O Pensante E O Não-Pensante Na Visão Do Inominável Sentido


The Philosopher - crilleb50



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


O Homem Pensante é o Homem Filosófico, aquele que não se preocupa com os efeitos de uma pedra ao atingir um crânio e, sim, com o porquê da pedra ter sido lançada contra um crânio. É da rotina comum humana, dos seres menores que pensam pelos pensamentos de outros que nada em verdade entendem, discorrer sobre as consequências de um fenômeno e desprezar as causas realizadoras daquelas no mesmo. O Homem Não-Pensante é o Homem Não-Filosófico, aquele que não procura compreender o nascimento das raízes primeiras de todos os problemas e afirma estar correto em todos os seus julgamentos sem ao menos estudar os parâmetros dos objetos postos ao seu raciocínio. Todos na Humanidade possuem em si a Filosofia, consciente e inconscientemente; do analfabeto ao mais letrado, há nos seres humanos uma chama filosófica que automanifesta-se em raros momentos reais de lucidez existencial. Há dois Homens e apenas um Homem, o Homem Pensante que é Filósofo antes de ser Homem e o Homem Não-Pensante que é Homem antes de ser Filósofo. Os dois Homens em um Homem devem conviver harmoniosamente no Filósofo.


Um estudioso da vida humana não pode dela falar como se estivesse acima, como se fosse um Ente Absoluto distante. E o mesmo estudioso, também, não pode falar da Filosofia sem contemplar em si os vícios e as virtudes do Gênero Humano, bem próximos, cronicamente presentes em seu espírito. O Homem Filosófico deve saber-se consciente do Homem Não-Filosófico que determinadamente adormece eterno em suas mais belas dissertações, defesas de teses e horas de estudos. O Homem Filosófico/Não-Filosófico é o Deus Fantasmagórico das religiões encontrando o Diabo Real que o tenta na busca das verdades maiores transcendentais. O Homem Filosófico/Não-Filosófico é a divina humildade da oratória de Jesus Cristo encontrando a vontade de poder de Friedrich Wilhelm Nietzsche na busca do caminho realizador do Homem Perfeito. O Homem Filosófico/Não-Filosófico é a Filosofia Humana Mais Humana encontrando a Não-Filosofia Humana que é animalescamente irracional na busca de um equilíbrio entre a Razão Filosófica e a Razão Não-Filosófica. As duas Razões Do Homem são monumentos de uma civilização avançada que o filósofo deve explorar criticamente.

“(...) Nosso conhecimento surge de duas fontes principais da mente, cuja primeira é a de receber as representações (a receptividade das impressões) e a segunda a faculdade de conhecer um objeto por estas representações (espontaneidade dos conceitos); pela primeira um objeto nos é dado, pela segunda é pensada em relação com essa representação (como simples determinação da mente). Intuição e conceitos constituem, pois, os elementos de todo o nosso conhecimento, de tal modo que nem conceitos sem uma intuição de certa maneira correspondentes a eles nem intuição sem conceitos podem fornecer um conhecimento. (...)”

Tomando agora uma liberdade interpretativa do trecho acima da Crítica Da Razão Pura, de Immanuel Kant, considero categoricamente a intuição como o primeiro princípio lógico do Homem Não-Filosófico e os conceitos como todos os princípios lógicos do Homem Filosófico. Como o Homem não pode viver separado em sua existencialidade dessas duas realidades consideráveis, intuição e conceitos são as bases do início racional de uma profunda ligação entre as duas Razões objetiva e subjetivamente antagônicas.


Quando Kant explora as possibilidades da Razão Pura, conclui que esta necessita da Razão Prática para moralmente fundamentar o seu objetivo nas ações das quais participa. A liberdade da Razão Prática, considerando as coisas em si mesmas racionalmente, sobrepõe-se ao transcendentalismo metafísico da Razão Pura, que apenas divaga especulativamente sobre a exterioridade dos fenômenos. Kant interagiu com as duas Razões, indicando mais além do que a Razão Pura necessita do complemento da Razão Prática para inteligivelmente desenvolver-se em um plano de estudos metafísicos. A priori e empiricamente, domando a vontade pura na vontade prática, imperativamente categórico na análise intuitiva e conceitual, livre de uma moral básica, vou ainda mais além do que Kant e afirmo que a praticidade apriorística denomina a praticidade empírica. Digo que amoralmente o Homem é mais livre, é Razão Pura/Prática no Homem Filosófico/Não-Filosófico, até acima do imperativo categórico, da vontade das categorias. No papel destituído de quantidade, qualidade, relação e modalidade, apenas verdadeiramente unido em si mesmo na sua riqueza dualística, o Homem pode conceber verdadeiros estudos sobre seu existir e sobre o Deus que tanto quer ter a certeza (ou não, em alguns casos) de que existe. Kant não induziu-se a crer em uma tão elevada capacidade ultra-humana, a qual denomino O Inominável Sentido.


Os Filósofos/Não-Filósofos devem descobrir novas sendas filosóficas em sendas antigas que já estão empoeiradas. Os Filósofos/Não-Filósofos não devem concordar ou discordar mecanicamente do que Kant, Nietzsche, Rousseau, Hegel, Spinoza, Sartre, Voltaire, Montesquieu, Platão, Aristóteles, Sócrates e todos os grandes contribuintes do elevado alcance do Pensamento Humano eternizaram. Em um mundo ainda desconhecido em suas verdadeiras potencialidades, concordar, discordar e interpretar cegamente os registros eternos do saber humano é ser um indivíduo estéril em toda sua objetividade e subjetividade. Interpretar sem discordar ou concordar, analisando os aspectos imanentes nos sentidos obscuros das frases, com total atenção aos construtivismos subjetivos nas arquiteturas objetivas é filosofar não-filosofando através de um estado hipnótico inspirativo no qual tudo em redor desaparece. No silêncio dessas horas de despreocupada intuição conceitual (união do Homem Filosófico/Não-Filosófico com o Inominável Sentido), a Verdadeira Filosofia incorporasse ao abnegado estudioso. E então, das palavras eternas vivas do Pensamento Humano, novos caminhos superiores aos antigos nascem como o passar dos milionésimos de segundos nas horas.


O Inominável Sentido pode ser alcançado pelo santo e pelo assassino presentes no espírito humano; pelo sublime e decadente marcados nas faces humanas; pelo horrendo e maravilhoso vasculhado nos olhos humanos; pelo lascivo e purificador exprimidos pelas mãos humanas; pelo desencontro e encontro assumidos pelos pés humanos; pelo pecaminoso e sábio estáticos nos lábios humanos; pelo humano e desumano infinitos nos seres humanos. Todos filosofam não-filosófico; poucos possuem a direção puramente prática de registrarem através da pena os seus êxtases filosóficos não-filosóficos; e a maioria utiliza-se dos sentidos inferiores para locomover-se sendo sujeitos e objetos do afastamento do conhecimento filosófico não-filosófico. Ah, Humanidade, quantos Aristóteles perdidos! Ah, Humanidade, quantos Kants perdidos! Ah, Humanidade, quantos, quantos, quantos, quantos homens e mulheres que poderiam ser menos imperfeitos envenenando-se na bruta imperfeição que não abandonam!


Para a maioria bastam as palavras dos ídolos Pop vazios, padres vazios, pastores vazios, politicos vazios, professores vazios e o vazio em si mesmos. A maioria da Humanidade é Não-Filosófica, é intuição falida, apodrecida, agonizante nos túmulos da vadia imbecil prostituta que se conhece com o nome de civilização contemporânea. Civilização Não-Filosófica, imerecedora do Pensamento Humano em todas as suas virtudes, campo no qual cresce poderosamente a Desgraça Contemporânea. Desgraça Não-Filosófica, a Cultura de hoje é uma pseudocultura, Dante Alighieri está existindo em um nada do limbo humano e Brad Pitt é um todo dos todos do paraíso pseudocultural humano. Mas, graças ao Inominável Sentido dos Filósofos/Não-Filósofos, sabendo ver a Desgraça Contemporânea como uma obra-prima da decadência mundial, vivenciado na prática por todos os seus raros adeptos, o Homem Perfeito ainda tem esperanças de realizar-se definido em um perfeito nascimento. Os tentáculos da Desgraça Contemporânea não tocam nos Verdadeiros Filósofos e o Princípio Infinito Animador do Verdadeiro Pensar, o Inominável Sentido, nele são escudos contra aqueles.


Ah, Humanidade Desgraçada Contemporânea, muito tu perdes abandonando os nascimentos das auroras que te redimiriam do auto-holocausto diário! Ah, Homem Filosófico/Não-Filosófico, um pouco da visão dos seus olhos abertos dai ao Homem Desgraçado Contemporâneo! Todo Homem tem que ser um Filósofo Não-Filosófico como Homem e não um decadente desgraçado que assassina a Filosofia nativa de sua alma naquelas chamas ocultas raramente percebidas. Ah, Homem Filosófico/Não-Filosófico, impossível mudar o pensamento mundial com chamas quase apagadas! A Desgraça Contemporânea já é uma Humana Filosofia De Decadência, a pedra filosofal desconhecedora da Verdadeira Filosofia. As esperanças são fantasiosas utopias, o Homem Perfeito morre na desgraça do Homem Imperfeito. Os Verdadeiros Filósofos/Não-Filosófos devem continuar, contudo, na busca daquele, o qual eles quase alcançam.


O Pensar não é uma desgraça.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




Immanuel Kant






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