Do Estado Natural Ao Estado Social



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Pré-História, um período assim denominado supostamente como há dois ou mais alguns milhões de anos atrás. Comparados aos homens e às mulheres contemporâneos, os indivíduos racionais daquele período não possuíam convenções, ritos, moralismos e fatalismos proporcionados por uma organização social. Antes desta, surgida com as instituições das primeiras tribos, cada cabana era um mundo particular e cada habitante delas era absolutamente o guia de sua própria consciência. Naturalmente, contrário ao pensamento de alguns estudiosos, o raciocínio deles era mais puro, singelo, sincero e verdadeiro do que o atual. Mesmo rudes, eles amavam, odiavam, guerreavam, invejavam e matavam com uma naturalidade que denomino de Belíssima Força. Não eram bons ou maus selvagens, simplesmente eram homens que sabiam ser homens, mulheres que sabiam ser mulheres, O Homem que sabia ser O Homem. As tendências naturais possuíam como única mãe que jamais punia a Natureza toda, da qual sabia O Homem ser parte.

As tribos, as primeiras formações de agrupamentos sociais, iniciaram a extinção dessa naturalidade, da Belíssima Força. Das tribos às cidades, O Homem deixou de olhar para o seu próprio céu e passou a aventurar-se por céus que não deveria jamais ter percorrido. O mito da Torre de Babel resume a queda humana, o nascimento de todas as diversidades, a aurora de todos os separatismos e o engano de que deveria ser assim para a sua evolução. E esta, a amada e aplaudida pelos idealistas sonhadores demais de todos os tempos, a grande evolução em nada, foram infinitos passos contrários ao natural do viver. As cidades necessitavam de ordem, nasceram os governos; estes, de proteção para o que administravam, nasceram os exércitos; estes, da demonstração de sua força e de expansionismos territoriais, nasceram as guerras; e destas vieram todos os ismos, pois desde que O Homem começou a pensar que era mais do que é, inventou as risíveis formas de distanciamento da verdadeira inteligência natural. Os chamados homens e mulheres primitivos eram mais inteligentes do que os de agora, viviam por e para eles mesmos, sem a necessidade de moldarem necessidades absurdas. Toda a História “civilizada” do Homem é povoada de absurdíssimas necessidades.

O estado social abriu, para nunca mais fechar, as caídas faces da Caixa de Pandora. Arruinado foi O Homem nele, o que lhe era personalisticamente natural, belissimamente forte, assumiu uma mecânica fria baseada nos apetrechos da moralidade. A Pré-História está morta, as idades posteriores com diferentes nomes particulares foram a segunda morte da Humanidade e o mundo contemporâneo é uma terceira morte que é eterna em suas cadavéricas consequências sociais. A sociedade foi e é um grande mal, um empecilho para a verdadeira evolução humana, a qual não ocorreu. Se antes, com uma pedra em nossas mãos, éramos fundamentalmente livres, hoje, manipulando um teclado de computador, ultrabook, notebook, laptop, tablet ou smartphone, somos escravos da mecanização do espírito humano. O social, o viver socialmente, o seguir socialmente uma idéia padronizada ou milhares delas mecanicamente construídas sob mecânicas óticas intelectuais, deu túmulos maiores ao Pensamento Humano. Retornando aos ismos, afirmo que nenhum destes conseguiu libertar os seres humanos das várias desgraças e misérias que nós mesmos criamos porque naturalmente O Homem não sabe mais pensar. O pensamento mais natural dos indivíduos rústicos do longínquo passado pré-histórico era mais sutil do que os intelectualizados pensamentos de hoje, tão frios e artificiais.

Às tendências naturais O Homem impõe uma rigidez moral que atrofia até o menor dos raciocínios. Era natural matar um inimigo no período pré-histórico, a luta pela sobrevivência assim o exigia; veio a ordem social, matar tornou-se comum e não há luta pela sobrevivência de nada. Como matar, toda transgressão da moral social é um crime punivel pelas leis, estas os mais atrofiantes espécimes dentre os filhos gerados pela sociedade. As leis sociais e toda a sua ordem de juízes, magistrados e júris possuem a mesma autoridade de uma criança de um ano tentando juntar os pedaços de um copo quebrado com as mãos. A Justiça, tão nobre quanto tola, é uma fantasia romântica desprezada pela natureza humana. Condenações pesadas e a pena de morte não modificaram no Homem o desejo natural, belissimamente forte, diante de uma prisão chamada vida social. Condenem todos os criminosos, os monstros nascidos da mãe sociedade criminosa que assassinou toda natutalidade, juízes da Terra! E vós mesmos, possuidores recatados das mesmas tendências naturais, por quem serão condenados? A Justiça, com toda sua pompa vazia e circunstância limitada, é um reles mito social. Nela, alguns tentam encontrar um Velocino de Ouro; o que encontram, no entanto, é o Manto de Dejanira. O Homem condenando o próprio Homem é o maior dos crimes sociais.

E o homem e a mulher, artificialmente seres sociais, acham-se valorosamente sublimes. A virilização social é o espelho onde reflete-se a feminilização social; as imagens de um homem tentando ser o homem natural e as de uma mulher tentando ser a mulher natural são igualmente ridículas em suas realizações. Não há mais O Natural nos dois gêneros, há apenas o masculino escravo robotizado do pênis e a feminina escrava robotizada da vagina. Todo machismo e todo feminismo, duas infantilidades idealísticas, são suicídios do que talvez ainda possa soar de natural nos dois sexos. Incontrolavelmente, o pênis e a vagina são os comandantes do mundo social, o que com muita segurança digo, sem tomar partido de nada. Na análise sintetizada dessa guerra sexual, concluo que todos os humanos perdem todas as batalhas, nada de plausível e construtivo disto surge. Naquele passado pré-histórico, um homem sabia amar uma mulher e uma mulher sabia amar um homem, naturalmente, mesmo brutalmente; hoje, o amor é tão artificial quanto as medíocres autodeclarações de bondade e altruísmo dos Seres sociais mais hipócritas. As tendências naturais do amor natural, caso a sociedade não tivesse surgido, com o tempo evoluiriam por si mesmas até a geração de uma globalidade concernente ao Gênero Humano como um todo. Entretanto, a sociedade pariu o homem combatendo a mulher e a mulher combatendo o homem. E essa loucura social sobrevive na selvageria contemporânea instigada pela mídia, este supremo e absolutíssimo holocausto social.

Indivíduos do mesmo gênero naturalmente amavam-se, isto era muito comum na Grécia e em Roma. Os tempos modernos transformaram essa comunhão natural de indivíduos em doença criminosa repugnante, nascendo a partir deste preconceito o termo homossexualismo e, consequentemente, gerando a homofobia. Aquele ismo, artificial criação social, ainda soará muito terrível, por séculos, aos hipócritas ouvidos desta Humanidade. O preconceito contra a opção sexual, o racial e o econômico, assim como todos os preconceitos ocultos na alma humana, no espírito humano, nasceram das sociedades organizadas. Os preconceitos são venenos sociais, não são naturais ao Gênero Humano; passíveis de manipulação por deixarem de ser naturalmente inteligentes, os seres humanos condicionaram-se aos pensamentos sociais. O que é social, na verdade, não pensa; o social, o todo social, é irracional. Os preconceituosos são irracionais, seres abaixo da imbecilidade, entes de nenhuma profundeza no serem como são e no viverem como vivem. As tendências preconceituosas facilitam na destruição das teses defensoras dos valores virtuosos incorruptíveis da sociedade. Desta, elas tiveram o poder para criarem raízes, pois foi a partir dela que ruminações de infundadas superioridades revelaram-se. A tendência natural ao ódio tinha pré-historicamente um determinado e visível alvo; a artificialidade do ódio preconceituoso é de pura ignorância de mentes pequenas demais para saberem o porquê de odiarem aqueles que julgam inferiores. Aliás, superioridade e inferioridade são adjetivos sociais da organizada gramática do estado social. Mais explicitamente falando, são termos oriundos da lixeira social, como os preconceitos e os preconceituosos.

Uma direção, a única protuberantemente segura, para as tendências naturais no mundo social, é a da luta coletiva pela sobrevivência do pouco de natural no Homem. O direito de naturalmente sobreviver ante o artificialmente social viver é o maior de todos os direitos humanos. Quando um país é oprimido por um invasor estrangeiro, a natural sobrevivência da liberdade grita pela sua continuidade e toda resistência, armada ou não, é justa, monumentalmente justa. Quando os indivíduos humildes são oprimidos pela cruel vida social, a natural sobrevivência da dignidade grita pela sua construtividade ininterrupta e todo ato de quebra de correntes é o único sagradíssimo ato revolucionário no mundo. Quando um Governo é fraco demais, os governantes são corruptos e dementes como realizadores do avanço estatal, a natural sobrevivência do equilíbrio nacional deve unir o povo em atos de rebeldia, pacíficos ou violentos, guerra institucional ou guerra civil, para a utilíssima derrubada dos fracos eleitos como seus representantes. Todas as ideologias são mortais, mas a natural sobrevivência de um objetivo natural é imortal. Sobreviver não é ter ideologias, sobreviver é ser um natural soldado de guerras naturais contra a destrutiva sociedade. Todas as sobrevivências são necessidades naturais de valores coletivos. Dentro de uma sociedade global separatista que brinca de unidade como na chamada globalização, pode-se sobreviver a ela, sem tornar-se mecanizado, coletivamente.

A direção única sobrevive ao tempo contemporâneo, no qual assiste-se a uma decadência da Humanidade em todos os sentidos. Mais uma decadência humana, está é uma consequência da sociedade. Poucos seres humanos pensam como coletividade; no mundo natural do qual eles fazem parte são a única maioria. Para o mundo social, assassino das tendências naturais, nem uma minoria eles são. Mas, maiorias, minorias e mundos específicos de pensamentos não são crias da gramática social? Somente há uma Humanidade, entretanto, esta não sabe que é apenas uma.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!




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