Poesia E Loucura: Um Exame Da Arte Poética A Partir De Uma Poesia Inominável - Parte III


Solos novos nascem

A partir dos desconhecidos

Subsolos do Eu meu

Subterraneamente

Encarcerando-se em dores

Para libertar-se

Em alegrias.

Do eu verdadeiro meu,

O Outro Eu meu,

Vou seguindo a dilacerar

As minhas muitas inimigas

Denominadas marcas

De antigos dias dados

Aos antigos momentos

De inférteis laços.

Ergo mendicante

Os braços meus

Para pedir auxílio

Dos gigantescos exílios

Que nos países antigos

Nos quais antigo cresci,

Auxiliar para poder fincar

com novo poder

As minhas novas bandeiras

No solo que hoje piso

Construindo o solo

Que amanhã pisarei.

Entregue ao meu Raio,

Vou Caindo,

Vou Ascendendo,

Sem ida eu vou,

Sem chegada eu chego,

No Eu vou,

No Outro Eu chego.


08 de agosto de 2006


A Multiplicidade é uma garantia da criativa loucura poética. Nos poetas e nas poetisas, a necessidade de diversas e heterogêneas vozes é a maneira essencial da chama inapagável e inabálavel da criacionista capacidade de poetizar a Existencialidade em suas diversas modalidades. Os Eus se dividem em grupo, brigam, falam entre si, avistam O Abismo, avistam O Céu, ficam acima, ficam abaixo, calam-se, murmuram, GRITAM!!! É sempre uma tumultuosa benção a inspiração poética, é do caos que surge todo tipo de poesia: do caos carnal, a Poesia Erótica; do caos romântico, a Poesia Romântica; do caos da revolta, a Poesia Marginal; do caos existencial, a Poesia Existencial; do caos social, a Poesia Social; do caos religioso, a Poesia Religiosa; do caos místico, a Poesia Mística; do caos transcendental, a Poesia Transcendental; do caos inominável, a Poesia Inominável. O Caos é a Fonte De Poder Poético Maior, das confusas observações do mundo e dos mundos surgem as definições da realidade a partir dos imortais olhares poetizantes da cotidiana mensagem de vida da realidade. Os Eus dizem, cada um, a verdade, e nunca uma mentira; em seu Eu, a poetisa encarna o sensível modo de interpretar o seu sentimento por seu amado dentro de seu particular poético mundo; em seu Eu, o poeta exalta sua musa em direção aos braços da Deusa Eternidade, unindo as suas visões pessoais às grandes visões do mundo que o rodeia. Como Um Raio Ascendendo, A Deusa Poesia É Múltipla. Como Um Raio Caindo, A Deusa Poesia É Una. Múltipla na pena das poetisas. Múltipla na pena dos poetas. Una no poema concluido. Una no poema a ser escrito. Escrito por um Eu entre vários Eus. Concluido por vários Eus dentro de um Eu. A pena é o molde. O papel ou a tela do computador são as molduras. A pena é a causa. O papel ou a tela do computador é a consequência. A pena é o campo. O papel ou a tela do computador é o agricultor. A pena é um pássaro. O papel ou a tela do computador é o céu a ser percorrido. A pena é a estrada. O papel ou a tela do computador é o veículo a ser conduzido. A pena é a mulher aguardando o seu defloramento. O papel ou a tela do computador é o homem que totalmente realizou a mulher como verdadeiramente amada. A pena identifica aquele Eu que se liberta das amarras e jaz eternamente nas poesias mais eternas, como A Divina Comédia de Dante Alighieri. Dante, O Poeta, O Mago, O Profeta, O Mestre, O Iniciado e O Imperador Dos Poetas, revelou todos os seus Eus naquela Divina Obra Mágica. Poetas E Poetisas Realizam A Obra Em Negro. Poetas E Poetisas Realizam A Obra Em Vermelho. Poetas E Poetisas Realizam A Obra Em Branco. Os Eus, alquimicamente, transbordam. Os Eus, alquimicamente, transformam. Os Eu, alquimicamente, transcendem uns aos outros. Ao fim, Outro Eu surge: O Verdadeiro Eu Que Poetiza.


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