Jesus Dos 13 Aos 30 Anos - Francisco Klörs Werneck



“(...) Diante de tudo o que foi dito e escrito por tantos autores, quer da Terra quer do Além, minha opinião pessoal é, e continuará a ser, a de que Jesus foi um ser carnal como nós, que se tornou um Grande Iniciado e que exerceu a mais bela missão terrena, opinião que deixo aqui estampada nestas poucas linhas a fim de que, após o meu desencarne, não me atribuam o que não disse e não escrevi. (...)”



5ª Edição Revista e Ampliada
Ilustração da Capa: Paulo de Abreu
Editora Eco
Rio de Janeiro
s/d
186 pags.



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


A grande lacuna na existência material de Jesus de Nazaré, que vai dos 13 aos 30 anos, intrigando estudiosos de todas as épocas posteriores à passagem dele na Terra, é a premissa essencial deste livro. Se nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João não há nenhuma menção ao que Jesus tenha realizado durante os 17 anos em que esteve no anonimato, em Jesus Dos 13 Aos 30 Anos também não estão respostas diretas baseadas em alguma verídica verdade. Ao invés de especular e partir para a fantasia de relatos fictícios, os quais sempre beiram o ridículo, Francisco Klörs Werneck se baseia em uma seleção básica de textos para analisar o tema ao qual se propôs em sua obra. Portanto, aos que buscam neste livro algo ao estilo Dan Brown, digo que desistam de iniciar até mesmo a leitura do resumo do mesmo nas abas internas da capa e da contracapa.


O livro foi escrito por um estudante do Espiritualismo e do Espiritismo, sendo uma síntese destas duas vertentes dos Estudos sobre a Ciência Espiritual. Sobre Jesus, propriamente, ele enuncia na Introdução alguns dos livros que leu para elaborar o que escreveu:



Os Evangelhos


A Vida de Jesus - Ernest Renan


História do Cristo - Giovani Papini


Jesus - Souza Carneiro


Cristianismo Místico - Yogi Ramacharaka


Os Quatro Evangelhos - Sra. Colignon (mensagens mediúnicas)


A Vida de Jesus Ditada Por Ele Mesmo - Sra. X (mensagens mediúnicas)


Novo Nuctemeron - ditado por Apolônio de Tiana


Elucidações Evangélicas - Antônio Luiz Sayão (compilador das mensagens mediúnicas)


Jesus Perante A Cristandade - ditado por Francisco Leite Bittencourt Sampaio


A Vida Desconhecida de Jesus - Nicolau Notovitch


Jesus E Sua Doutrina - A. Leterre


Da Esfinge Ao Cristo - Edouard Schuré


Os Grandes Iniciados - Edouard Schuré


A Bíblia Na Índia - Louis Jacolliot


O Cristo Nunca Existiu - Jorge Brandes



Com base nesse aparato erudito, se desenvolve o livro a seu modo. Tanto que a primeira parte é exatamente a Introdução do livro A Vida Desconhecida De Jesus, de Nicolau Notovich. Em uma viagem ao Tibete, Notovich teve em mãos dois manuscritos cuja natureza ele assim descreve:



“(...) Tais crônicas contém a descrição da vida e das obras do ‘melhor dos filhos dos homens’, Santo Issa, um sábio israelita que, tendo vivido muitos anos entre os sacerdotes brâmanes e budistas, voltou para o seu país, onde foi condenado à morte por ordem do governador Pôncio Pilatos, depois de ter sido duas vezes absolvido por um tribunal composto de sábios e anciões da Judéia. As narrações conservadas nesses antiqüíssimos documentos, redigidos segundo o testemunho de mercadores vindos da Judéia, com a notícia do martírio de Santo Issa, assemelham-se, em quase todos os pontos, às dos Evangelhos e mantém um nexo iniludível de analogia com o que se sabe da vida de Jesus. (...)”


in: pags. 22-23



A segunda parte é, então, a transcrição de A Vida De Santo Issa. Dividido em quatorze capítulos, relata os desconhecidos possíveis rumos de Jesus no período obscuro de sua vida. Destaco o trecho a seguir como curiosamente notável e que não tem nenhum paralelo com qualquer passagem dos Evangelhos referente ao papel da mulher na sociedade da época.



“(...) 16 - ‘Sêde dóceis para com a mulher; seu amor enobrece o homem, abranda-lhe o coração endurecido, doma a fera e faz dela um cordeiro’.


17 - ‘A esposa e a mãe, tesouros inapreciáveis que Deus vos deu, são os mais belos ornamentos do Universo e delas nascerá tudo que habitará o mundo’.


18 - ‘Assim como Deus outrora separou a luz das trevas e a terra das águas, a mulher possui o divino talento de separar no homem as boas intenções dos maus pensamentos’.


19 - ‘É por isto que vos digo: Depois de Deus, vossos melhores pensamentos devem pertencer às mães e às esposas, à mulher, enfim, que é para vós o templo divino em o qual obtereis mais facilmente a felicidade perfeita’.


20 - ‘Colocai neste templo vossa força moral; aí esquecereis vossas tristezas, vossos insucessos e reconhecereis as forças perdidas que vos serão necessárias no auxílio de vosso próximo’.


21 - ‘Não as humilheis, porque, assim procedendo, humilhareis a vós mesmos e perdereis o sentimento de amor, sem o qual nada aqui na terra existiria’.


22 - ‘Protegei vossa esposa para que ela vos proteja, vós e toda vossa família; tudo o que fizerdes por vossa mãe, vossa esposa, por uma viúva ou uma outra mulher na desgraça, o fareis por vosso Deus’. (...)”


in: pag. 55



Na terceira parte ele fala dos Evangelhos Sinópticos, os que são oficialmente aceitos pelas Igrejas Cristãs e Protestantes como detentoras da verdade da missão crística. Transcrevendo um trecho de Cristianismo Místico, do Yogi Ramacharaka, lemos à página 69:



“(..) Os ensinos ocultistas nos dizem que aqueles dezessete anos de vida de Jesus, a respeito dos quais os Evangelhos nada contam, foram aproveitados por ele para viagens a terras longínquas, onde adolescente e moço foi instruído na sabedoria e ciência das diferentes escolas. Segundo essas tradições, ele foi à Índia, ao Egito, à Pérsia e a outras regiões distantes, vivendo alguns anos em cada centro importante e sendo iniciado nas diversas irmandades, ordens e corporações que ali tinham suas sedes. Algumas tradições das ordens egípcias falam de um jovem Mestre que esteve entre os irmãos daquela terra e do mesmo modo há tradições análogas na Pérsia e na Índia. (...)”



Em Jesus e os manuscritos do Mar Morto, a quarta parte, há referência a uma crença que defende ter sido ele um dos Essênios. Werneck transcreveu o artigo, completo, Um Precursor de Jesus, de Bernard Genty em tal parte. Às páginas 137 e 138 lê-se:



“(...) A semelhança entre as doutrinas da ‘Nova Aliança’, isto é, entre os Essênios, e a futura doutrina cristã, é surpreendente. Renan disse: ‘O Essenismo é a antecipação do Cristianismo’. Eis aqui uma opinião antiga que novas descobertas vem apoiar: ‘Tudo na Nova Aliança judia, diz o professor Dupont-Sommer, anuncia e prepara a Nova Aliança Cristã. O Mestre galileu, tal como nô-lo apresentam os escritos do Novo Testamento, surge, depois de muitas considerações, como uma assombrosa reencarnação do Mestre da Justiça essênio. Como este, ele praticou a penitência, a pobreza, a humildade, o amor ao próximo, a castidade. Como ele, prescreveu a observância da Lei de Moisés, toda a lei, acabada, perfeita, graças às suas próprias revelações. Como ele, foi o Eleito, o Ungido, o Messias de Deus, o Messias redentor do Mundo. Como ele, foi objeto das hostilidades dos sacerdotes do partido dos Saduceus. Como ele, foi condenado ao suplício. Como ele, subiu aos Céus para perto de Deus. Como ele, profetizou sobre Jerusalém que, por causa de tê-lo condenado à morte, foi tomada e destruída pelos Romanos. Como ele, no fim dos tempos, será juiz soberano. Como ele, fundou uma igreja, cujos fiéis aguardam, com fervor, a sua volta gloriosa. Na Igreja Cristã como na Igreja Essênia, o rito essencial é a Ceia, onde os sacerdotes são ministros. De um e de outro lado, à frente de cada comunidade há um inspetor: o Bispo. E o ideal de uma e outra igreja é essencialmente a unidade e a comunhão na caridade, chegando-se até a comunhão de bens’. (...)”



E a quinta parte, Ainda Aprofundando O Mistério, reúne diversas outras citações acerca do tema esboçado pelo livro ampla e fundamentalmente. Há indicações de vários livros sobre o assunto, também, uma oportunidade para os interessados se aprofundarem no estudo proposto pelo mesmo.


Um pouco diferente foi esta resenha exatamente porque apresentei alguns dos pontos-chave discutidos na obra a fim de separá-la do grande besteirol de livros especulativos inúteis sobre Jesus em seus anos obscuros que se encontram pelo mundo. Nada tendo de fundamentalismo religioso ou defesa de um evangelismo ortodoxo sob o ponto de vista espiritualista, a leitura flui na simplicidade mesmo da escrita suave do autor. Certamente, algumas passagens escandalizam certas sensibilidades que advogam crenças baseadas em fé cega desacompanhada de raciocínio lógico, razão e inteligência. A tais tipos de pessoas, dito livro parecerá tão medonho quanto aceitar que tudo nos Evangelhos pode ter sido alterado, cortado ou inventado, não condizendo com a verdade histórica. Mas, para quem busca um interessante livro com um assunto atualíssimo, este é o ideal.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!





0 Loucas Pedras Lançadas: