Poetas, Escritores E Artistas Em Geral Não Possuem Sexo, Cor, Raça, Credo Ou Partido Político





"A arte e nada como a arte! Ela é a grande possibilitadora da vida, a grande sedutora para a vida, o grande estimulante da vida.

A arte como única força contrária superior, em oposição a toda vontade de negação da vida; anticristã, antibudista e antiniilista par excellence.

A arte como redenção de quem conhece - daquele que vê e quer ver o caráter temível e problemático da existência, do conhecedor [-] trágico.

A arte como a redenção do homem de ação, - daquele que não apenas vê o caráter terrível e problemático da existência, mas antes o vive e quer vivê-lo, do homem que é guerreiro trágico, do herói.

A arte como a redenção do sofredor, - como caminho para estados nos quais o sofrer é querido, transfigurado, divinizado, nos quais o sofrer é uma forma do grande arrebatamento."

Friedrich Wilhelm  Nietzsche
in: A Vontade de Poder
pag.427


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

É sedutor saber das coisas que fazem parte do mundo através do artístico olhar, que é incomum e sempre busca o novo de um modo particularmente peculiar. As mais diversas redenções são possíveis dinamicamente através da Arte em qualquer das suas mágicas ramificações. Linguística e visualmente, todo artista é capaz de praticar a magia transportadora  do seu mais profundo abismo para o olhar do Outro, uma entrega do Eu ao Além-Do-Eu, a tudo aquilo que julga, opina, classifica, ramifica, exalta ou condena. O Sujeito Artístico e o Objeto Artístico confundem-se em um dado momento, mas ambos possuem suas características próprias e distintas, anunciando as mesmas a todos os tipos de olhares. Infelizmente, os olhares de muitos críticos e de muitos leigos no assunto Arte visam a concentrar suas opiniões na alegação de que os artistas tendem a ligações conceituais explícitas com etnias, religiões, sexismos e ativismos políticos vários. Para os artistas que visam apenas o lucro e o acesso fácil aos mais diversos gostos populares, artistas que não passam de pseudocriadores de realidades, até mesmo se poderia afirmar que os seus frutos artísticos atendem aos interesses especificamente citados. Porém, a Arte Poética, a Arte Literária, a Arte da Pintura, a Arte da Ilustração, a Arte do Desenho, as Artes Marciais, a Arte do Cinema, a Arte da Dança e toda forma artística explorada e produzida no Planeta Terra, quando tratada com uma liberdade além dos bens, dos males e das moralidades e amoralidades vigentes, pertence a todos que são autenticamente artistas de verdade.

Eu, Inominável Ser, sou poeta, escritor e filósofo. Não procuro compreender a mim mesmo em nenhum momento, já que o meu papel é, simplesmente, Ser. Criticar a mim mesmo ou enquadrar-me apenas no Ser-Poeta, Ser-Escritor e Ser-Filósofo tornar-me-ia vazio existencialmente; então, nesta contradição inerente ao meu Ser, esvazio-me por completo ao escrever, sempre considerando o próximo poema, conto, artigo ou livro como o primeiro poema, conto, artigo ou livro. Quando escrevo, não possuo sexo, passa longe de mim a idéia de classificar-me como macho ou fêmea; não tenho cor, sou da transparência etérea mais conservável; não tenho raça, desligo-me por completo de ligações biológicas e atávicas pertinentes e adormecidas ou despertas; não tenho religião, desconheço os vários hospícios bem organizados que controlam mentes, almas e corpos denominados religiões; e não tenho partido político, a anarquia é a minha praia, organizada a partir de maravilhosos mergulhos em meu Abismo, em minha Cova... 

O Ser-Artista difere de artista para artista, cabendo a cada um destes Saber-Ser com originalidade e autenticidade um criador, produtor, recriador e reprodutor de realidades. Quem melhor está a compreender este post até aqui é artista, seja de qual área for, raciocinando junto comigo, artisticamente moldando sua própria opinião sobre o Ser-Artista. Não vou apenas utilizar a mim mesmo como exemplo das idéias que aqui defendo, mas vou evocar e invocar alguns dos eternos artistas que são as minhas afinidades eletivas, estando frequentemente presentes em meus blogs.



Dante Alighieri. Ser-Artista-Poeta. Esqueçamos seu pensamento e ativismos políticos, nos centralizemos nos maravilhosos mistérios transcendentais descritos na Divina Comédia. Tendo Beatriz como a iniciadora chama de sua divina poesia e caminhando como Aprendiz do fundo do Abismo ao Mais Alto Do Alto, Dante criou uma obra-prima não-vinculada a qualquer tipo de Iniciação. Como o bardo que se expande e molda poetizando, ele chegou ao ápice da Deusa Poesia atingindo muito mais do que a Imortalidade.




Gustave Courbet. Ser-Artista-Pintor. Realista de uma magia invulgar, suas pinturas negavam todas as estéticas anteriores nas respectivas épocas de suas públicas apresentações. Sem nada de politicamente visível nelas, apesar de muito forte ser o pensamento político de Courbet, são caracterizadas por narrarem em si mesmas aquilo que representam. Considero A Origem Do Mundo como sua obra-prima, aberta a amplas observações, análises e críticas que ultrapassam o convencionalismo de tratar obra ainda tão polêmica no modo apenas da contextualização pictórica do Erotismo e da Pornografia.


 

Luis Royo. Ser-Artista-Ilustrador. Simplesmente, O Mestre, pertencente ao grupo que eu denomino de A Trindade Sagrada Da Ilustração, a qual conta ainda com Boris Vallejo e Julie Bell. Women, Dreams, Malefic, Labyrinth Tarot, Dome, Prohibited... Algumas de suas marcantes obras nas quais ele apresenta o domínio total do poder de sua técnica, de sua Arte, de seu envolvimento completo no Imaginar e Realizar. Toda a obra dele permite ligações com a Magia e o Ocultismo; no entanto, paradoxalmente, suas ilustrações não se restringem apenas a elementos gráficos magicamente literais e estão além do campo mágico-ocultista. Na linguagem gráfica, Royo é um Mago Maior, alguém que não necessita confessar ou professar uma crença qualquer para poder efetivamente configurar toda a plena extensão de sua Magia Criativa.




Didier Carré, Ser-Artista-Fotógrafo. A nudez gera apenas um detalhe simples para a complexidade narrativa das fotos deste uq eé um dos melhores em sua Arte. A vagina aberta ao olhar é apenas um detalhe; o ânus aberto ao olhar é apenas um detalhe; a fonte que maximizadamente modela o não-detalhe invisível de cada foto é o que as caracteriza para, como no caso de Courbet, estar muito além do Erotismo e da Pornografia. Apenas mulheres nuas você vê, amigo? Apenas "vadias nuas" você vê, amiga? Basicamente, tudo assim pode ser; elementarmente, tudo nas fotos dele nem sempre é o que se pode visivelmente perceber.




Machado de Assis. Ser-Artista-Escritor. El Brujo, uma inspiração de muitos escritores e a aspiração e respiração de todos os escritores, o exemplo máximo da Arte Literária que neste mundo podemos conceber. Se Capitu traiu Bentinho ou não, isto é apenas um detalhe de uma grande obra que jamais envelhecerá ou será esquecida enquanto houver um leitor e um escritor que o tenha como um dos Grandes Magos Das Letras. Um Mago que fez encantamentos falando de todos os vértices das virtudes e dos vícios humanos com os olhos de um hierofante que se distancia tanto do Alto quanto do Abismo para poder compreender a Existencialidade. E cada livro dele é tanto uma parte do Alto e do Abismo em proporções humanamente adentráveis pelas mentes leitoras mais capazes.

Eu poderia continuar, me expandir prolongadamente, falando de TODAS as minhas afinidades eletivas, mas tal empresa tornaria este texto intensivamente enfadonho. Por isso, utilizei cinco exemplos como objetos de estudo para definir a afirmação que faço no título deste post. Pode até ser que este post tenha se negado a ser mais longo por causa do assunto apresentado no título do mesmo; mas, ganhou a simplicidade e a humildade de falar de um tema tão complexo sem uma abusiva explanação e exposição dos conhecimentos deste Inominável Ser que vos fala. Às vezes, a simplicidade na Arte de Escrever torna-se bastante necessária, evitando a amostra indesejável de uma arrogância grandiosa mesmo que se queira apenas ser argumentativamente prolífico e claro em toda frase ou palavras.

Cinco ou cinco mil exemplos continuariam a afirmar o afirmado no título deste post. Escolher a dose certa da bebida correta dada aos que me lêem faz parte de minha Arte.

E a vossa Arte?

A vossa Arte, leitora?

A vossa Arte, leitor?

É sexualizada?

É racial?

É étnica?

É religiosa?

É política?

Ou é, simples e literalmente, ARTE?

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.


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