Ponte Para Terabítia



Data de lançamento: 16 de fevereiro de 2007 (EUA)

Direção: Gábor Csupó

Música composta por: Aaron Zigman

Autora: Katherine Paterson (baseado no livro Bridge to Terabithia desta)

Roteiro: David L. Paterson, Jeff Stockwell

Música: Aaron Zigman

Direção de arte: Robert Gillies

Direção de fotografia: Michael Chapman

Figurino: Barbara Darragh

Edição: John Gilbert

Companhia produtora: Walden Media

Distribuição: Walt Disney Pictures

Elenco

AnnaSophia Robb (Leslie Burke)

Josh Hutcherson (Jesse Aarons)

Zooey Deschanel (Sra. Edmunds)

Bailee Madison (May Belle Aarons)

Robert Patrick (Jack Aarons)

Lauren Clinton (Janice Avery)


SINOPSE:


Jess Aarons (Josh Hutcherson) sente-se um estranho na escola e até mesmo em sua família. Durante todo o verão ele treinou para ser o garoto mais rápido da escola, mas seus planos são ameaçados por Leslie Burke (AnnaSophia Robb), que vence uma corrida que deveria ser apenas para garotos. Logo Jess e Leslie tornam-se grandes amigos e, juntos, criam o reino secreto de Terabítia, um lugar mágico onde apenas é possível chegar se pendurando em uma velha corda, que fica sobre um riacho perto de suas casas. Lá eles lutam contra Dark Master (Matt Gibbons) e suas criaturas, além de conspirar contra as brincadeiras de mau gosto que são feitas na escola.



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

A Imaginação é o berço de todas as grandes idéias desta Humanidade que desabrocham nas mais diversas mídias como flores do infindo jardim da humana criatividade. Para a vida de um menino como Jesse Aarons, ela é a única medida possível para se encontrar vivo no mundo, através de seus desenhos, posto que os pais praticamente o ignoram, as irmãs mais velhas o desprezam e sua pequena irmã May Belle é a única a ser-lhe simpática e agradável. A chegada de Leslie Burke à cidade, uma criança dotada de uma imaginativa alma infindavelmente criativa, que acaba por tornar-se sua amiga, dá a Jesse uma esperança a mais para sobreviver. Juntos, eles Imaginam. Juntos, eles Sonham. Juntos, eles criam Terabítia. Juntos, os dois antes solitários e únicos criadores de mundos próprios se envolvem nas maiores aventuras, nas maiores peripécias, contra o Mestre das Trevas. Tudo ocorre em uma mágica floresta que reside em um local muito especial: nossa mente em seus recantos mais inacessíveis e inexplorados.

É um maravilhamento para todo artista, este acostumado ao Imaginar e Sonhar, a segunda versão cinematográfica do livro infantil  Ponte Para Terabítia, de Katherine Patterson. Escrita pelo próprio filho desta, David L. Patterson, com a colaboração de Jeff Stockwell, é um sensibilíssimo filme que cativa, hipnotiza e encanta. Há que se ter uma determinada sensibilidade especial para compreender o papel da Imaginação dentro da história, não se trata de uma esfarrapada desculpa para a utilização do famigerado CGI, isto que atualmente está sendo usado com certo abuso e em larga escala nos blockbusters atuais cujos roteiros sequer passam por um olhar mais crítico. A Imaginação no roteiro deste filme é uma forma de demonstrar a capacidade da mesma em dar cores cada vez mais vivas e intensas a realidades demasiadamente cinzentas. É em função desta linha de raciocínio que o roteiro funciona, apontando não apenas o Imaginar como também outro importante fator a ser levado em conta em uma leitura mais amena da existência: a amizade.

A amizade entre Jason e Leslie é naturalmente trabalhada, com momentos pontuados por uma suavidade que apenas a idade dos protagonistas foi capaz de tornar livre de segundas intenções. Os dois são os típicos “esquisitos” de qualquer escola do mundo, zombados, discriminados, que sofrem quase diariamente um cruel bullying da parte dos demais colegas de escola. Em casa, os dois convivem em ambientes distintos: enquanto Jason é tratado em sua casa quase como se fosse um objeto qualquer que não merece carinho ou atenção, Leslie recebe todo o amor dos pais sendo tratada como a mais amada das filhas do mundo. Curiosamente, Leslie não assiste televisão, pois seus pais crêem que a mesma é totalmente desimportante; e vemos o contrário na casa de Jason, com uma televisão sempre ligada, alguns membros da família sempre hipnotizados diante dela. É o mesmo recado dado pelos Simpsons há anos, mas de um modo muito mais sutil.

A atuação dos atores Josh Hutcherson e AnnaSophia Robb é que conduz toda a trama. O Jason de Josh, mantendo uma expressão sempre entristecida no rosto, transmite até mesmo calado, apenas com o olhar, o que traz dentro dele. A Leslie de AnnaSophia demonstra no olhar aquele brilho que nenhum adulto possui, único nas crianças, brilho este pontuado por uma interpretação leve, alegre e segura. Os demais atores atuam na média que lhes é proporcional, tendo destaque Robert Patrick como o pai distante e fechado com Jason, do qual este a todo custo, durante quase toda a metragem da fita, quer se aproximar. Infelizmente, esta aproximação ocorre de um modo que o terço final do filme explora sem apelações para sentimentalismos baratos, desesperos e exageros interpretativos.

E este terço final de Ponte Para Terabítia deixo para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de assistir a este belíssimo e sensibilíssimo filme. Um filme infantil que cativou a muitos adultos, inclusive este Inominável Ser que vos fala, com uma condução inteligente que não trata as crianças que lhe são o público principal como desorientadas intelectualmente. Poucos filmes desse Gênero foram produzidos antes e depois deste, o que o torna especial para cinéfilos que como eu Imaginam, Sonham e, simplesmente, sobrevivem em um cinzento mundo que muitas vezes tenta matar a todos que Imaginam e Sonham. Mas, nunca consegue.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!

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