Dos Escravos Sociais




“(..) Quando se trata de raciocinar sobre a natureza humana, o verdadeiro filósofo não é nem índio, nem Tártaro, nem de Genebra, nem de Paris, mas O Homem.”


“(...) Se ela nos destinou a sermos são, ouso assegurar que o estado de reflexão é um estado contrário à natureza e que o homem que medita é um animal depravado.”


Jean-Jacques Rousseau
in: Discurso Sobre A Origem Da Desigualdade Entre Os Homens

Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!


A origem sublime do Homem na Terra foi descaracterizada pela obrigatoriedade formacional da vida em sociedade. A Natureza, a Mãe dos nobres instintos da sinceridade emocional antigamente vivida, destinou-nos à altura de uma glória que perdemos. Sufocou-se o grito da liberdade de consciência moral, que foi suplantada pela escravidão das convenções que a tudo impregnam com submissões aos comportamentos bem aceitos socialmente. Grilhões mentais destituem a nossa verdadeira razão natural para instituírem uma vida esteticamente de impulsos e paixões pré-determinadas, sôfregos, geradores de uma existência vegetativa de subsistência inútil e fútil. A crueldade didaticamente assim é construída, assimilada e herdada cegamente, pois é uma árvore de raízes aprofundadas no meio social. A crueldade social é a grande terrorista da Humanidade.


Todo homem é cruel desde o seu primeiro berço no amargo seio nada materno da sociedade. Os seres humanos, cruéis socialmente, esquecidos da não-crueldade natural, ambiciona largos lucros em tudo o que almejam; sorriem para todas as vantagens próprias, de todos os tipos; desejam lascivamente escandalosos fama, poder e dinheiro.

“Sou o meu próprio senhor, não há outro acima de mim! A Ciência e as riquezas me consolam, a Fé e a benevolência caridosa são para os inferiores, os medíocres! Faco um clone, uma guerra, tudo para o bem maior do mundo que com os meus braços envolvo! Sou logica e friamente assim, respiro o ar da minha própria Criação, obra das minhas mãos!”

Acima, o pensamento do Homem Contemporâneo. Homem atado ao à mesquinharia chamada ordem social, esta pobre inexistente mundialmente porque a desordem não nega sua atuação verdadeiramente aceita por muitos filósofos e cientistas sociais comprovada. O Homem Contemporâneo é igualmente um pobre inexistente, um pobre escravo social. A vida do escravo social perfeito que o Homem tornou-se é apenas uma maquinação fria de um sistema corrupto, soberbo e corrompido. Ela nega algo melhor do que os elementos do seu Absurdismo absoluto por ela mesma providenciada absolutamente e afirma a sua alma materialmente decrépita. Ela acredita que o dinheiro compra seus céus particulares, a luxúria mental angaria glórias elementais, faz-se mãe da violência que ela mesma quer destruir. Ela escraviza lábios, corpos, caminhos, palavras escritas que fortalecem a ignorância acerca desta condição. Ela faz sonhar com um maravilhoso mundo futuro todo de paz e de amor, mundo que jamais com ela dominante existirá, pois os sonhos são para os tolos que vivem-nos. Ela gera um falso amor, uma paixão humana amoral moldada em enganos sobre o que significa verdadeiramente amar. Ela ri da tolerância para com a inferioridade, ou seja, ri de si mesma cultuando-se senhora guiadora da sociedade. Ela é A Desesperança, a Deusa Maior do mundo social. O Homem, incessante e eternamente, é um animal socialmente irracional devotado às mais baixas paixões.


Socialmente ordenando-se essa vida de escravo, esforços para uma suave felicidade definitiva que equilibre melhor a ordem, que é uma desordem, alcançam apenas o vento. Aqui cito Salomão, o vaidoso sábio dos sábios que percebeu muito tarde a escravidão social e a expôs no Eclesiastes. Mais vaidosa do que ele, a Humanidade organizou a sociedade que excluiu de si mesma toda sabedoria com o transcorrer do tempo. Catalizada foi a reflexão humana natural sobre as verdades de sua existência em normas sociais a serem perfectíveis, leis sociais a serem superiores às leis naturais, Estados e nações a serem dominadores. Iniciada foi assim a vida dos escravos sociais quando primeiro um ser supostamente maior impôs sobre outros o princípio da propriedade privada, como se ordenasse à Natureza:

“Esta terra deve ser minha! Aqui construirei tudo para a minha própria descendência! Quem não for igual a mim, quem não caminhar com os dois pés, quem não for da minha raça, está excluído do pacto que exercerei entre os do meu sangue! É um pacto de mútua cooperação para o bem comum, nosso, exclusivamente nosso, os senhores maiores da terra! Aqui será fincada a primeira estaca, neste primeiro solo a ser trabalhado; amanhã, pedras sobre pedras se elevarão até os céus, seremos soberanos na face da Terra! Tu, Natureza, está morta! Nós a derrubamos do Vosso Trono! Nós, agora, eternamente governaremos este mundo e de Ti não precisamos!”

Refletir sobre essas palavras, inconscientemente ditas por cada humano já escravo social em todo o mundo, a esta afirmação leva: o fincar daquela primeira estaca em imemorial época tem como resultado no hoje social uma coletividade global artificialmente construída, escravos guiando escravos em um mal viciante e viciado na origem de todo suposto bem. O bem social é um mal social, a moralidade dele é arquitetada em ideologias que sempre mais levam a ficções totais do que a realidades normais. Duvidosa é toda atitude de um “grande homem”, tão bondosamente honesto socialmente, que dá-se ao trabalho de auxiliar os excluídos da terra e de outras necessidades naturais de sobrevivência além dela. Dentro de tal homem talvez vigore uma busca por intensa satisfação pessoal, plenitude ante outros homens, interesses particulares velados. A bondade social é uma mentira, ela é inexistente; nenhum ser humano é bom socialmente e tenho extrema certeza ao dizer que apenas os animais, em sua inocência natural, são bons neste mundo. O mais considerável auxiliador dos que menos têm, criticamente observado, esconde uma fagulha de hipocrisia, socialmente é mau, naturalmente nunca será bom. O ser bom não é regido por regimes sociais convencionais, mas é um ser que por naturais atributos a nenhum ideal está ligado, auxiliando sem a pretensão de ser elogiado ou muito votado em uma eleição como agradecimento pelos seus préstimos à sociedade. O ser bom naturalmente é um ser raro e está sendo socialmente extinto.


O mal social é uma criação humana e não de um suposto ser denominado Diabo, uma infantilidade cultuada por escravos sociais cristãos, protestantes, muçulmanos e outros religiosos sempre débeis no que falam e acreditam. A tendência humana para o Mal advém do dualismo transcendental das paixões, no qual as virtudes e os vícios de cada uma são venerados mundialmente. Amor, ódio, cólera, luxúria, vaidade, enfim, toda paixão, produz uma positividade socialmente negativa, o controle delas amplifica-se impossível e a suposta indefectível sociedade escrava de si mesma eterniza essa dualidade. Transcendentais no caos social interminável que teimosamente todos os humanos tentam negar, as dualísticas paixões fazem O Homem tornar-se o vilão número um de si mesmo. As paixões sociais são os males globais melhor apreciados, é globalizada a exaltação à alienação que delas parte para cegar os olhos humanos paralisados por suas inverdades. E o ser humano, dual naturalmente, é dual socialmente; porém, se a primeira dualidade é toda positiva para a sua evolução, a segunda estagna-lhe no mesmo panorama de vida há milênios existente. Apaixonada socialmente, a Humanidade despreza a naturalidade apaixonante de ser livre como era antes do estabelecimento da sociedade. Uma má paixão, corrosiva e escravizadora, aniquiladora do verdadeiro desenvolvimento mundial que tanto almejam os humanos para verem-se livres de todos os males sociais.


A sociedade não deve acabar-se, mas voltar-se para a Natureza como aprendiz de uma Mestra que soube evoluir melhor do que ela. Contudo, O Homem não quer mais a Natureza, almeja continuar caminhando fora Dela. O animal social é isto: não é original, não é feliz, não é bom, é um escravo para si mesmo e da sociedade que construiu para viver. A liberdade natural, as paixões naturais, foram substituídas por anseios e modos de viver escravizantes. Morando em pequenas cabanas, O Homem era Homem. Hoje, é um fantoche fantasmagórico do mundo que criou e assombra-se consigo mesmo.


R.I.P., HUMANIDADE!!!


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!






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