A Ética de Baruch de Spinoza: O LIVRO



"Dou por concluido, com isso, tudo o que eu queria demonstrar a respeito do poder da mente sobre os afetos e sobre a liberdade da mente. Torna-se, com isso, evidente o quanto vale o sabe e o quanto ele é superior ao ignorante, que se deixa levar apenas pelo apetite lúbrico. Pois o ignorante, além de ser agitado, de muitas maneiras, pelas causas exteriores, e de nunca gozar da verdadeira satisfação do ânimo, vive, ainda, quase insconsciente de si mesmo, de Deus e das coisas, e tão logo deixa de padecer, deixa também de ser. Por outro lado, o sãbio, enquanto considerado como tal, dificilmente tem o ânimo perturbado. Em vez disso, consciente de si mesmo, de Deus e das coisas, em virtude de uma certa necessidade eterna, nunca deixa de ser, mas desfruta, sempre, da verdadeira satisfação do ânimo. Se o caminho, conforme já, demonstrei , que conduz a isso parece muito árduo, ele pode, entretanto, ser encontrado. E deve ser certamente árduo aquilo que raramente se encontra. Pois se a salvação estivesse à disposição e pudesse ser encontrada sem maior esforço, como explicar que ela seja negligenciada por quase todos? Mas tudo o que é precioso é tão difícil quanto raro."

Baruch de Spinoza
in: Ética, pag.411


Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

Tudo de mais precioso e transcendente pode ser encontrado na Ética de Spinoza, em uma maravilhosa e digna tradução realizada por Tomaz Tadeu para a Autêntica Editora. Primorosa tradução, primoroso texto, primoroso rigor na explanação do que apenas sob a perspectiva da eternidade somos capazes de verdadeiramente compreender: Deus.

Em minha mais pessoal opinião, Spinoza, Nietzsche, Kant e Jesus (este, O Maior De Todos Os Filósofos Da História Da Humanidade, também na minha opinião) são os que mais me inspiram em matéria filósofica. Tirar o melhor de cada um, compor uma visão própria e arriscar uma filosofia que amplamente a tudo discuta é o que objetivo; sendo assim, há, em mim, um nítido casamento dos quatro pensamentos mencionados, o espinosista, o nietzscheano, o kantiano e o jesuístico. Como não pode assim ser? Como, se os quatro entram em conflito, conforme a opinião vulgar dos acadêmicos? Estou sendo um louco ao afirmar que os quatro, acima, possam servir em um único conteúdo como inspiração para todo homem e toda mulher que ousam pensar?

Não estou sendo e tudo pode ser explicado no que vou afirmar acerca da Ética. Este livro sintetiza tudo o que Jesus veladamente disse aos seus discípulos mais próximos acerca de Deus com uma impetuosidade nietzscheana vigorosa (apesar de um tanto quanto contida) e uma rigorosa regra kantiana de investigação em termos geométricos que remete a mente do leitor a um sintético movimento de confirmação, em si mesmo, do que cada definição, axioma, proposição, demonstração, escólio e corolário quer dizer. É um livro que julgo ser a síntese do que foi o Cristianismo em seus primeiros tempos, um livro ainda hoje revolucionário e precioso para todos aqueles que, como Spinoza, não se incluem entre os ignorantes a aceitarem todas as verdades ditadas pelas religiões e pelas instituições de ensino.

Spinoza é claramente dotado, em cada letra, de uma clareza afirmadora da sabedoria que advoga como essencial para conhecermos claramente a Deus. Ele analisa os afetos e as afecções humanas, separando-as e relacionando-as como simplesmente obras da nossa ignorância; e anuncia que podemos nos libertar dessa escravidão através do amor intelectual a Deus, o qual a Si Mesmo Ama e, portanto, por causa daquele amor, igualmente nos ama. Nenhuma religião originada a partir dos Evangelhos será, jamais, capaz de compreender a Ética; igualmente, todos que se dizem "especialistas" em Spinoza, jamais, em verdade, compreenderão a imanência tão absolutamente palpitante que transborda das páginas do mesmo.

O Livro, sim, O Livro, deve ser lido com uma consciência que buscamente o que é mais raro de ser encontrado, tanto quanto Deus: A Deusa Sabedoria. Deve ser lentamente lido, meditado a priori e a posteriori, sendo, então, consagrado à mente como uma potência realizadora do intelecto próprio de todos aqueles que valorizam um pensador que, mesmo ainda sendo tão desprezado pela cultura oficial de um mundo que a tudo aceita de mão beijada, sem nunca questionar, é um dos Grandes da História Do Pensamento Da Humanidade.

Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.

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