Poesia E Loucura: Um Exame Da Arte Poética A Partir De Uma Poesia Inominável - Parte I


Nas energias das naturezas

Do Raio Nas Tempestades,

Das Chuvas Nos Invernos,

Dos Ventos Nos Vales,

Encontro as minhas mãos

Oferecendo ao

Coração Dos Mundos Da Criação

Doze orações em sete dias

De semanas eternas.

Minha mão direita,

Como que abençoada

Pelo Caminho Da Mão Direita,

Suporta O Raio,

Suporta As Chuvas,

Suporta Os Ventos,

Suporta Inomináveis senhdas,

No Círculo Da Trindade

Da Natureza Terrestre.

Fora desta maldita carne

Encontrei-me com

O Espírito Da Deusa Terra

Tendo ao meu lado

Uma das filhas Dela,

Denominada Valéria Das

Mil Flores.

Senti O Raio,

Senti As Chuvas,

Senti Os Ventos,

O Raio atingiu-me,

As Chuvas molharam-me,

Os Ventos carregaram-me!

Por alguns instantes fora do Tempo

Estive livre de toda tristeza minha,

Estive feliz na Energia!


01 de maio de 2006



A Energia, somente uma Energia, somente A Energia. A que se destina tal poético pensamento? A uma explanação acerca de uma pequeníssima energia? A uma aplicação de um reles sonho a uma reles energia, qualquer energia? A um sonhar, sim, um sonhar muito alto dentro da Grande Energia Creadora? Talvez um pouco ou muito desta chegada a um nível bem próximo da Energia esteja presente nos versos acima. Pouco exatamente porque é sinuosamente complicado querer avaliar o Creador apenas com humanas palavras; muito porque já é um começo, para todo e qualquer poeta, transitar através de alguma tentativa de aproximação com a Grande Origem. É um percalço bem duro para os não-poetas querer arremeter contra todo tipo de explicação acerca do que se convém denominar de Deus, o que, para os leitores mais espiritualmente avançados de Baruch de Espinosa, é apenas mais um dos infinitos atributos da Unidade. No poema acima, esta Unidade é denominada Energia, esta que se situa na chave de ligação com os seguidores tanto do Caminho Da Mão Direita quanto do Caminho Da Mão Esquerda; sendo apenas Uma, Ela pode ser utilizada de diversar maneiras, tanto para o que se denomina Bem quanto para o que se denomina Mal. O Raio, uma Manifestação Da Energia que Ascende, que Desce. As Chuvas, outra Manifestação Da Energia, que Inundam, que Banham. Os Ventos, uma terceira Manifestação Da Energia, que Arrastam, que Suavizam. Na Poesia, leitores virtuais, não há uma lógica ordenação para a concepção poética, tudo advém da mais natural das sendas criativas oriundos da Energia que se revela através das mãos de todos os poetas. Não há limites dentro de uma sanidade civilizada, isto é, uma sanidade que dita um determinado comportamento para cada situação interna e externa; não há sanidade, poetas sonham com A Energia, poetas sonham com a Unidade, há uma Fada como companhia para cada poético delírio dentro de todas as Manifestações Da Energia. No caso do poema acima, a Fada Valéria Das Mil Flores, uma companhia minha bem adorável, uma companhia minha bem amiga, uma companhia bem sorridente minha, uma companhia bem adiante, mais do que eu, no seguir o Caminho Da Energia. Crer em Fadas é uma poética maneira de atrair a atenção delas, para os poetas uma Fada é também parte da Grande Vida, é uma Filha Maior Da Natureza Revelada, algo que se apresenta de diversas maneiras em diversos poetas e em diversos poemas. Acima, uma maneira de um poeta em um poema... Uma porta aberta loucamente conforme a visão do mundo, mundo no qual a Energia transita e quer que sejamos loucos para navegar Nela. Pois, como uma pessoa plenamente sã poderia ter a coragem de, em um mundo que possui uma maioria de habitantes não sabe mais sonhar, buscar dentro do Sonhar a Unidade Que Se Revela Em Infinitos Atributos Na Criação E Na Terra? Acima, amaldiçoada é a carne porque exatamente é a carne que limita todo ser humano a Ser Mais, a Ser Muito, a Ser Tudo; e todo poeta, ultrapassando a sua carne, É Mais, É Muito, É Tudo. Mais, fora do Tempo. Muito, fora do Tempo. Tudo, fora do Tempo. E A Energia Assim Arrasta De Volta Para Si Todos Que Contemplam Sua Verdade.


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