Pequenas Confissões De Um Ex-Folião




Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

É, mais um Carnaval iniciou-se e tudo que de bom e mau o mesmo comporta chegando a fazer já muito barulho pelo Brasil. Houve um tempo no qual esta festa foi muito inocente e, até mesmo divertida; tempos infantis de um país que ainda era uma criança. Hoje, violência, bebedeira, putaria e ilusões várias são as mais vastas no que chamam de uma "grande brincadeira".

Já fui um folião e minha principal preocupação nos dias de Carnaval era apalpar e me esfregar em bundas enormes de mulheres dadas, no bom e no mau sentido, que sempre são destaque durante os quatro dias oficiais da festa. Eram corpos maravilhosos, em exóticos rebolados hipnotizantes, atraindo a fascinação do animal sexual que eu sou (sim, eu sou um animal sexual, assim como você também é um, leitor e leitora virtual) em uma fantasia que negava toda a corrente da realidade fora da "grande brincadeira". Meus hormônios ficavam descontrolados, meu pênis parecia sempre em festa e todo o meu corpo parecia um reator nuclear de tantas pulsões e impulsões desregradas que jaziam em meu Ser. Eu buscava sexo, apenas sexo e nada mais do que o sexo com mulheres que nem eram tão bonitas, mas atraentes fisicamente e disponíveis a quem conseguisse conquistá-las, sempre com camisinhas na carteira. Saia, tentava, tentava e tentava... Mas, nunca comi uma mulher no Carnaval nos tempos em que este para mim algo significava e não me envergonho de confessar isto aqui de uma maneira franca e abertíssima. Toda minha busca sexual foi um completo e ridículo fracasso, algo normal para alguém que jamais pertenceu ao gado que pula Carnaval, com toda a sinceridade aqui isto afirmo.

Não quero com esta confissão dar alguma lição de moral, apenas dar a minha visão do que essa "festa" para mim é: uma imensa perda de tempo. Nem sei quem vai ler esta postagem, quem vai ler e ignorar ou, simplesmente, considerar ridícula; mas, mesmo assim, sinto a necessidade de confessar a falta de sentido que, para mim, tal "festa" possui.

Conversando com uma amiga minha outro dia, ela me disse que há diferenças entre o Carnaval das ruas e o do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, por exemplo, dizendo-me que o clima neste é muito diferente. A meu ver, pode até ser, mas a ilusão é a mesma, a ilusão de que quatro dias de "festa" possam ser capazes de fazer com que todas as decepções de um ano inteiro possam ser esquecidas; de que a catarse proporcionada pelos pulos e danças, fodas e loucura totais da "festa" possam ser capazes de catapultar alguém a um novo estado de Ser.

Nada mais errado do que crer que o Carnaval seja grandioso. Não, não é, sendo apenas um momento anual de perda da consciência, da serenidade e da sanidade que eu, que vos escrevo, no passado já senti na própria mente, corpo e alma. Nada ganhei, apenas perdi; nada me fez nela evoluir, apenas atrasei um tanto a minha própria evolução pessoal. É fácil falar disto agora? Não é, estou me esforçando para não dar uma de moralista ou reacionário aqui, mas a verdade é que DETESTO O CARNAVAL!

Perdoem-me os foliões, mas esta é a minha verdade. E, quem abriu os olhos como eu abri, sabe do que nesta confissão eu disse.

Não desejo a ninguém um "Feliz Carnaval".

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.

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