o mesmo. Você que talvez esteja lendo este artigo aqui pode ser até de outro Estado e nem deve estar ligando para o que se passa aqui no Rio de Janeiro; e, hipoteticamente, deve ter repreendido as comemorações quando da prisão daqueles dois. Mas, se coloque na pele de cada um que citei e pense por alguns minutos em você enfrentando as mesmas absurdas condições… Então, o que você faria? Aceitaria tudo humildemente calado e escondido dentro de casa?

A Corrupção não vai acabar, claro, aqui no Rio, nem mesmo a crise que atinge as finanças vai de um dia para o outro ser extinta. No entanto, muitos como este que vos escreve sentiu um imenso prazer ao ver os dois sendo presos. O lugar de canalhas é na cadeia, sejam eles ricos ou pobres, brancos ou negros, intelectuais ou analfabetos, graduados ou de pouca instrução. A reação natural a um crime é o caminho da prisão, nada tendo a ver com o “heroísmo” fantasma, inexistente, de um juiz de Curitiba ou de um grupo de homens e mulheres com óculos escuros, roupa preta, coletes e fuzis. Seja qual for o destino dos canalhas Garotinho e Cabral, uma coisa é certeira: a carreira política deles foi extinta definitivamente.

E não adianta espernear ou fazer birra, nada vai mudar o fim da imagem desses canalhas.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




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