A Chave Dos Grandes Mistérios - Conforme Enoch, Abraão, Hermes Trismegisto E Salomão - Eliphas Levi




“(...) O grande arcano, isto é, o segredo incomunicável e inexplicável, é a ciência absoluta do bem e do mal.


‘Quando tiverdes comido do fruto desta árvore, sereis como deuses’, disse a serpente.


‘Se o comerdes, morrereis’, respondeu a sabedoria divina. Assim, o bem e o mal frutificam numa mesma árvore e saem de uma mesma raiz.


O bem personificado é Deus.


O mal personificado é o diabo.


Saber o segredo ou a ciência de Deus é ser Deus.


Saber o segredo ou a ciência do diabo é ser diabo.


Querer ser ao mesmo tempo Deus e diabo, é absorver em si a antinomia mais absoluta, as duas forças contrárias mais opostas; é querer reunir um antagonismo infinito.


É beber um veneno que apagaria os sóis e consumiria os mundos.


É tomar a veste devoradora de Djanira.


É destinar-se à mais rápida e terrível de todas as mortes.


Ai de quem quer saber muito! porque se a ciência excessiva e temerária não o matar, ela o tornará louco!


Comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, é associar o mal ao bem e assimilá-los um ao outro.


É cobrir com a máscara de Tifon o rosto irradiante de Osíris.


É levantar o véu sagrado de Ísis, é profanar o santuário.


O temerário que ousa olhar o sol sem sombra fica cego e então para ele o sol é preto! (...)”


in: pags. 258-260



Ano de publicação do original: 1859
Tradução: Rosabis Camaysar
Editora Pensamento
São Paulo
1974
426 pags.



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Assim como Dogma E Ritual Da Alta Magia e História Da Magia, este A Chave Dos Grandes Mistérios - Conforme Enoch, Abraão, Hermes Trismegisto E Salomão é outro Grande Clássico do Ocultismo. Aqui, a linguagem se torna mais simbólica e esotérica do que nos livros anteriores, até porque o assunto remete a estudos que se elevam bem acima da média humana capacidade de entendimento da Espiritualidade. Repleto de portas fechadas aos olhares dos que estão fora do Santuário, é uma obra, assim como as anteriormente citadas, para os que estão com os Olhos Abertos e para os que estão começando a abrir os olhos.



“(...) Os espíritos humanos têm a vertigem do mistério. O mistério é o abismo que atrai incessantemente nossa curiosidade inquieta por suas formidáveis profundezas.


O maior mistério do infinito é a existência d’Aquele só para quem tudo é sem mistério.


Compreendendo o infinito que é essencialmente incompreensível, Ele é por si mesmo o mistério infinito e eternamente insondável, isto é, que sob todas as aparências, é este absurdo por excelência, no qual cria Tertuliano. (...)”


in: pag. 7



A Primeira Parte da Chave se concentra nos Mistérios Religiosos, compreendendo quatro artigos essencialíssimos denominados Solução do primeiro problema (o verdadeiro Deus), contendo o Esboço da teologia profética dos números a elaborar um rico estudo numerológico; Solução do segundo problema (a verdadeira religião); Solução do terceiro problema (a razão dos mistérios); e Solução do último problema (separar a religião da superstição e do fanatismo). Termina com um resumo em forma de diálogo e um texto intitulado A fé, a ciência, a razão.



“(...) Deus existe, só há um Deus, e ele castiga os que fazem o mal, dissera Moisés.


Deus está em toda parte, está em nós, e o bem que fizermos aos homens, fazemo-lo a Deus, disse Jesus.


Temei, tal era a conclusão do dogma de Moisés.


Amai, é a conclusão do dogma de Jesus.


O ideal tipico da vida do Deus na humanidade é a encarnação.


A encarnação necessita de redenção e a opera em nome da reversibilidade da solidariedade, em outros termos, da comunhão universal, princípio dogmático do espírito de caridade. (...)”


in: pag. 75



A Segunda Parte, Os Mistérios Filosóficos, trata dos princípios norteadores da ciência, da fé, da razão, da verdade, do sentido e de diversos outros atrelados a estes.



“(...) Sem a fé, a ciência é circunscrita por uma dúvida absoluta e se acha eternamente presa pelo empirismo arriscado de um ceticismo raciocinador; sem a ciência, a fé estabelece ao acaso suas hipóteses e só pode prejulgar cegamente as causas dos efeitos que ignora. A grande cadeia que reúne a ciência à fé é a analogia.


A ciência é forçada a respeitar uma crença cujas hipóteses são análogas às verdades demonstradas. A fé que atribui tudo a Deus é forçada a admitir a ciência como uma revelação natural que, pela manifestação parcial das leis da razão eterna, dá uma escala de proporção a todas as aspirações e a todos os impulsos da alma no campo do desconhecido.


É, pois, só a fé que pode dar uma solução aos mistérios da ciência, e é, por outro lado, somente a ciência que demonstra a razão de ser dos mistérios da fé.


Fora da união e da concorrência destas duas forças vivas da inteligência, não há, para a ciência, senão o ceticismo e o desespero, para a fé, senão a temeridade e o fanatismo.


Se a fé insulta a ciência, ela é blasfema; se a ciência despreza a fé, abdica seu poder. (...)”


in: pag. 94



A Terceira Parte, Os Mistérios Da Natureza, divide-se em Os Mistérios Magnéticos e Os Mistérios Mágicos. Mesmerismo, Espiritismo e a Magia nos mais aparentemente simples, complexos e corriqueiros momentos existenciais são aqui tratados.



“(...) O vulgo sempre se enganou sobre a magia e confunde os adeptos com os encantadores. A verdadeira magia, isto é, a ciência tradicional dos magos, é inimiga mortal dos encantamentos; impede ou faz cessar os falsos milagres, hostis à luz e fascinadores de um pequeno número de testemunhos preparados ou crédulos. A desordem aparente nas leis da natureza é uma mentira; não é pois uma maravilha. A verdadeira maravilha, o verdadeiro prodígio que sempre brilha à vista de todos, é a harmonia sempre constante dos efeitos e das causas: são os esplendores da ordem eterna! (...)”


in: pag. 124



A Quarta Parte, Os Grandes Segredos Práticos Ou As Realizações Da Ciência, trata da Magia Prática e seus desenvolvimentos, envolvimentos e aplicações. Termina com dois belíssimos capítulos, O Grande Arcano Da Morte e O Grande Arcano Dos Arcanos, os quais considero a síntese da Trilogia Clássica Ocultista formada pela Chave e os livros citados no primeiro parágrafo.



“(...) CRIAR A DEUS, CRIAR A SI MESMO, FAZER-SE INDEPENDENTE, IMPASSÍVEL E IMORTAL: eis aí certamente um programa mais temerário que o sonho de Prometeu. A expressão é ousada até a impiedade, o pensamento ambicioso até a demência. Pois bem, este programa só é paradoxal na forma, que se presta a uma falsa e sacrílega interpretação. Num sentido, é perfeitamente razoável e a ciência dos adeptos promete realizá-lo e dar-lhe um cumprimento perfeito. (...)”


in: pag. 242



Ao fim das quatro Partes acima descritas, o livro se completa com artigos e estudos sintéticos de manuscritos clássicos ocultistas: o Suplemento contém três artigos sobre a Sagrada Kabbalah publicados na Revista Filosófica E Religiosa; Peças Justificativas E Citações Curiosas, sobre assuntos gerais ocultistas, tendo como figura central Teophrasto Paracelso; Peças Relativas À Magia Negra forma um conjunto de preces e conjurações que foram extraídos do manuscrito O Breviário Dos Pastores; o manuscrito de Abraão intitulado Asch Mezareph, apresentando uma reconstituição hipotética e um cuidadoso estudo do mesmo;  uma análise dos sete capítulos de Hermes Trismegisto, pontos essenciais da Filosofia Hermética; Doutrinas Ocultas Da Índia Sobre Os Espíritos, com dissertações sobre lendas e mitos associados ao tema; e O Purgatório De São Patrício, com um extrato, é o assunto final do livro.



“(...) O reino de Deus que temos dentro de nós, conforme a palavra de Cristo, é o reino da inteligência e da razão, porque Deus é a inteligência suprema e a razão final de todas as coisas. Deus é o absoluto que reina sem partilhas, e dizer que temos o reino de Deus em nós é revelar no homem a presença e o poder criador e regularizador do absoluto. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e é por isso que o rei-profeta, ao falar aos filhos dos homens lhes dizia: ‘Vós sois deuses’. (...)”


in: pag. 306



Torno a insistir e a repetir o que dissera nas resenhas anteriores da Trilogia maior de Eliphas Levi: todo estudante sério da Espiritualidade deve ter em consideração, como uma base de estudos entre tantas bases, este livro. Pode parecer, muitas vezes, que o autor tenha defendido idéias que hoje, aparentemente, possam estar ultrapassadas; Teosofia, Thelema, Magia Do Caos, Wicca, Quimbanda, Umbanda, Candomblé e outras Correntes Iniciáticas podem ter em suas premissas ultrapassado os pensamentos e conceitos defendidos por Levi. No entanto, tal ideia é apenas uma suposição deste que Inominável Ser que vos escreve, cujo pseudônimo nasceu por influência da escrita primorosa de Eliphas Levi. No entanto, isto não quer dizer nada para você aí do outro lado, que, talvez, tendo lido ou não as obras do autor, considere algumas posições dele como arcaicas e retrógradas. Devo lembrar, no entanto, que ele tinha os Olhos bem abertos e, por exemplo, ao defender tanto nas páginas de seus livros a autoridade espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana, ele não fala do aspecto externo de uma religião que hoje está sendo ressuscitada graças ao Papa Francisco, mas do Véu Interior dos Mistérios da mesma. Tal Véu, tanto no Catolicismo quanto no Cristianismo, aos olhos ocultistas, é de uma riqueza que muitos adeptos das duas tradições religiosas sequer sabem que existem. São Mistérios ligados ao Absoluto, ao Um, que, evocando agora Spinoza, é a Substância que se manifesta através de seus atributos não sendo nenhum destes. São Mistérios do Incognoscível, do Incomunicável, do Inatingível pelos seres humanos escravizados pela Matéria, Mistérios tais que os Verdadeiros Adeptos de hoje em dia Compreendem, sejam quais forem suas Correntes. Mistérios Daquilo que eu chamo de O Inominável Desconhecido. Mistérios do Único Ser Necessário.


A Chave para estes Mistérios está contida veladamente nas páginas deste livro, ouso afirmar com provas e com a convicção de um leitor atento. Basta saber encontrá-la abrindo pouco a pouco os Verdadeiros Olhos: os da Alma.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!













As três primeiras figuras de Flamel






Sétima figura de Flamel - Dissolução dos germes metálicos representados pelos inocentes que Herodes fez degolar









Figura 16 - A estátua metálica segundo Daniel; Figura 17 - Os mistérios do Templo de Salomão



A rosa hermética saindo da pedra mercurial sob a influência do espírito universal 



Roseira nascendo no ócio do carvalho — A fonte oculta e os procuradores de ouro



Dissolução da pedra nascente e fixação de mercúrio



As Sephiroth Metálicas



A arte de combater os demônios ou maus gênios dos dias da semana



As Sephiroth com os nomes divinos, chave das noções teológicas conforme os hebreus



A chave do Grande Arcano



Pentagrama do divino Paracleto



Figura 5 - A estrela dos Três Magos; Figura 6 - A má estrela



A décima chave do Tarô



Grande pantáculo tirado da visão de São João



O signo do Grande Arcano



Chave absoluta das ciências ocultas, dada por Guilherme Postello e completada por Eliphas Levi





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