História Da Magia - Com Uma Exposição Clara E Precisa De Seus Processos, De Seus Ritos E De Seus Mistérios - Eliphas Levi




“(...) Sim, a alta ciência, a ciência absoluta é a Magia, e esta asserção deve parecer muito paradoxal aos que não duvidaram ainda da infalibilidade de Voltaire, este maravilhoso ignorante, que julgava saber tantas coisas, porque achava sempre meio de rir em vez de aprender.


A Magia era a ciência de Abraão e de Orfeu, de Confúcio e de Zoroastro. São os dogmas da Magia que foram esculpidos sobre as mesas de pedra por Enoque e por Trismegisto. Moisés os apurou e os velou de novo (revoila) revelou, é o sentido da palavra revelar. Ele lhes deu um novo véu quando fez da santa Cabala a herança exclusiva do povo de Israel e o segredo inviolável de seus sacerdotes; os mistérios de Elêusis e de Tebas conservaram-lhe entre as nações alguns símbolos já alterados, e cuja chave misteriosa se perdia entre os instrumentos de uma superstição sempre crescente. Jerusalém, assassina de seus profetas e prostituída tantas vezes aos falsos deuses dos sírios e dos babilônios, perdera enfim por sua vez a palavra santa, quando um salvador, anunciado aos magos pela estrela sagrada da iniciação, veio rasgar o véu gasto do velho templo para dar à Igreja um novo tecido de lendas e de símbolos que esconde sempre aos profanos e conserva aos eleitos sempre a mesma verdade.(...)”


in: pags. 20-21


Ano de lançamento do original: 1879
Tradução: Rosabis Camaysar
Editora Pensamento
São Paulo
2ª Edição
1974
414 pags.



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Assim como Dogma E Ritual Da Alta Magia, esta é uma obra capital para todo espiritualista sincero devotado à Alta Ciência Mágica, a qual difere bastante do charlatanismo que grossa em determinados templos e ordens tidas como “esotéricas”. Folhear História Da Magia - Com Uma Exposição Clara E Precisa De Seus Processos, De Seus Ritos E De Seus Mistérios  é como realizar um Deslizamento Temporal em direção aos antigos, modernos e contemporâneos tempos onde a Arte Mágica foi exercida e compreendida como uma das maiores obras rumo à Verdadeira Sabedoria no século dezenove, época da publicação deste livro clássico em essência e natureza. Com uma erudição apropriadamente refinada, firme e brilhante, cativando o leitor com a apresentação de uma aura atemporal de Velados Mistérios a cada página, Eliphas Levi narra uma trajetória que ainda está sendo escrita, tornando, assim, o assunto atualíssimo para os interessados de todas as épocas posteriores à primeira edição de sua obra. Templos caíram, templos foram derrubados, antigas religiões desapareceram, crenças de outrora aparentemente morreram; no entanto, no véu e na bruma, conservadas foram as tradições mágicas em parte por determinadas ordens, mas não o seu todo. A Magia Primordial, a Magia Selvagem, está para sempre perdida, restando na atualidade apenas parcos restos de um Alto Conhecimento Eterno.


O tema central desta obra-prima é dividido em sete partes: As Origens Mágicas; Formação E Realização Do Dogma; Síntese E Realização Do Magismo Pela Revelação Cristã; A Magia E A Civilização; Os Adeptos E O Sacerdócio; A Magia E A Revolução; e A Magia No Século XIX. Contando ainda com dezesseis gravuras (que serão reproduzidas aqui após a finalização desta resenha), forma uma composição primorosa para estudos e meditações, consultas e observações, mas não ensina a ser mago ou magista. Neste ponto, observo que os livros de Levi são fundamentalmente homogêneos, já que o excessivo uso de linguagem simbólica e hermética visa a afastar os olhos profanos do conhecimento espiritual autêntico. O intuito dele com um relato histórico do movimento mágico até o século onde ele ora encontrava-se, especificamente, foi o de fundamentar verdades que apenas o olhar dos buscadores de todas as Fontes De Poder Mágico pode acessar, consumir e assimilar integralmente. Apesar de hoje em dia a Internet estar povoada de “magistas”, “magos”, “iniciados” nisto e naquilo, que crêem e reproduzem sem cuidado nenhum tudo que lêem acerca da Magia e do Ocultismo, nem todos possuem as chaves para que sejam abertas as Verdadeiras Portas Do Santuário. Levi, com provas impecavelmente cabais e uma infinda convicção irrefreável, detalha como um historiador dos mais iluminados, em resumidas narrações que nunca se tornam enfadonhas, a trajetória daqueles que conseguiram adentrar no Santuário.


De Adão aos falsos profetas do século dezenove; de Zoroastro a Cagliostro; do Egito de Hermes Trismegisto à França na época dos Templários; de Orfeu e Homero a Cazotte e Martin de Galardon; de Caim ao Conde de Saint-Germain; dos primórdios do Cristianismo como uma religião mágica em si mesma à literatura mágica de Afonso Esquiros; das lendas de Carlos Magno às origens maçônicas; da Numerologia Sagrada de Pitágoras à eclosão dos fenômenos espíritas; dos gimnosofistas aos alquimistas; do Sohar à Divina Comédia; do Evangelho de São João ao Romance da Rosa; de Enoque a Apolônio de Tiana; do Livro de Thoth às origens do Diabo;  e, entre todos esses pontos interligados magicamente no Continuum Espaço/Temporal, todo o objetivo e finalidade do livro (descrito por Levi ao fim do capítulo sete da sétima e última parte do mesmo) conforme as minhas palavras: categoricamente afirmar que, entre verdades e mentiras, sonhos e pesadelos, vidas e mortes, mananciais de águas vivas e desertos de oásis venenosos, a sobrevivência da Magia, através de diversificadas transmutações e versões, é parte inseparável da História Humana para cada povo ocidental e oriental que foi por aquela tocado de heterogêneos modos.


À Alma Do Mundo, podemos dizer, que se dedica o centro objetivista do livro. Sobre tal Princípio, ligando-o aos perigos da Magia Negra (esta que Levi condena profundamente por desviar da Luz toda a existência de um Ser) assim expressa-se o autor à página 227:


“(...) A alma do mundo é uma força que tende sempre ao equilíbrio; é preciso que a vontade triunfe dela ou ela triunfe da vontade. Toda vida incompleta a atormenta como uma monstruosidade e ela esforça-se sempre para reabsorver os abortos intelectuais; é por isso que os maníacos, os alucinados, sentem um atrativo irresistível para a destruição e a morte; o aniquilamento lhes parece um bem, e não somente eles quereriam morrer, mas seriam felizes de ver morrer os outros. Eles sentem que a vida lhes escapa, a consciência os queima e desespera; sua existência não é mais do que o sentimento da morte, é o suplício do inferno.(...)”


Levi dedica os dois últimos capítulos da quarta parte de sua obra para meditar acerca dos malefícios da Magia Negra e do que, espiritualmente, se encarregam de atrair para si seus adeptos. Afirmo que os dois capítulos servem como alerta e notavelmente traduzem o que ainda muitos pensam ser invencionices dos Adeptos da Mão Direita. Mal sabem eles, magistas negros que hoje aprendem a “evocar Demônios e traçar pentagramas” em sites de qualidade muitíssimo questionável, que


“(...) O ser é substância e vida. A vida se manifesta pelo movimento e o movimento se perpetua pelo equilíbrio; o equilíbrio é pois a lei da imortalidade. A consciência é o sentimento do equilíbrio e o equilíbrio é a justeza e a justiça. Todo excesso, quando não é mortal, corrige-se por um excesso contrário; é a lei eterna das reações, mas se o excesso se precipita fora de todo equilíbrio, ele perde-se nas trevas exteriores e torna-se a morte eterna.(...)”


na continuidade das meditações, importantíssimas, contra os abusos cometidos através do Magismo Negros. Contemporaneamente, os espiritualistas concordam unanimemente que não existe Magia boa ou , Branca ou Negra, mas apenas MAGIA. No entanto, recomendo aos que se interessarem nesta História Da Magia que leiam primeiramente os capítulos seis e sete (Processos Célebres e Superstições Relativas Ao Diabo, respectivamente) de Síntese E Realização Divina Do Magismo Pela Revelação Cristã. Estes dois capítulos contém a unidade básica de conceitos que esclarecem acerca do que causa a elevação ou a queda de um buscador no Caminho Da Montanha Iniciática Magística. Todo o livro se pauta, de modos diferentes no contexto narrativo, da mesma temática do que eleva e faz cair nesse Caminho. Quem se eleva, ascende por méritos próprios; quem cai, descende igualmente por méritos próprios; portanto, nem Deus nem o Diabo podem ser os únicos responsáveis pela Ascensão ou Queda de um Iniciado. Seja qual for a sua orientação espiritualista iniciática, a recomendação de trajeto de leitura deste livro não deve ser desprezada ou ignorada.


Essa História é Eterna e me calo agora no silencioso fervor do traçar de equilibrantes hexagramas da Magia de minha escrita… Aos que lerem, cautela e meditação, não aceitem tudo de prontidão, nem mesmo a recomendação acima feita por mim. Aos que já leram-no, como este Inominável Ser que vos fala, apenas digo que sabemos o que significa questionar e meditar sobre tudo que ele contém. No fim, toda a essencial força desta obra se equilibra no escopo fundamental destas palavras iniciais da Conclusão, à página 402:


“(...) Creio que não existe no ser um princípio inteligente universal e absoluto, é a mais temerária e a mais absurda de todas as crenças.


Crença, porque é a negação do indefinido e do indefinível.


Crença temerária, porque ela é isolante e desconsoladora; crença absurda, porque supõe o mais completo nada, em lugar da mais inteira perfeição.


Na natureza, tudo se conserva pelo equilíbrio e se renova pelo movimento.


O equilíbrio, é a ordem; e o movimento, é o progresso.


A ciência do equilíbrio e do movimento é a ciência absoluta da natureza.


O homem, por esta ciência, pode produzir e dirigir fenômenos naturais, elevando-se sempre para uma inteligência mais alta e mais perfeita que a sua.


O equilíbrio moral, é o concurso da ciência e da fé, distintas em suas forças e reunidas em sua ação para dar ao espírito e ao coração do homem uma regra que é a razão.


Porque a ciência que nega a fé é tão desrazoável como a fé que nega a ciência.


O objeto da fé não poderia ser nem definido nem sobretudo negado pela ciência, mas a ciência é chamada a averiguar a base racional das hipóteses da fé. (...)”


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!






Disputa Pública entre S. Pedro de uma parte e Simão, o Mago, da outra. Ascensão e queda de Simão, segundo uma gravura do século XV.



O grande Arcano Hermético (segundo Basílio Valentino).



Os sete planetas e seus gênios (Magia de Paracelso).



A-B — Dois selos ocultos: um da grande obra, o outro da magia negra (segundo o grimório de Honório); C-D — Garota egípcios primitivos: o dois e o ás de copas.



A cruz filosófica ou plano do terceiro templo profetizado por Ezequiel e que os Templários queriam edificar.



À Maria Hermética, tirada de um antigo manuscrito.



As sete maravilhas do mundo.



O selo de Cagliostro; o selo de Junon Samiana; o selo Apocalíptico e os doze selos de pedra cúbica em torno da chave do Tarot.



Quadro explicativo da tábua astronômica e alfabética, dita de Bembo.



Mistério do equilíbrio universal, segundo as mitologias indiana e japonesa; Inyx Pantomorfo; Chave 21 do Tarot egípcio primitivo.



A cabeça mágica do Sohar.



O grande símbolo cabalístico do Sohar.



Plano geral da doutrina dos cabalistas.



O pentagrama do Absoluto.



Símbolos tifonianos egípcios da Goecia e da Necromancia.



Pantaclos de letras cabalísticas. Chave do Tarot do Sepher Jesirah e do Sohar.






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