Berserk - Volume 5




Tradução: Drik Sada
Letras: Luciane M. Yasawa
Preparação de Texto: Camila Cysneiros
Edição: Diego M. Rodeguero
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Abril de 2015
244 pags.


Sinopse:

Guts, que não conheceu o amor desde seu nascimento, foi recolhido e criado por Gambino, o cruel líder de um grupo de mercenários. Mas, a crueldade de Gambino levou Guts a matá-lo, e o grupo o perseguiu por isso. Anos mais tarde, o garoto, agora um forte guerreiro, encontrou-se com Griffith, líder do “Bando do Falcão”, uniu-se ao temido grupo e logo conquistou a confiança de seu novo chefe. A juventude do mais forte dos guerreiros, a Era de Ouro, continua!




Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Este quinto volume de Berserk apresenta a conclusão da Era de Ouro nos capítulos 7 e 8. Segue-se um período de três anos após o fim desse arco-chave do mangá e um rumo mais sinistro é dado por Kentaro Miura à obra. Após a história Vento Da Espada, o que está fora da Lógica Humana adentra no mundo de Guts, Griffith, Caska, Judeau, Pippin, Rickert e todo o Bando Do Falcão. Um pouco dos costumes, da Política e da guerra entre os Reinos de Midland e Tudor, é mostrado. Há até uma pausa no Terror apresentado da metade deste Volume até o final, que consiste no primeiro capítulo de O Dono Da Espada. E o Terror assume consistência profunda em um personagem que reinicia a mudança do enfoque narrativo de toda a trama: Zodd, O Nosferatu.


“Reinicia” porque nos três primeiros Volumes de Berserk dois Apóstolos dos God Hand, e estes mesmo, deram o tom dos aspectos tenebrosos da história. E a presença de Zodd aqui faz os leitores mais distraídos se lembrarem de que o mangá não apenas versa sobre uma retratação da Era Medieval com lutas a todo o momento ou referências ao comportamento e modo de vida das pessoas daquele período. Os seres fora da Humanidade nos impactam porque são uma clara indicação que o autor nos dá sobre a existência de terríveis verdades ocultas aos olhos mortais no mundo que criou. Pode-se até elevar essa visão para o nosso mundo, onde não sabemos exatamente a completa verdade sobre este planeta e sequer sabemos o que se esconde nas Trevas que se expandem entre nós no Invisível…


E se as Trevas se tornarem visíveis? E se os tormentos e pesadelos mais inimagináveis tomassem forma física? E se os monstros gerados pela Ficção garantissem ao status quo do mundo uma radicalíssima mudança? É o que Miura provoca no leitor desde o primeiro Volume e retoma neste, quando já se acostumou a ler capítulos seguidos onde a vida de mercenários, cavaleiros e nobres fazem tudo parecer um filme hollywoodiano com finalzinho feliz. Não, a existência de Horrores como Zodd e outros em Berserk é o mote principal que causa pavor naqueles que entram em contato com o mesmo. Pavor este visto no rosto de Guts diante do monstro; pavor visto nos rostos de outros membros do Bando; pavor que no rosto de Griffith não se encontra.


A frieza, racionalidade e genialidade do líder do Bando é bem melhor desenvolvida aqui do que no Volume anterior. Sendo uma presença magnética irresistível, firme e decidida a conquistar o mundo, sua posição é sempre a de controlador de toda e qualquer situação (ou quase, já que Caska e Guts se estranham bastante do início ao fim do Volume). Ardiloso, sutil e suave em suas escolhas equilibradas de palavras, comportamento e carisma, consegue galgar através das vitórias nos campos de batalha altas posições. Para o rancor e o preconceito dos nobres que o vêem apenas como um ser inferior, da ralé, sem o famoso “sangue azul nas veias”, ele cai nas graças do Rei de Midland. Ganhando o título de Cavaleiro e o de Visconde, no mesmo dia, torna seu bando de mercenários como uma tropa oficial do mesmo Reino. E a sua personalidade manipuladora, que sente uma extrema necessidade de manter Guts como seu subordinado mais próximo é fiel, se expande, pouco a pouco, para pessoas além do seu círculo de relações habituais.


Um homem assim, claro, não se abalaria diante de uma criatura saída de um verdadeiro pesadelo trazido à realidade física. Não vou contar muito para não entregar spoilers demais aqui, mas apenas comento que um certo objeto chamado Behelit evita que uma tragédia maior ocorra no encontro com Zodd… Este rouba a cena logo quando surge em uma página dupla à frente de uma montanha de cadáveres e tem um sombrio carisma que é impossível de negar-se. Excelente personagem, um antagonista de peso e um adendo precioso para Berserk no que este tem de essencialmente perturbador. Sua luta com Guts é bastante técnica e inicia uma rivalidade que nos Volumes posteriores vai ser explorada de diversos modos. Detalhe interessante: o pavor diante do Zodd em sua forma completa monstruosa não retirou dele a vontade guerreira.


Mesmo claramente sendo um joguete para Griffith alcançar cada vez mais o topo da escala social de Midland, Guts o segue por amizade. Da parte do Falcão, tenho minhas dúvidas quanto a afirmar se esse sentimento é recíproco, já que o personagem é tão ambíguo e dissimulado que consegue encantar e conquistar com sua maleabilidade de palavras. Guts é propriedade dele, como ele frisa a certa altura, e como senhor da posse de um importantíssimo objeto para sua conquista do mundo, manter íntegro o mesmo é seu dever. Isso explica certas atitudes que ele toma com relação a Guts em determinados momentos deste quinto Volume e que vocês terão que ler para perceber o tipo de jogo que o ambicioso Sir Griffith gosta de jogar.


Semana que vem, o sexto Volume aqui no blog será resenhado! Até lá!


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!



















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