Berserk - Volume 4




Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Diógenes Diogo, Ricardo Santana
Edição: Diego M. Rodeguerro
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Fevereiro de 2015
244 pags.


Sinopse:


Das entranhas do cadáver da mãe, Guts foi recolhido por Siss, mas ela logo sucumbiu à peste. O garoto foi, então, criado por Gambino, o cruel capitão de um bando de mercenários. Ainda jovem, Guts aprendeu a arte da espada, e se destacou desde sua primeira batalha como mercenário. Mas Gambino, indiferente ao desempenho do menino, o vendeu por uma noite para o seu camarada Donovan! Eis os primeiros anos da vida do Berserk, o mais forte entre os guerreiros!




Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Há perigo de spoilers após o primeiro parágrafo deste texto. Portanto, aos que ainda não leram nenhum volume deste mangá, sugiro interromper aqui a leitura.


Neste volume de Berserk, seguidos acontecimentos, muitos deles cruéis, demasiadamente importantes, se encarregarão da definição da personalidade de Guts. Ocorrendo de modo exponencialmente arrasadores, comprovam a capacidade de Kentaro Miura quanto ao trabalho de desenvolvimento e evolução de um personagem. Os capítulos dois a seis da Era De Ouro são de essencial natureza para a trajetória do mesmo, ainda mais se tratando de fatos enriquecedores da mitologia do mangá como um todo.


Guts, ainda criança, vendido por uma noite por Gambino, seu pai adotivo, para Donovan, que violenta o menino. Uma cena indigesta, forte e visceralmente impregnada de elementos que a tornam muito mais bizarra do que já é. Gambino não valorizava em nada o menino, que sempre se destacava nas batalhas e, conforme foi apresentado após aquele estupro, o culpava pela morte de sua amante, Siss. Guts se vingou de Donovan, matando-o, e passou a cuidar de Gambino após este ser gravemente ferido em uma batalha. O ódio de Gambino apenas aumentou após tal fato que o fez perder a perna direita, até que, uma noite, bêbado, tentou matar Guts. Este, no entanto, defendendo-se, acaba matando-o por acidente. O desespero e a dor, grandiosos, são captados no olhar dele enquanto foge dos demais mercenários, os quais acusavam-no pela morte do chefe.


Escapando e sobrevivendo à certeira morte, Guts torna-se um mercenário frio, calculista e impiedoso quando do salto temporal feito por Miura, fazendo com que aquele surja na história já na adolescência. Em uma batalha da tomada de um castelo, a serviço de um nobre, ele ganha o respeito e a admiração de todos após derrotar Bazooso, um gigantesco soldado quase invencível. Recusando integrar o exército do nobre, recebe o pagamento que lhe era devido, mas não tem paz para seguir o seu caminho. Tentam assaltá-lo no caminho, alguns membros desavisados de um certo Bando Do Falcão. Após se desvencilhar de alguns, ele enfrenta Caska, que, não fosse a intervenção de Griffith, seria morta.


E é assim, então, que a mais estranha das relações se inicia entre dois mercenários. Fica bem clara a diferença de visões e de ideais entre Guts e Griffith logo nos primeiros embates e contatos entre os dois. Griffith demonstra controle total das situações, calmo, aéreo e, aparentemente, menosprezador daquele. Guts, por seu lado, explosivo, raivoso e precipitado, agindo por impulso, acaba por ser enredado pela grande astúcia e inteligência do líder do Bando. Somente lendo atenciosamente e analisando os pequenos detalhes das primeiras páginas onde os dois se digladiam, física e verbalmente, é que poderá se ter uma exata noção das nuances da trama envolvendo os dois, guiada por Miura com um raro tato narrativo coeso. Nada é entregue de imediato, nem de modo desleixado e relaxado.


Semana que vem, o quinto volume de Berserk será resenhado aqui no blog. Até a próxima semana.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!


























0 Loucas Pedras Lançadas: