Berserk - Volume 2



Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Ricardo Santana e Victor Barbosa
Edição: Diego M. Rodeguero
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Outubro de 2014
244 pags.


Sinopse:


Portando uma espada maior do que ele mesmo e usando um braço mecânico, o misterioso Guts, o Espadachim Negro, agora acompanhado pelo pequeno elfo Puck, procura pelos cinco “God Hand”, os terríveis senhores da escuridão. Em uma cidade dominada pelo medo, onde a “caça aos hereges” é o pretexto para a matança promovida por um Conde maldito, Guts se prepara para uma terrível e sangrenta batalha!


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


O ritmo deste volume de Berserk eleva o nível de qualidade do enredo e desenvolvimento dos personagens com precisão que, afirmo, alcança a perfeição. Nele, estão contidos os capítulos 2 e 3 de O Anjo da Guarda da Ambição, a girar em torno do Conde, revelado como mais um dos Apóstolos dos God HandMas , quem são estes Seres citados no primeiro volume e qual é realmente a ligação dos mesmos com Guts? O volume responde apenas em parte a tal questionamento central para a continuidade da trama como um todo.


Os cinco God Hand são Seres Poderosos de uma outra Realidade, trazidos à Realidade do mundo de Berserk através do Behelit. Este é um artefato místico de natureza orgânica, artisticamente moldado em forma ovular e contendo elementos esculpidos que lembram um rosto. Elementos estes distorcidos e estranhamente singulares que geram mais perguntas do que respostas. Além do mais, os God Hand são os responsáveis pelo domínio do Lado Obscuro da Humanidade desde idades imemoriais.


O Behelit foi oferecido a Guts por Vargas, que fora torturado pelo Conde e vira sua esposa e seus filhos serem esquartejados vivos e devorados pelo mesmo. Ex-médico do castelo onde aquele reside, conhece bem toda entrada e saída do mesmo, indicando a Guts como invadir o local a fim de matar o Conde. Mas, Guts não se importa com a vingança de Vargas e nem mesmo interfere quanto ao desfecho terrível do destino do mesmo. Ele luta por ele mesmo, pelo que acredita, pelo mistério que carrega, mais do que por pessoas que, na duríssima visão dele, são medíocres e não merecem caminhar pelo mundo por não saberem se defender ou sobreviver perante o caos que ao mesmo governa.


O Conde reflete todo esse caos, sendo um personagem tenebroso e arrepiante. O medo que ele gera entre todos que o servem é palpável e nos olhos dos habitantes da cidade, quando Kentaro Miura ilustra os rostos dos mesmos diante de execuções em praça pública neste volume e no anterior. A questão da “caça aos hereges” impetrada pelo Conde remete imediatamente à Santa Inquisição da Igreja Católica em seus hediondos crimes de perseguição a todos que fossem considerados como fora dos padrões normativos da época. No entanto, para alimentar seu sadismo e fome literal por corpos humanos, o Conde utiliza a perseguição religiosa como desculpa para angariar prisioneiros que pessoalmente tortura e degusta selvagemente. Aqui, evidentemente, Miura eleva uma pesada crítica ao Catolicismo em sua época de gerações de Torquemadas e demais Torturadores do mesmo tipo.


O que ameniza a monstruosa figura do Conde é a existência de sua filha, Terezia, trancafiada no castelo desde a morte da mãe há sete anos. Após o evento da execução de certo personagem na praça, Puck é dado de presente a ela e, então, conhecemos sua história. Sua mãe fora sequestrada e executada por uma seita de hereges, que exigia sua aceitação da parte do Conde no feudo por este dominado. Como o mesmo se recusou, a execução da esposa despertou nele a sede de sangue que o move contra até nem mesmo é a ele contrário. Terezia tem medo do pai, como todos que a este cercam; o pai, no entanto, demonstra afeição e amor por ela, um único luzidio ponto na personalidade de tão maligno personagem.


O que também chama a atenção quando da descrição gráfica do ídolo da seita por Miura é que o mesmo remete ao suposto ser antropomórfico venerado pela Ordem dos Templários, denominado Baphomet. Para quem não sabe, a mesma Igreja Católica criadora da Inquisição temeu e invejou o crescente poderio dos Templários na Europa e, aliada a Luis XVI, acusou-os de heresia e de adorarem Baphomet. Incluída nessas acusações estava a suposição de que eles realizavam sacrifícios humanos, o que foi mais um motivo para a Ordem ter sido dizimada por todo o continente. O que sobreviveu da mesma foi herdado, segundo Eliphas Levi em História da Magia, pela Maçonaria e a Ordem Rosa-Cruz. É o mesmo enfoque dado às ações do Conde, sem serem citadas direta e abertamente uma instituição como aquela Igreja ou os motivos originais de tal perseguição anteriores ao assassinato da esposa.


Um inimigo muito poderoso, desfavoráveis condições de vitória é um ambiente totalmente hostil: isto é tudo o que Guts tem de encarar como obstáculos a serem ultrapassados. Ainda temos uma visão mais amplas das formidáveis habilidades dele com a espada gigante que carrega nas grandes cenas de luta deste volume, principalmente contra Zondark, que era considerado o mais forte da tropa do Conde é fora humilhado por Guts no volume anterior. É assombrosamente magnânima cada técnica de Esgrima manipulada por Guts de variadíssimas maneiras, o que nos dá a visão de estarmos diante de um grandiosíssimo Espadachim e, não, de um “cara fortão balançando para tudo que é lado uma espada-monstro pesadíssima para um ser humano normal”. Mas, mesmo assim, o que Guts enfrenta não é humano e o sangue a escorrer do Estigma no lado direito do pescoço à aproximação de Espíritos Malignos e Apóstolos comprova isso. E isso fica muito claro ao final deste volume, uma desvantagem claríssima em determinadas lógicas condições de combate contra criaturas que não podem ser logicamente classificadas.


Mas, o cara não se entrega, mesmo sangrando aos borbotões e extremamente ferido. E é o que poderemos conferir na resenha do terceiro volume, semana que vem!


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!















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