O Cogumelo Que Nasce Na Bosta Da Vaca Profana - Lou Albergaria



O Cogumelo Que Nasce Na Bosta Da Vaca Profana
Gênero: Poesia
Autora: Lou Albergaria
Revisão: Denise Freitas
Capa e Projeto Gráfico: Ricardo Hegenbart
Ilustrações da capa e miolo: Américo Conte
Editora: Vidráguas
Porto Alegre
168 p.
Impresso em papel Polen Bold LD 90g/m²
2011


"Estamos hoje nus
Sem nosso melhor traje
Que nos esconde 
A pele
Emoldura nossas máscaras "


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais!

A poética nudez é um avivamento do espírito que, ao verificar tal estado, desdobra-se em várias versões de si mesmo. Lou Albergaria, a autora do desnudo livro O Cogumelo Que Nasce Na Bosta Da Vaca Profana, está completamente nua ao leitor. No entanto, sua nudez total ainda assim esconde as sutilezas mais profundas da Sibila que ela é, apenas revelando a superfície, as imagens diretamente mais sensoriais que tendem a ser um ritual de conhecimento de uma poesia singularmente direta como uma dura porrada no meio da fuça.


"Meu mundo está além
Muito além
Do além-mar
Que quase ninguém tem:
Essa capacidade de amar
Me dar, me entregar..."


Entregar-se à entrega das sensações proporcionadas pela leitura de cada poema do livro é uma navegação por um mar de correntes desveladoras da própria alma que lê a si mesma. Lou é uma mulher além-de-toda-mulher e, paradoxalmente, uma mulher comum no sentido da grandeza que advém da simplicidade do Feminino poetizando acerca de louvores, loucuras e louças quebradas na mesa de jantar dos sentimentos. Ela cozinha cada verso e estes alimentam a vontade de qualquer leitor que busca degustar uma poesia sem limites conhecidos e reconhecíveis.


"Necessito a palavra nua
Despida de estilos rebuscados
Figuras de linguagens
Que camuflam sua carne"


Cada palavra da Sibila-Mulher-Poetisa que é LOUba Albergaria vai uivando pelas páginas, fora e dentro das entrelinhas dos poemas que desfilam tão nus quanto sua autora. O Cogumelo é um livro para nudistas que, em matéria de apreciação da Arte Poética sem babaquices e frescuras, tiram as vendas dos olhos e calam indagadoras discrepâncias no pensamento durante a leitura. Uma praia na qual somente frequentadores genuínos de artes despidas de vis academicismo sentem-se na própria casa tomando uma bela cachaça ao som de um riff de guitarra.


"Menininha,
Troca uma trancinha por um verso?
- é claro que não, poetinha louca!"


As palavras brincam nos versos e, às vezes, lutam. Delírios tomam inusitadas formas e o não-sentido de cada um, frequentemente, passa a ter sentido. Ironicamente, a paradoxal medida desnudante dos poemas enche o copo das expectativas dos transeuntes que passeiam pelas páginas e o esvazia não dando segunda chance interpretativa. Como dito anteriormente, é uma poesia direta que, mesmo na dureza ou na sensibilidade mais sutil, tende sempre a escapar do criticismo torto dos "entendidos" em algo risível que chamam por aí de "crítica literária". Poesia analisada com empáfia e arrogância é assassinada; poesia lida sem pedras nas mãos para o apedrejamento de quem a desenvolve é libertária. E esta é a proposta de O Cogumelo em sua livre rede de encantamentos verificados pela Lou Sibila que o consumiu na forma de um chá sem rima, métrica e mimimi. E que o leitor deve igualmente consumir assim.


"Minha poesia não é pra ser recitada em
Saraus ou academias de letras.
É pra ser lida, sentida
No fundo do estômago
No útero, no saco escrotal. "


Para quem vive das vísceras dentro da Arte e nega o esnobismo dos engravatados das Academias e dos tolos grupinhos de todos os tolos Saraus, O Cogumelo é um livro fodasticamente fundamental nascido da fodástica mente de Lou Albergaria. Pura Poesia que fica batendo forte pelas frestas e varandas, entradas e saídas do corpo, da mente e da alma. Bebam deste chá, leitores virtuais,

SEM NENHUMA MODERAÇÃO!!!

Saudações Inomináveis para todos vós, leitores virtuais!


SOBRE A AUTORA



Lou Albergaria (Ponte Nova / MG) , economista e poeta. Nasceu em 27 de julho de 1969. Autora dos livros Pessoas e Esquinas (edição da autora, 2009), O Cogumelo que nasce na bosta da vaca profana (Vidráguas, 2011), e Doida Alquimia (Patuá, 2015). Está sempre nas redes sociais esparrAmando poesia, arte e alguma transgressão. Mora em Belo Horizonte.


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