Sobre As Auroras Do Conhecimento - Conclusão


Aristóteles



“Por isso consideramos os que têm a direção nas diferentes artes mais dignos de honra e possuidores de maior conhecimento e mais sábios do que os trabalhadores manuais, na medida em que aqueles conhecem as causas das coisas que são feitas; ao contrário, os trabalhadores manuais agem, mas sem saber o que fazem, assim como agem alguns dos seres inanimados, por exemplo, como o fogo queima: cada um desses seres inanimados age por certo impulso natural, enquanto os trabalhadores agem por hábito. Por isso consideramos os primeiros mais sábios, não porque capazes de fazer, mas porque possuidores de um saber conceptual e por conhecerem as causas. Em geral, o que distingue quem sabe de quem não sabe é a capacidade de ensinar: por isso consideramos que a arte seja sobretudo a ciência e não a experiência; de fato, os que possuem a arte são capazes de ensinar, enquanto os que possuem a experiência não o são.


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Aristóteles (384-322 a.c.) diferencia assim os seguidores das artes e os trabalhadores manuais na Metafísica conforme o seu pensamento. Mas, observando os resultados deste estudo sobre as Auroras Do Conhecimento desde os seus primeiros momentos, a ciência e a experiência podem atuar em um homem que faça do seu conhecer uma arte objetiva. Ciência/experiência, em una direção de objetividade, em una operacionalidade de objetividade, em uma capacidade de formação/transformação da crença no conhecer para a objetividade, facilita a arte do sábio verdadeiro, o qual não deve apenas ensinar, mas também manusear com a sua sabedoria os instrumentos totais de seu conhecimento objetivamente. O cientista verdadeiro de todo ramo de conhecimento do Conhecimento Humano, racionalmente, deve possuir em si a produtividade dos trabalhadores manuais, a construírem os úteis objetos que garantem a comodidade de todos no mundo objetivo. A construção do cientista verdadeiro de todo ramo de conhecimento do Conhecimento Humano é construção que faculta aos que são apenas trabalhadores manuais possuírem a ciência do que irão construir. Não há diferenciação entre aquele que forma a ciência no campo da pesquisa e aquele que transforma a ciência no campo da objetividade. No campo da pesquisa e no campo da objetividade o cientista verdadeiro, com a sua ciência tornada em si verdadeira, atua sendo um que fundamenta e aplica seus conhecimentos  objetivos a fim de que estes sejam por outros aplicados objetivamente.
      
Confirmaram-se neste estudo a oposição ao método cartesiano de conhecer matematicamente e as observações de Gaston Bachelard (1884-1962) e  Karl Raimund Popper (1902-1994) citadas na Introdução. Com O Objetivo Do Conhecer chegou-se à conclusão de que o conhecer não é uma sistematização matematizada dos dados percebidos pela consciência, mas uma viva pulsação de orientadoras noções do descobrir os motivos formadores do continuar da realidade a ser conhecida, da objetividade que faz conhecer a realidade e, também, antes de tudo, da subjetividade que conhece pela objetividade a realidade. Uma arte plena de seus aplicados esforços em ser autenticamente uma técnica fora da matematização, como se o cientista verdadeiro, pensador verdadeiro, investigador verdadeiro, sábio verdadeiro, intelectual verdadeiro, fosse um artista completo que soubesse de todos os parâmetros de sua arte. Contudo, esta arte não supõe a tudo conhecer e nem pode querer a tudo conhecer; mas, antepondo-se a Popper agora, uma vida em busca de conhecimentos possivelmente pode chegar a êxitos inamovíveis de suas condições de serem êxitos se aquele que assim viver fizer do seu conhecer uma sublime alta aurora que nem as trevas a surgirem no momento da morte poderão encobrir ou extinguir. O conhecedor verdadeiro, o verdadeiro conhecedor, morre, mas o seu Conhecimento, o seu espírito, que elevou-o e levou-o a conhecer, a parcela imortal da sua existência no conhecer e da sua insistência em conhecer, permanece totalmente no mundo objetivo como patrimônio de infinito valor. Os que não são considerados grandes pensadores podem ser conhecedores verdadeiros, verdadeiros conhecedores, que apenas precisam ser revelados ao olhar cognitivo dos incessantes seguidores das ciências. O que se considera como pequeno, como dispensável, em termos máximos de múltiplas comparações com os conhecimentos maiores do Conhecimento Humano, é herança de um homem que foi feliz uma vida inteira conhecendo, é um patrimônio que merece respeito, é um patrimônio que não pode ser inferiorizado porque nasceu de sincero devotamento ao conhecer. Atualmente, muitos enganadores acham que sabem conhecer e pela História podem ser encontrados muitos enganadores e muitos conhecedores verdadeiros, verdadeiros conhecedores.
      
Neste estudo tratou-se de abstrair teoricamente dos fatores essenciais do conhecer um único fator que é o conhecer, o modelador do ser racional, de todo ser humano, e não de uma categoria especial que foi denominada como a do conhecedor verdadeiro, verdadeiro conhecedor. Esta teoria, como já foi dito, amparou-se nos pensamentos de filósofos considerados como fundamentais no que poderia ser utilizado para o modelar teórico que possibilitou-lhe a manifestação. Ignoraram-se aqui as rivalidades entre muitos que aqui foram citados, pois, como também foi dito, a Filosofia, A Ciência, não é palco para este tipo de visão e o seu estudo é de uma seriedade que infinitamente encontra-se acima do observar problemas através das rivalidades entre pensadores. Nesta conclusão, esta questão pode ser erguida como mais um resultado deste estudo: qual é o caminho futuro do Conhecimento Humano e da capacidade cognitiva humana? Dois conhecedores verdadeiros, verdadeiros conhecedores, do humano conhecer, do conhecer humano, indicam dois possíveis caminhos, a seguir.


Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832):

“Houve muita gente que se ocupou da crítica da razão. Por mim, gostaria que dispuséssemos uma crítica do entendimento humano. Seria por certo um benefício para a nossa espécie poder-se demonstrar de modo convincente ao entendimento comum até onde ele pode chegar, limite este que coincide exatamente com aquilo de que esse mesmo entendimento necessita para a plenitude da sua vida terrena.”


Huberto Rohden (1893-1982):

“O homem de ontem foi meramente sensitivo.
            
O homem de hoje é sensitivo-intelectivo.
            
O homem de amanhã será sensitivo-intelectivo-intuitivo.
            
O homem sensitivo não é filósofo.
            
O homem intelectivo é filósofo.
            
O homem intuitivo será um sophós, um sábio, um verdadeiro homo sapiens.
            
O homo intelligens de hoje, o filósofo, é um viajor em plena jornada.
            
O homo sapiens de amanhã, o sophós, terá atingido o termo da viagem.”


O primeiro caminho depende do segundo caminho. Encontra-se no homo sapiens de hoje o verdadeiro homo sapiens do amanhã. No hoje, no mundo objetivo de hoje, um homem verdadeiro em seu conhecer pode ser um verdadeiro homo sapiens, o sensitivo-intelectivo-intuitivo, sabendo-se altamente perceber sensitiva, intelectiva e intuitivamente a permanência do conhecer como uma aurora eterna enquanto houver um sopro de vida. Aquele que assim age, o conhecedor verdadeiro, o verdadeiro conhecedor, é o verdadeiro homo sapiens. Considerar assim os mais altos seguidores do conhecer com os patrimônios que legaram ao mundo objetivo é já saber que o hoje é o único amanhã e todos eles viram o amanhã em si mesmos. Mas, este estudo apenas foi mais uma teoria do conhecimento da Teoria Do Conhecimento e não cabe aqui especular sobre o caminho proposto por Goethe e o caminho visualizado por Rohden. E nem especular se a limitação humana quanto à capacidade cognitiva futuramente se extinguirá na subjetividade e se dita capacidade se tornará quase ou completamente ilimitada. Este estudo alcançou apenas a meta pela qual foi desenvolvido e não possui a pretensão de especular sobre o destino do Conhecimento Humano, o qual sempre está a formar-se e a transformar-se. Essa pretensão se aproximaria de uma inútil previsão do futuro, um charlatanismo intelectivo dispensável por não ter nada a dizer sobre o conhecer. A Teoria Do Conhecimento possui unicamente o papel de investigadora e é no interior deste papel que encontram-se as Auroras Do Conhecimento. Finalizar com o seguinte pensamento de Goethe a esta investigação sobre o conhecer define todo o sentido de todo estudo na Filosofia, A Ciência, e em todas as ciências dela nascidas:


“A maior felicidade do homem, enquanto ser capaz de pensar, é ter investigado tudo o que é investigado e saber venerar em silêncio tudo o que não é investigável”.  


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!



Huberto Rohden




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