Poesia E Loucura: Um Exame Da Arte Poética A Partir De Uma Poesia Inominável - Parte IV


Saturno Em Leão,

Em conjunção cim o Sol

Na sexta casa,

É o provado povoado

Do qual se originam

Todos os meus fracassos,

Todas as minhas perdas,

Todas as minhas misérias,

Todas as minhas maldições,

Todas as minhas desgraças,

Todas as minhas lágrimas...

O Sol tenta em mim nascer,

Saturno Filho Maior De Cronos

Detém todo o alvorecer

De melhores dias

Para o meu desenvolver-me

Neste mundo desgraçado

Que assiste ao Sol nascer

Ardoroso externamente,

Frio eternamente por saber

Que nenhum humano merece

O seu aparecer diário

No firmamento terrestre.

Orações ao Sol ergui,

Orações a Saturno ergui,

Como doem os meus joelhos,

Ajoelhado orando fiquei

Em roto desespero aberto,

Nada melhorou nada avançou

Nada mudou nada ocorreu...

Lições venho aprendendo,

Muitas Lições...

Aprendo,

Mas não assimilo aceito gosto...


10 de Setembro de 2006


Reminiscências de fatos dos maiores e dos menores desencantantes momentos anteriores perfazem a altitude do padrão poético mais contundente da arte de portizar. Os poetas e as poetisas, quase que como fossem dotados de permanentes lembranças de Existências Anteriores, lembranças grandiosas quais relâmpagos iluminantes d'alma e eventuais como brisas passageiras por campinas e vales, revelam em muitos poemas o que fica da memória da alma imortal em suas atuais respectivas Existências. Em cada época, em cada país e em cada raça houveram poetas e poetisas que se lançaram, através de versos, na busca narrativa de suas anteriores experiências, sempre sob os maiores e melhores signos, sejam estes de infortúnio ou de esperança. Ao citar aqui referências a Existências Anteriores, toco no sentido velado dos versos acima, uma loucura contemporanea poética cujas raízes estão no passado, o passado desta vida, o passado em Existências Anteriores. Saturno, Leão, perdas, misérias, maldições, desgraças, lágrimas: todos os elementos, na poética mente, que servem como referências explicativas do porquê das diversas quedas em todas as fases da vida. Todo poeta e toda poetisa possuiram, possuem e possuirão seus próprios elementos explicativos para as suas quedas, sejam estas as quedas longas, as quedas curtas, as quedas permanentes ou aquele tipo de queda que passa sem ser vista diante de seus olhos. As Lições são duras para aqueles que muito sonham e os que muito sonham, claro, são poetas, são poetisas; a fé na melhora, a fé na ruptura das inglórias passagens da vida, a fé na libertação das correntes das dolorosas lágrimas, movimenta ondas que podem acelerar ou diminuir o sofrimento e a dor. Na loucura lacrimosa, um poeta e uma poetisa são verdadeiros intérpretes fiéis da Deusa Dor, do Deus Sofrimento e da própria Deusa Loucura; no processo todo dessa loucura, as erradas e as corretas distâncias percorridas podem permanecer como as chaves de novas prisões ou as chaves de portas que levem a algum tipo de confortante paraíso artificialmente pela mente modelado. No entanto, é apenas no sofrimento; apenas na dor; apenas no desencanto; apenas no infortúnio; apenas no desconforto; apenas no desvio dos ilusórios humanos caminhos da mais falsa das felicidades, é que aqueles que poetizam podem tentar retirar de suas diárias lições a conduta que encaminha para as mais fundamentais dinâmicas paragens de livres altas montanhas de suavidade e sanidade. Porém, como humanos que são, pelo menos lá no fundo, por menor que seja, de suas personalidades, poetas e poetisas rebelam-se contra as condições mais precárias de suas vidas, não suportam e nem querem mais Lições, não aceitam e nem suportam as Lições. E, com tudo isso, com toda essa rebeldia, louca rebeldia, o resultado mais óbvio se dá desta maneira: MAIS POESIA NASCIDA DA LOUCURA POÉTICA DA REBELDIA. Se um poeta ou uma poetisa não é partidário da Rebeldia, ele e ela não são poetas, são apenas preenchedores de folhas de papel em branco ou da página do editor de textos preferidos instalado em seus computadores.

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