Sobre Bruce Lee, A Lenda



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.


Apresentado pela CNT, Bruce Lee, A Lenda é uma daquelas maravilhosas raras surpresas que, de vez em quando, a televisão nos proporciona. Contando a vida de um dos ícones maiores do século passado, Lee Siu Loong (Pequeno Dragão), Lee Jun Fan (Retorno a São Francisco) ou, como é mais conhecido, Bruce Lee, é o que se pode chamar de Deus Das Artes Marciais. Muitos atores, após ele, artistas marciais, podem hoje ser vistos como célebres por diversos motivos; no entanto, Bruce é uma eterna celebridade que não ficou apenas nos habituais quinze minutos de fama tão comuns aos desprovidos de maiores talentos artísticos. Chuck Norris, Steven Seagal, Jean-Claude Van Damme, Jet Li, Jackie Chan, Tony Jaa, Mark Dacascos e tantos outros atores-lutadores devem muito a ele, o primeiro que se destacou com maior vulto dentre todos os que eram vistos nos filmes de Artes Marciais. Estas, se hoje são o que são, devem tudo a Lee, que proporcionou os diversos motivos para os posteriores desenvolvimentos e movimentos divulgatórios de estilos como o Kung Fu, Aikido, Jiu Jitsu, Muay Thai e tantos outros que ele estudou. E ele será eternamente visto como uma estrela maior dos filmes de Artes Marciais por diversos motivos, dentre os quais enumero nove:


1º. Era um ator com uma capacidade expressiva imensa, transmitindo no olhar a essência de todos os personagens que interpretou.


2º. Diferente de muitos atores de sua época e da atual, que fazem uso de dublês, em 100% das cenas era ele mesmo se movimentando e realizando tudo aquilo que vemos em seus quatro principais filmes (O Dragão Chinês, A Fúria Do Dragão, Operação Dragão e O Jogo Da Morte).


3º. Seu carisma é um fator respeitável, é algo inerente ao seu talento e à sua constituição como o grande Mestre que ele era e ainda é, para muitos.


4º. Sua dedicação aos filmes, mesmo que alguns destes tenham tido roteiros fraquíssimos, foi tamanha que, dificilmente, se poderá enumerar após ele outro ator-lutador tão dedicado quanto o mesmo.


5º. Ele não foi apenas porradaria, foi filosofia, uma filosofia viva que se aplicava a cada golpe, algo com um sentido que resultava na própria maestria de sua arte.


6º. Persistência, tenacidade e teimosia eram sua marca suprema, a responsável pela sua qualidade em contagiar as massas até os dias atuais.


7º. A perfeição se aproximava dele a todo momento e a sua busca por ela, constante, é transmitida a cada um que realiza-se admirando-lhe os filmes.


8º. A eficiência e a inteligência raras em atores-lutadores era a sua marca maior, fazendo-lhe captar a quintessência de seu estilo, Jeet Kune Do, de um modo peculiarmente concreto.


9°. As potencialidades várias de sua sinceridade, que percorreram todos os seus ricamente vividos trinta e três anos de idade.


E na série, Danny Chan, o ator que interpreta Bruce Lee, nos proporciona a bela chance de conhecermos todas essas características, já que sua atuação é das mais sublimes e altíssimas. Fisicamente parecido, encarna O Mestre Lee com um amor que é declarado pelo olhar e, algumas vezes, em algumas expressões de seu rosto, vemos o próprio Lee manifestar-se. O roteiro é outro destaque, já que nos conduz de um modo lento, e nada monótono, em cada passo da carreira de Lee, assim como nos detalhes de sua vida íntima e seus relacionamentos tanto com amigos quanto com inimigos. É uma história muito abundante em simbolismos e é de um símbolo ainda vivo que a mesma trata. Símbolo porque ele declaradamente influenciou as gerações posteriores de atores-lutadores, muitos dos quais foram alunos dele, como Chuck Norris, que participa de uma clássica luta contra Lee em O Vôo Do Dragão. É imparcial e não deixa nem de lado a tão falada arrogância que ele possuia; mas, no fundo de toda a personalidade dele, creio que a palavra “arrogância” não pode ser bem aproveitável. Lee queria o reconhecimento, almejava o reconhecimento e teve o reconhecimento, tanto nas Artes Marciais quanto no Cinema, não para ser “O Cara”, mas, sim, para compartilhar com o mundo inteiro acerca da Verdadeira Essência Das Artes Marciais. Muito me agrada, e a outros também, a exibição aqui no Brasil desta série, a melhor produção atualmente a ser exibida na televisão aberta, em um momento delicado para o conceito de Artes Marciais, algo que será o tema de um futuro artigo.


No momento, há algo na série que nos faz pensar: para onde foi, atualmente, a filosofia das Artes Marciais? Para onde foi, em um momento no qual o MMA se parece mais com uma luta de gladiadores ou uma rinha de galo na qual os lutadores apenas querem superar uns aos outros sem oferecerem à Arte Da Luta algo maior? Que me perdoem todos os seguidores e amantes, lutadores e simples simpatizantes, da porradaria explícita do que antigamente se chamava Vale Tudo, mas a qualidade e a quantidade de lutadores de MMA, assim como suas lutas atualmente divididas por categorias, não condiz com as propriedades elevadas da conceituação filósofica marcial mesmo que Mestres conceituados sejam treinadores de alguns. Na série, percebemos que Lee não era apenas um simples porradeiro ou um buscador de desafios apenas para satisfazer o seu “ego de macho poderoso” ou a inútil alimentação do desejo de se tornar “o lutador mais invencível do mundo”. Claro que há no MMA exceções, lutadores que pensam como ele e que buscam nas lutas compartilhar suas técnicas com os adversários, demonstrando uma saudável forma de ser um artista marcial. Paradoxalmente, o MMA é algo que torna as Artes Marciais apenas uma maneira de fortalecimento do corpo e não do espírito. E o fortalecimento do espírito vemos na trajetória de Lee, do Wing Chun ao Jeet Kune Do, passando pelos vários reveses e demais dificuldades pelas quais passou, até mesmo, como a partir da semana passada foi mostrado na série, a época na qual esteve impossibilitado de se locomover normalmente após a sua luta contra um adversário desleal, “Pele Amarela”.


Falando nesta luta, foi uma das mais emocionantes a cena que se seguiu após esta, com Lee ainda no hospital e recebendo a visita dos Mestres da Associação De Kung Fu da Califórnia, os quais ajoelharam-se perante ele pedindo-lhe perdão pelo ocorrido. Foi o ponto alto da série e da vida dele, algo inesperado e não premeditado, tanto que fundamentou a sua aceitação pelos praticantes tradicionais de Kung Fu acerca do fato dele ensinar a não-chineses a sua Arte. Estou amando assistir a Bruce Lee, A Lenda, uma produção que vale a pena em todos os sentidos, não apenas nas cenas de luta e, também, nos conflitos tão humanos que se apresentaram à existência material de Lee. De segunda a quinta-feira, às dez e meia da noite, já há, para os que cresceram assistindo a filmes de Kung Fu e demais Artes Marciais, um programa ideal e inesquecível; o mesmo digo aos que, simplesmente, querem conhecer acerca do homem fabuloso e dinamicamente draconiano que foi Bruce Lee, O Eterno Dragão Chinês Maior.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.

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