Três Sonetos Luxuriosos De Pietro Aretino





Questo è un libro d’altro che sonetti,
Di capitoli, d’egloghe o canzone,
Qui il Sannazaro o il Bembo non compone
Nè liquidi cristalli, nè fioretti.
 
Qui il Marignan non v’ha madrigaletti,
Ma vi son cazzi senza discrizione
E v’è la potta e ‘ l cul, che li ripone
Appunto come in scatole confetti.
 
Vi son genti fottenti e fottute
E di potte e di cazzi notomie
E ne’ culi molt’anime perdute.
 
Qui vi si fotte in più leggiadre vie,
 Ch’in alcun loco si sien mai vedute
Infra le puttanesche gerarchie;
 
In fin sono pazzie
A farsi schifo di si buon bocconi
E chi non fotte in cul, Dio gliel perdoni.
 
 
 
Mais que sonetos este livro aninha,
Mais que éclogas, capítulos, canções.
Tu, Bembo ou Sannazaro, aqui não pões
Nem líquidos cristais e nem f lorinhas.
 
Marignan madrigais não escrevinha
Aqui, onde há caralhos sem bridões,
Que em cu ou cona lépidos dispõem-se
Como confeitos dentro da caixinha.
 
Gente aqui há que fode e que é fodida,
De conas e caralhos há caudal
E pelo cu muita alma já perdida.
 
Fode-se aqui com graça sem igual,
Alhures nunca assaz reproduzida
Por toda a jerarquia putanal.
 
Enfim loucura tal
Que até dá nojo essa iguaria toda,
E Deus perdoe a quem no cu não foda.
 
 
 
Qui voi vedrete le reliquie tutte
Di cazzi orrendi e di potte stupende,
Di più vedrete a far quele faccende
Allegramente a certe belle putte.
 
E dinanzi e di dietro darle tutte
E nelle bocche le lingue a vicende,
Che son cose da farne le leggende,
Altro che di Morgante e di Margutte.
 
Io so che gran piacer n’avrete avuto
A veder dare in potta e ‘n cul la stretta
In modi che mai più non s’è fottuto.
 
E come spesso nel vaso si getta
L’odor del pepe e quel de lo stranuto,
Che fanno stranutar con molta fretta.
 
Così nella barchetta
Del fotter, all’odor, cauti siate,
Ma dal satiro qui non imparete.
 
 
 
Aqui toda relíquia se desfruta —
Caralho horrendo, cona resplendente,
Aqui vereis fazer alegremente
O seu ofício muita bela puta.
 
Na frente, atrás, em valerosa luta,
E a língua a ir de boca a boca, ardente
— Sucesso mais lendário certamente
Que os feitos de Morgante ou de Marguta.
 
Que notável prazer não tereis tido
De ver a cona ou o cu nessa apertura,
Em modos incomuns de ser fodido.
 
E como o vaso do odor se satura
Da pimenta ou rapé ali retido
(O mesmo que a espirrar nos apressura),
 
Cuidado haveis de ter,
A bordo da barquinha de foder,
Com esse odor que o sátiro conjura.
 
 
 
Per Europa godere in bue cangiossi
Giove, che di chiavarla avea desio,
E la sua deità posta in obblio,
In più bestiali forme trasformossi.
 
Marte ancor cui perdè li suoi ripossi,
Che potea ben goder perchè era Dio,
E di tanto chiavar pagonne il fio,
Mentre qual topo in rete pur restossi.
 
All’incontro costui, che qui mirate,
Che pur senza pericolo potria
Chiavar, non cura potta nè culate.
 
Questa per certo è pur coglioneria
Tra le maggiori e più solennizzate
E che commessa mai al mondo sia.
 
Povera mercanzia!
Non lo sai tu, coglion, ch’è un gran marmotta
Colui che di sua man fa culo e potta.
 
 
 
Para gozar Europa, em boi mudou-se
Jove, pelo desejo compelido,
E em mais formas bestiais, posta no olvido
A sua divindade, transformou-se.
 
Marte perdeu também aquele doce
Repouso a um Deus somente consentido,
Por seu muito trepar foi bem punido,
Qual rato que na rede embaraçou-se.
 
Este que ora mirais, em contradita,
Podendo, sem perigo, a vida inteira
Trepar, a cu nem cona se habilita.
 
Pois isso, que é sem dúvida uma asneira
Inaudita, solene, verdadeira,
Nunca mais neste mundo se repita.
 
Insossa brincadeira!
Pois não sabes, meu puto, que é malsão
Fazer boceta e cu da própria mão?

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