Berserk - Volume 6



Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Gustavo Figueiredo
Edição: Diego M. Rodeguero
Data de lançamento: Junho de 2015
228 pags.



Sinopse:


A guerra já dura cem anos. O mais forte grupo de mercenários, o Bando do Falcão, é oficializado como exército do Reino de Midland, e seu líder, Griffith, ordenado cavaleiro. Guts, um espadachim até então solitário, ganha a simpatia e o respeito do bando, principalmente após resgatar Griffith de um terrível combate contra o imortal Zodd, o Nosferatu. Depois de tantos anos de solidão e sofrimento, o guerreiro finalmente conhece o calor da amizade.



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Após um período bem longo de pausa, retorno às resenhas de Berserk! Quebrei, no entanto, a promessa de, semanalmente, escrever a resenha de um volume por vez; mas, se formos pesquisar sobre o andamento das publicações do mangá desde sua primeira edição no Japão, até que o meu atraso é bem mais aceitável para os poucos leitores fixos deste blog. Assim como George R. R. Martin com o clássico “lança ou não lança” da novela chamada The Winds of Winter (Os Ventos do Inverno), sexto livro de As Crônicas de Gelo e Fogo, Kentaro Miura processa seu trabalho com o perfeccionismo de uma calma a fim de entregar uma obra-prima a cada volume. Eu nem sei se estarei vivo para ler o final tanto de Berserk quanto das Crônicas, nem você aí do outro lado sabe; porém, todo o atraso das duas grandes obras, que AMO por igual, apenas aumenta o interesse dos Fãs de verdade das mesmas.


Neste sexto volume de Berserk, temos a segunda parte de O Dono da Espada; O Matador, em quatro partes; Algo Mais Precioso; Ao Ataque; O Confronto; e as duas primeiras partes de Caska. Aqui, novos personagens importantes são delineados, como o Rei de Midland, a Princesa Charlotte, o Ministro Foth, o Comandante Adon Cobolwitz (um alivio cômico que Miura sabe fazer não se tornar incômodo) e o Conde Julius; este último terá pouco tempo para ser apresentado aos leitores, já que terá um fim bastante rápido com uma consequência nada agradável para um dos personagens principais da saga. Mas, como não darei spoilers do que ocorre com Julius, partirei para a análise do enfoque principal deste volume: a Política em suas artimanhas, armadilhas e benefícios.


Os Reinos de Midland e Tudor encontram-se há cem anos em uma indefinida guerra. Ambos os lados não chegavam a um ponto onde fosse possível a paz, mas a ascensão de Griffith comandando sucessivas estupendas vitórias nos campos de batalha tornou possível o pêndulo da vitória definitiva bater a favor de Midland. O Bando do Falcão oficializado como Exército Oficial de Midland e, não mais, um simples grupo de mercenários, atraiu a simpatia e a admiração de muitos e o ódio e inveja de outros. Dentre estes, Julius, irmão do Rei, sucessor natural ao trono, que viu em Griffith um rival, um inimigo e um homem indigno de receber as diversas glórias que recebeu por ser apenas um plebeu comandando um aglomerado de plebeus. Contornando com malícia e sutileza diplomáticas cada situação que se configura contrária ao seu ascender cada vez maior, Griffith consegue se livrar de Julius de um modo que somente lendo você terá a noção do impacto para um personagem importantíssimo da saga (repetindo o dito acima).


E, como todo político, Griffith seduz e encanta como uma serpente tendo ações e reações para cada um que cruza seu caminho. Tendo como ponto central de seu poder sedutor a sua oratória cheia de filosofia existencialista aos borbotões, em alguns casos, e de uma ferina leve agressividade, em outros, ele se converte em um animal político de alta categoria. Se converte? Não, ele apenas deixa ainda mais aflorada a sua capacidade manipuladora, mesquinha e fria, não escolhendo meios para enredar em sua teia de tramas e subtramas aqueles que faz dançar conforme suas palavras. Com um sorriso, encanta; com um olhar, intimida; e, com uma palavra, conquista ou repugna. Este é o Griffith que se mostra visível a todos que conseguem interpretar muito bem as nuances de uma personalidade totalmente controladora e manipuladora.


E o bonequinho oficial dele, Guts, cumpre como um fiel cachorrinho as ordens do mesmo. Dá até piedade dele ao ouvir o discurso de Griffith para Charlotte ao falar do que considera como sendo um “verdadeiro amigo” logo após um fato que o marcaria para sempre. Um fato que, por amizade, ele aceitou moldar, tendo adquirido uma desagradável experiência do mesmo. A distância entre ele e Griffith se tornou muito mais clara, determinando um abismo entre os dois. Mesmo sendo companheiros nos campos de batalha, foi a partir do momento em que percebeu ser apenas um objeto utilizado como meio de alcance do sonho de Griffith que Guts passou a perceber-se como muito mais pequeno do que antes diante dele. E o Miura expressa isso no doloroso e vazio olhar do personagem.


Após esses fatos, temos ainda o encontro de Caska com o hilário Adon e a detonação deste através da espada de Guts. A atenção do roteiro, então, se volta para Caska, cuja personalidade e história passamos a melhor conhecer. É um ponto de partida para nos familiarizarmos melhor com a guerreira e mulher que ela é. Não sendo um enfeite frágil como Charlotte e nem uma vítima do mundo dominado pelos homens ou uma mulher submissa ao patriarcado, ela nos oferece uma visão de alguém que se transfere para o campo dos que constroem sua própria história com afinco semigual. No entanto, não deixa de ser sensível mesmo abaixo das vestimentas de batalha e do endurecimento do corpo, da mente e da alma na guerra. Uma interessantíssima personagem, muito bem desenvolvida a partir deste volume.


Enfim, findo aqui esta resenha. Não mais prometo quando será a próxima para não ter que continuar quebrando frágeis promessas… Sendo assim, nos vemos na próxima resenha de Berserk quando a mesma aqui for publicada!


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!














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