A Desigualdade E A Lei Natural


Isolated Crowd of People Walking Away with Alpha 


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


O vôo das borboletas por sobre verdejantes jardins banhados pelas douradas luzes do sol segue um ritual de rara e plástica beleza. O vôo dos pássaros por sobre os oceanos em migrações de um continente para o outro é um espetáculo de suprema magnificência, um grupo de seres vivos em busca de novos territórios a serem explorados sem temores. O vôo das idéias segue-se acima acima dos medíocres pensamentos mundanos, é um império de verdadeira democracia, reduto de verbos de infinitas primazias, é o tesouro da Evolução Humana na evolução de cada pensar. No que os três heterogêneos vôos são homogêneos? O que une as borboletas, os pássaros e as idéias? Eles são iguais por causa de uma incontestável autorização da Lei Natural. A partir desta são independentes, são originais, são arquétipos de ideais intocados pela Humanidade. Esta toca a desigualdade, nula é a fraternidade, muda é a liberdade.


Movimentos infinitos na natureza pregam a igualdade de todos os seres em diversificadas sendas fenomenológicas. Nenhum fenômeno objetiva a outro o afirmar em uma realidade princípios claros de desigualdade. Não é linear uma explicação exata do valor fenomenológico. Os vôos citados são fenômenos naturais em toda a sua dignidade de assim o serem. Um incauto diria que o vôo das idéias é abstrato, uma fantasia nada condizente com a Filosofia. Meu caro incauto, amigo que não sabe pensar direito, tal exemplo não é uma vã assertiva vazia deste autor, mas uma verdadeira e apriorística afirmação. O mundo das idéias não pode ser vivenciado empiricamente, essa é uma obra distante dos Seres Humanos e própria do Ente Absoluto. E não estou a escrever um conto de fantasias ridículas, dessas que são encontráveis na maior parte dos “livros de sucesso editorial” da grande maioria dos “escritores” contemporâneos. Não falo de um livro famoso acerca de um menininho bruxo, seriamente mentalizo a questão deste ensaio. Suponho que incondicionadamente alguém esteja compreendendo as minhas palavras.


Falar sobre a desigualdade entre os homens, no decadente mundo que deteriora-se a cada segundo em uma maior velocidade, é como ser um mudo rouxinol tentando cantar em meio a rouxinóis cantando muito alto. Rouxinóis? Cães: melhor nome para os que vivem a expor suas ricas “teorias” sobre a desigualdade. Os latidos vem de todo lugar, são todos tão sábios… Perceber o fenômeno da loucura atual é um mérito que não merece n nenhuma premiação, pois ele é o retrato tétrico da triste contemporaneidade do Gênero Humano. Poderia, com o lugar comum que este ensaio sugere, falar das desigualdades moldadas existentes entre ricos, pobres, negros, brancos, todas as imbecis divisões do “mundo globalizado”, um mundo “muito avançado”. Lugares comuns já foram demasiadamente utilizados; os lugares incomuns são os melhores, os mais úteis ao propósito do desenvolvimento do meu raciocínio. É necessário compreender o que eterniza a desigualdade, a lei social latente a dinamizá-la em um formato grandioso e compacto. Adjudicando do apriorístico, afirmo ser a continuidade de pensamentos desiguais a causa da não-eliminação da desigualdade. Os latidos são incessantes e há uma guerra a fim de saber-se quem late melhor, mais alto, mais forte.


Latir faz parte da Lei Natural, mas para os cães, os animais inteligentíssimos que os Seres Humanos tratam como irracionais. Latir faz parte da Lei Natural para os homens? Uma Lei Natural, a dos arrogantemente autoproclamados senhores do mundo,  admitiria latidos nada inteligentíssimos? Expressivamente, examinemos a Lei Natural, voltemos aos vôos. Na simetria infalível da verdadeira natureza dos Seres Naturais, natureza esta que a sociedade humana não compreende, é aniquilada qualquer fatal formulação de desequilíbrio. As borboletas voam guiadas pelo instinto mais natural que se permite ter, não optando por saberem o porquê de outros animais que voam não possuírem a sua forma física. Os pássaros migratórios não se apegam a nenhum habitat determinado, mas nas épocas determinadas de suas migrações possuem a intuição de para onde devem ir. As idéias, vidas naturais que em si mesmas são providas da mais espetacular inesgotabilidade, não escolhem quais determinados tipos humanos nos quais surgem para inspirarem na execução de obras intelectuais, suscetibilizando a criatividade, a imaginação, o talento e o gênio. Por que no mundo fenomenal humano os latidos classificatórios, discriminatórios e enraizados na mais pura imbecilidade nata ou adquirida academicamente predominam extremamente?


Lei Natural, a maior das leis, a Lei que tudo autoriza na verdadeira natureza dos Seres Naturais, autorizaria a desigualdade entre os homens se estes fossem realmente Seres Pensantes. É um insulto aos cães compará-los aos homens; o latido do Homem é um destrutivo som emitido por todo lábio que ousa falar de desigualdade sem naturalmente perceber a igualdade nos fenômenos naturais a todo tempo sob seus olhos. Os latidos predominam extremamente porque há muito os seres humanos acomodaram-se a não saberem emitir uma palavra inteligível, digna de premiações, isenta de contaminações condicionadas pelos hipócritas valores sociais. As qualidades e origens dos latidos mais em voga são observáveis nas muito sagradas teorias dos ismos, os quais não formam inocentes santos que humildemente lutem a favor da igualdade, da liberdade e da fraternidade. Os istas são demagogos da mais concreta futilidade de crerem-se salvadores do mundo, pobres deles todos, pobres iludidos. Todos eles, ocultamente, imaginam-se super-homens e mulheres-maravilhas, heróis, prontos para salvarem um mundo governado por vilões. Filhos dos ismos, vós não compreendeis o espírito verdadeiro pelo qual fanaticamente lutam, são restolhos infantis da Revolução Francesa e patéticos membros de uma liga da justiça imaginária.


Os latidos do Catolicismo pregam que ele é o único ponto de salvação segura no mundo, que Jesus Cristo veio a este para salvá-lo; qual condenação é maior do que crer em uma religião que arrogantemente defende conceitos salvacionistas a serem mecanicamente seguidos? Os latidos do Protestantismo pregam que a fé é o único e principal meio de salvação, que as Escrituras devem ser interpretadas pela individualidade humana racional; qual condenação é maior do que crer em uma religião que deixa a mentes vulgares interpretações de palavras mortas que não fazem sentido nenhum para o mundo atual? Os latidos do Budismo pregam a libertação total do sofrimento e da ilusão através do alcance do Nirvana, um estado de êxtase permanente que permite a visão da Realidade em si mesma; qual condenação é maior do que crer em uma religião que condena todo sofrimento, se este é o melhor mestre que um humano iludido pelas mentiras sociais sistemáticas poderia ter para entender o que realmente é do que buscar um estado além fora do estado ao qual ele pertence?


Os latidos do Capitalismo defendem a propriedade privada, a competição livre, o livre mercado, o lucro como a única meta de toda a sua estrutura prática; qual condenação é maior do que crer em uma organização econômica que visa a concentração do capital de uma nação nas mãos de uma minoria fechada em si mesma? Os latidos do Socialismo defendem a propriedade coletiva dos meios produtivos, uma sociedade organizada sem classes e uma igualdade total na distribuição de renda; qual condenação é maior do que crer em uma doutrina social que findou-se por preocupar-se mais em transformar um sistema corrompido en todos os seus setores do que transformar o interior humano? Os latidos do Nacionalismo defendem o absoluto amor à pátria natal, nacionalização de todos os organismos sociais e a procura de uma autonomia que a condicione ao incessante desenvolvimento; qual condenação é maior do que crer em um movimento social que é desmantelado pela má globalização tão aceita pela maioria da população de um país? Os latidos do Militarismo defendem o fortalecimento bélico de uma nação a fim do predomínio sobre outras nações e os militares como dirigentes nacionais nos casos mais extremos de amplitude da dita ideologia; qual condenação é maior do que crer em uma doutrina amiga de toda guerra justificada por interesses mais econômicos do que justamente legalizados por exigências naturais de sobrevivência e defesa?


Os latidos do Racismo defendem a afirmação da superioridade de certas etnias sobre outras consideradas inferiores; qual condenação é maior do que crer em uma teoria de nenhuma base cientifica que ampara-se no puro ódio nascido de uma ignorância suprema da maior das imbeciidades existentes que é o fato de não saber-se a correta explicação do que é pureza racial? Os latidos do Nazismo e do Neo-Nazismo defendem a superioridade da supostamente superior raça ariana sobre todas as outras e o total extermínio destas, o ódio ao que é diferente do moralmente institucionalizado na visão nazista e na neo-nazista; qual condenação é maior do que crer em uma doutrina cujos fundadores não tinham a absoluta certeza de que não houveram miscigenações raciais fundamentais para a formação da raça que eles dizem ser a única superior, acima de todas as demais etnias dentro da Raça Humana? Os latidos do Cientificismo defendem a negação de todas as especulações transcendentais filosóficas e a afirmação exclusiva dos conhecimentos científicos como a base para toda explicação dos fenômenos observáveis e não-observáveis; qual condenação é maior do que crer em uma doutrina enaltecedora da arrogância científica que pensa ter todas as soluções e respostas até para o que nunca saberá alcançar uma solução e uma resposta, que é a afirmação da suposta existência de um Deus Criador deste Universo?


Os latidos do Cientismo defendem a utilização das Ciências Naturais em todas as áreas investigativas humanas, como na Filosofia, Sociologia, Antropologia, Política e demais correntes das Ciências Humanas; qual condenação é maior do que crer em uma doutrina que sugere a utilização de ciências nascidas de um pseudoconhecimento acerca da Natureza em suas características totais? E os latidos deste estudioso aqui dos latidos dados pela Humanidade, tantos latidos que se fossem totalmente citados formariam uma Bíblia Da Desgraça Contemporânea, não são dados para tornaram-se crenças. Meus latidos são incondicionados, eu não pertenço a nenhum ismo, não sou nenhum ista, não amo o filosofismo. Fui tão condicionado pelo sistema nada natural da sociedade contemporânea que acabei por herdar os latidos, os quais todos os dias ouço no rádio, na televisão e nas ruas; e leio, traduzidos virtualmente, pela Internet. Gostaria de latir menos, mas o estudo e a observação do fenômeno mundial dos latidos da contemporaneidade me atrai conscientemente. A desigualdade continua por causa desses latidos e os meus, condenando-os, geram outra desigualdade.


Contudo, solucionei a questão acerca da Lei Natural, a qual não faz parte da geração dos latidos. Estes não são fantasiosos, empirica e aprioristicamente podem ouvi-los aqueles que atentarem-se aos próprios latidos. Nem a mais forte de todas as focinheiras pararia os latidos. O mundo humano é um canil insano.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!





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