Berserk - Volume 1



Roteiro e Arte: Kentaro Miura
Tradução: Drik Sada
Letras: Gabriela Kato e Ricardo Santana
Edição: Ricardo M. Rodeguero
Editora: Panini Brasil Ltda
Data de lançamento: Agosto de 2014
228 pags.


Sinopse:


Portando uma espada maior do que ele mesmo e usando um braço mecânico, o misterioso Guts traz consigo uma chuva de sangue e deixa um rastro de cadáveres por onde quer que vá. Ao seu lado, o pequeno elfo Puck se surpreende com o terror que assombra o Espadachim Negro. Seu “estigma” atrai demônios e espíritos malignos, e, em meio às hordas que o perseguem, Guts busca vingança.

Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


Berserk - Volume 1 reúne O Espadachim Negro, O Estigma e o início do arco O Anjo Da Guarda Da Ambição. Sem spoilers ou revelações diretamente ligadas ao enredo do mangá, inicio hoje aqui no blog o que foi prometido semana passada no artigo Berserk - Uma Crônica Guerreira Muito Além Do Fio Da Espada: resenhar os volumes de Berserk já republicados aqui no Brasil pela Panini e os que ainda serão republicados. Resenhas de um fã e, não, de um “crítico especializado” com intelectualismo amorfo, arrotável e vomitável.


Sem origem, ele surge como um sangrento andarilho egoísta. Sem sentimentos nobres, arde apenas em seu coração a busca pela vingança. Sem qualquer tipo de positiva emoção, ele apenas segue em frente e não se importa com vítimas aleatórias que sucumbem em seu redor. Marcado por um estigma no lado direito do pescoço, ele segue caminho sangrando e fazendo sangrar. Como uma máquina de combate fria, infalível e mortal, aparentemente invencível e indestrutível, é assim que Guts é apresentado no primeiro volume de Berserk.


À primeira vista, é um personagem antipático, arrogante, desagradável e destinado a não angariar a simpatia de grande parte dos leitores que possam vir a folhear o mangá. No entanto, há algo nele que faz com que nos interessemos em saber sobre a sua história. Tornando-se atraente ao leitor tanto no quesito esgrimista/marcial quanto na estrutura de sua personalidade, vai pouco a pouco demonstrando possuir um carisma que é, ao primeiro olhar, imperceptível. Afora as polêmicas e diversas características de sua personalidade que transparecem bastante desagradáveis, seu desenvolvimento como personagem ao longo deste volume é muitíssimo bem conduzido talentosamente por Kentaro Miura. E com a figura de Puck temos a oportunidade de tentarmos compreender o porquê das atitudes controversas que Guts toma em diversas passagens.


Puck é como se fosse o indagador das ações tomadas de modo totalmente mecânicas por Guts. O porquê dele ser um amargo eremita; um metódico derramador de sangue; um impiedoso guerreiro sem escrúpulos; um contundente homem maciçamente moldado para cumprir um determinado objetivo que não é revelado neste volume. Mais do que ser o manejador de uma “espada maior do que ele mesmo”, Guts é um buscador; buscador não de glórias, de riquezas, de reconhecimento ou de coisas humanamente desejadas pela massa. Até mesmo a vingança em si mesma é algo menor diante da Verdadeira busca dele, transparente em seu feroz olhar. Uma busca que permanece misteriosamente oculta dentro da precisa construção do personagem.


O impactante início de Berserk conquista à primeira vista e é um amor intrinsecamente apegado a cada aspecto da narrativa. O mundo de Berserk é um simulacro de mundo medieval, com vestimentas, aparatos e armas típicas da época. Há elementos muito típicos de sagas cavaleirescas clássicas como O Feitiço de Áquila e Excalibur, além de ser Guts uma referência, a meu ver, ao mito do Pistoleiro Solitário tão bem visto na famosíssima trilogia de Western de Sergio Leone. Há também fortíssima influência da Espiritualidade quanto ao fato de Guts ser obsediado constantemente por Demônios e diversas categorias de espíritos malignos a implacavelmente persegui-lo. O Terror é um importante elemento, fazendo muito lembrar Evil Dead, de Sam Raimi, em diversos momentos, o que aplica à história uma aura sinistra, sombria e densa.


Falando em densidade, o aspecto principal deste volume, que continua a ser aplicável nos demais volumes, é o grande peso de sua atmosfera. Lúgubre, pessimista e com um evidente tom de crítica à guerra, à violência e ao crime. Ao final, já no início do arco do Conde, é inserida uma crítica religiosa preciosa, uma alusão aos absurdos praticados pela Igreja Católica durante a Inquisição. Diante desta referência em questão é às demais acima mencionadas, as quais eu percebi, alguns cagadores de regras pela Internet dizem que Berserk é “ocidentalizado demais e deveria trazer mais referências orientais”. O tema, que eles parecem ignorar, é de universal importância; tal tema é o do Caminho do Guerreiro, ampla e filosoficamente vasto a ponto de, em qualquer cultura do mundo, ser expresso de diversas formas das mais variadas. E não importaria em nada se a história se passasse em um mundo tematicamente africano, indígena ou aborígene em seus aspectos físicos, já que o tema continuaria inalterável.


Outro destaque é o aspecto ultraviolento dos combates proporcionado pela visivel Superioridade de Guts manejando a monstruosa espada que ele porta. São corpos cortados ao meio dentro de armaduras de aço, mutilações em elevadíssima escala, decapitações em um alucinante ritmo de tirar o fôlego e fazer com que cada quadro de batalha seja uma belíssima obra de arte.


Não sou de dar notas ao que leio e Berserk - Volume 1 é algo muito acima de qualquer nota. Dá vontade de querer saber mais da história, de um modo nervoso e ansioso. Uma história que continuará aqui sendo comentada semana que vem com a resenha do Volume 2.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais! 




















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