O Deva E O Buda - Das Escrituras Sagradas Budistas - Yogi Kharishnanda



O Buda estava um dia no jardim de Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um Deva em figura de brâmane e vestido de hábitos brancos como a neve, e entre ambos se estabeleceu o seguinte diálogo:

O Deva: — Qual é a espada mais cortante? Qual é o maior veneno? Qual é o fogo mais ardente? Qual é a noite mais escura?

O Buda: — A palavra raivosa é a espada mais cortante; a inveja é o mais mortal veneno; a luxúria é o fogo mais ardente; e a ignorância é a noite mais escura.

O Deva: — Quem obtém a maior recompensa? Quem sofre a maior perda? Qual é a armadura mais impenetrável? Qual é a melhor arma?

O Buda: — Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha. Quem recebe de outro sem devolver nada é o que mais perde. A paciência é a armadura mais impenetrável. A sabedoria é a maior arma.

O Deva: — Qual é o ladrão mais perigoso? Qual o tesouro mais precioso? Quem recusa o melhor que lhe é oferecido neste mundo?

O Buda: — Um mau pensamento é o ladrão mais perigoso. A virtude é o tesouro mais precioso. Recusa o melhor que se lhe oferece quem aspira a imortalidade.

O Deva: — O que atrai? O que repugna? Qual é a dor mais terrível? Qual é a maior felicidade?

O Buda: — O bem atrai. O mal repugnaa. A maior dor é a má conduta. A libertação é a maior felicidade.

O Deva: — O que ocasiona a ruína do mundo? O que destrói a amizade? Qual é a febre mais aguda? Qual é o melhor médico?

O Buda: — A ignorância arruina o mundo. A inveja e o egoísmo destroem a amizade. O ódio é a febre mais aguda. O Buda é o melhor médico.

O Deva: — Tenho uma dúvida e peço que me responda: O que é que o fogo não queima, nem a ferrugem consome, nem o vento abate e é capaz de reconstruir o mundo inteiro?

O Buda: — O benefício das boas ações.

Satisfeito o Deva com as respostas do Buda, com as mãos juntas se inclinou respeitosamente ante Ele e desapareceu.




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