A Outra Margem Do Caminho - Jiddu Krishnamurti



“(...) O homem deve ser só, mas esse ‘ser só’ não é isolamento. Significa estar libertado do mundo da avidez, do ódio e da violência, e de seus métodos sutis, e da dolorosa solidão e desespero humanos. Estar só é estar de fora, não pertencer a nenhuma religião ou nação, a nenhuma crença ou dogma. É essa solidão que alcança uma inocência completamente imune à maldade do homem. Só a inocência pode viver no mundo, com toda a desordem nele existente, e ao mesmo tempo não pertencer a ele. Ela não se reveste de galas especiais. A flor da bondade não se encontra ao longo de nenhum caminho, porque não há caminho para a Verdade. (...)”

in: pags. 45-46


A Outra Margem do Caminho
(The Only Revolution)
Jiddu Krishnamurti
Tradução: Hugo Veloso
1° Edição
Instituição Cultural Krishnamurti
Rio de Janeiro - Guanabara
1972


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

Ao longo do livro, Jiddu Krishnamurti faz diversas reflexões sobre o verdadeiro sentido da meditação, muitas vezes transcrevendo diálogos com pessoas interessadas em seu pensamento, o qual continua formidavelmente atual e vivo. Em meio aos ricos trajetos percorridos pela explicação do que é a meditação, ele nos conduz a uma aprofundante viagem sobre a imensa e intensa problemática acerca da nossa existencialidade.

“Estou mesmo no caminho?”

“Estes passos que estou dando são mesmo em direção a algum alto sentido?”

“Sou realmente livre de dogmas, preconceitos e ismos ao escolher seguir meu próprio caminho?”

“Estou pronto para deixar-me guiar por uma mente livre de toda e qualquer externa influência?”

“Sou realmente livre ou penso que há alguma liberdade em mim que, na verdade, não passa de uma mera programação comportamental imposta pelo meio social onde vivo e me movimento?”

“Estou pronto para abandonar o arcaico pré-estabelecido para a condução da minha existência?”

“Estou pronto para tentar seguir um novo caminho?”

“Estou pronto para tentar dar novos passos?”

“Estou pronto para atravessar em direção à outra margem?”

Acima, algumas das perguntas que a leitura do livro nos inspira a fim de que as respostas sejam dadas no silêncio de uma mente completamente vazia tanto do que a tradição diz ou a família, escola e amigos ensinam como o correto para nós. Krishnamurti nos conduz a uma meditação em nosso labirinto interior, ao nosso abismo, uma cova onde podemos desenterrar o que de melhor possuímos. Ele não mostra nenhum caminho para o iniciar da cessação de todo conflito que nos rasga por dentro e por fora, no entanto.

Não mostra porque não existe nenhum caminho para o alcance de um caminho, assim como não existe nenhum caminho para o alcance da luz interior que liberta das trevas da ignorância. A mente deve buscar se incondicionar, atravessar o rio da existencialidade sem se afogar e escolher a outra margem… Margem onde nada mais existe além de um vazio quando cessa o conflito. E além desta margem, apenas o primeiro passo à frente poderá indicar se há ou não autenticidade em tal novo caminhar.

A Outra Margem do Caminho não é um livro de auto-ajuda, é um livro de rupturas. E o que deve ser rompido? Laços vários que nos impedem de seguir em frente no caudaloso rio da existencialidade.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais!

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