Das Putas Ao Púlpito - Larrous Leon




Ah,  o  amor!
Poético  como  uma foda,
Massacrante  como um pagamento.


(Trecho de Sem Parar)



Os  irmãos  se uniram  na  igreja,  culto de oração,  em  julho daquele ano. Os  diáconos  nunca viram  o lugar  tão lotado.  Todos  oravam  com fervor  pedindo pelo  finado  Hexa.  


(Prioridades)




Ano de lançamento: 2016
Prefácio: Adriana Ramiro
Aparte Sênior: Osmarosman Aedo
Diagramação: Luiz Carlos Cichetto
Editor’A Barata Artesanal
Formato: Digital
112 pag.




Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


No momento atual, quando o Sagrado e o Profano, a Alma e a Carne, se configuram como protagonistas de um embate que se expande da realidade social à virtual, Das Putas Ao Púlpito, do escritor curitibano Larrous Leon soa como um eficaz tradutor dessa disputa moldada em caóticas guerrilhas. A putaria pode ser sagrada, mas nem todo ato nos campos do púlpito é exatamente sagrado. E quando falo em “putaria” me refiro em larga escala aos desejos aceitos e inaceitáveis presentes na Humanidade. E quando falo em “púlpito” me desloco para a glossolalia de movimentos que levam ao verdadeiro êxtase ou à verdadeira loucura. Em um ponto, no entanto, as duas realidades se tocam e é nessa simbiose que o livro de Larrous Leon se encontra.


Passamos por imagens e momentos simples, que em Poetices & Putagens mescla simplicidade poética com singularidades narradoras de carnavais particulares. A simplicidade não toca no simplório, é um reduto de muito mais do que se pode compreender em sua essência. Há identificação com a carnavalização apresentada, tanto da linguagem quanto da narração poeticamente firme e prazerosa de se ler. Nunca cansa o leitor e é como se cada poema se situasse bem perto de nós, uma inconsciente (ou consciente?) metalinguagem que se desenvolve genuinamente com naturalidade. As putas e os putos que com elas se relacionam são os personagens de um jogo relativo à mera mensagem de que, na verdade, somos meros animais sexuais e nada mais além disso. Nesta afirmação que aqui faço, vai tudo da minha interpretação pessoal, talvez me distanciando um tanto do objetivo do autor. E essa animalidade, aos meus olhos, vai desta primeira parte do livro até o fim da segunda parte, uma sendo o espelho da outra de modos diferenciados.


Com a mesma força focada na metalinguística que identifiquei na primeira parte, Microcatequismo apresenta crônicas curtas enfocando as absurdices e realidades da religiosidade com suas máscaras sendo despedaçadas. Com ironia desintegradora do senso comum e um foco voltado para a queda de toda e qualquer hipocrisia, aqui também o cotidiano é exposto de modo cru, sem frescuras, sem maquiagens e sem recalques. O ridículo, o risível e o lamentável colidem em alguns momentos; em outros, as carnais exigências, o verdadeiro íntimo dos caminhantes religiosos e atrozes atos são reunidos. É uma catequese genuína para atores reais no palco revelador das ruas, dos templos e das casas onde a fé não move montanhas nem liberta ou salva. Hino de perdidos no Caos Terrestre, homilia de fracassados neste vale de esperma e gozo, mentiras úteis e mentiras fáceis, verdades abandonadas e verdades criadas.


No todo de seus momentos, sem espaço para uma linguagem rebuscada ou a extensão desnecessária de cada poema ou crônica, o livro cumpre seu papel arrasador das mesmices pensadas e defendidas sobre o sexual e o sacro. No sacro escrotal ou no ambiente espiritual, na amplitude de suas considerações, os seres humanos são todos nivelados, sem perdão, sem misericórdia e sem travas. A putaria se torna uma religião e o púlpito se transforma em bordel; as putas e os putos são os santos da civilização andando lado a lado com os devotos caprinos realizados como nada diferentes daqueles ou “fora do mundo”. Um amém, uma bênção final, um saravá fundamental podem ser dados ao final da leitura, esta que não se encerra quando fechamos o arquivo digital. Ela continua nas ruas, nas casas, nos templos, nas cidades, nos campos, no movimento dos homens e das mulheres que habitam a fossa terrestre. Putas sempre existirão. Púlpitos sempre existirão. Como, então, dar por encerrada a leitura desta obra senhora de uma contemporaneidade necessária para quem está no meio do desespero de nadar nas caóticas ondas do podre mar desta civilização?


Que Assim Seja.


Assim É.


Assim Será.


Em nome das Putas.


Em nome do Púlpito.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




Sobre O Autor


O escritor Larrous Leon começou sua carreira literária como contista. Fez sua estreia no livro Dias Contados Vol. II da Editora Andross com um conto sobre fim do mundo, algum tempo depois, publicou em um livro de contistas da Editora Literart chamado Conto e Pronto! – 2º Festival de contos do Rio de Janeiro.

Iniciou sua vida com a poesia por amor e publicou seu primeiro livro solo chamado Amores Travestidos & Outros Delírios agora em 2015. Agora ele engrossa essa fileira de escritos com este livro virtual intitulado Das Putas Ao Púlpito.

Contatos:

Facebook – Larrous Leon





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