As Representações Do Nu Artístico Feminino Na Visão Do Belo E Do Sublime - Um Prefácio


O observar do corpo feminino sempre fascinou a este filósofo. Sendo de maneira a desejá-lo ou simplesmente a admirar-lhe a disposição dinâmica e harmônica de cada forma anatômica em si mesma, a curiosidade deste filósofo sempre foi despertada pela visão de um corpo feminino. Sendo este de qualquer forma, digo, disposto em sua estrutura de acordo com o biotipo das mulheres que o portavam, a medida de toda disposição do mesmo remeteu sempre o olhar curioso investigativo deste filósofo. Escrevo este prefácio em minha morada e estou no 3º período do curso de Filosofia no Instituto De Filosofia E Ciências Sociais da UFRJ. A disciplina Estética I estou neste período a cursar e, inspirado no que de base e método de estudos ela tem a oferecer, este filósofo resolveu iniciar esta obra que desenvolverá uma Teoria Estética-Dialética Do Nu Feminino, conforme as representações artísticas que o aproximam de um determinado ideal de corpo perfeito ou o afastam deste mesmo ideal.

O porquê do nu feminino para esta obra não está no fato deste filósofo ser heterossexual ou possuir alguma forma de homofobia digna de um tratamento psiquiátrico. Os ingênuos do senso comum poderão achar esta obra um trabalho de apenas um homem obcecado pelo corpo feminino, tão apegado ao erotismo que tal corpo sugestiona aos sentidos de um indivíduo da espécie masculina que vive de admirar tresloucadamente a feminilidade. Admitir o contrário, que este filósofo não é um admirador voraz da observância do corpo feminino, seria conduzir-se a um hipócrita estado de atuação no filosofar. Este filósofo aqui a escrever admite a sua admiração pelo corpo feminino, mas encontra também neste mesmo uma forma de identificar almas.

Almas identificáveis corporalmente? Almas identificáveis através do anatomismo de seus invólucros materiais? Aos olhos estéticos mais apurados, leitores de todos os sexos possíveis, as almas de seres dotados de plenas faculdades de discernimento e sentido existencial podem ser percebidas. E o maior dos caminhos de tais percebimentos bem sutis e a exigirem atenção máxima daqueles que se expandem em tal perceber é o caminho estético. O espírito, a manifestação mais expressiva d'alma de todo ser dotado de plenas faculdades de discernimento e sentido existencial, atentamente pode ser observado pelo olhar estético verdadeiramente centrado no poder de verdadeiramente ser um observador compenetrado em seu sentido estético de exercício da sua plasticidade elementar analítica interna. Se os olhos são o espelho d'alma, o corpo físico todo em seu conjunto harmonicamente erguido em base firme, seja esta base como for, o corpo, é em síntese a realidade realizadora d'alma na fenomenalidade material.

As formas feminis, mais do que as viris, comportam muito mais ainda além de realidades realizadas de suas almas. Há o encanto misteriosos que apenas as mulheres possuem, o encanto presente em seus profundos recantos corporais. Muito se pode dizer que a História sempre retratou o corpo feminino como mero apetrecho do qual os homens se multiplicam. A função procriadora das mulheres é mais historicamente visada do que as suas funções participativas no Princípio Feminino Da Criação. Cabe nesta obra, leitores de todos os sexos possíveis, atentar-se a uma Metafísica Estética Do Nu Feminino, pois em cada representação artística da mulher através dos tempos houve a inserção de elementos que remetem a Verdades além da corporalidade, elementos apenas visíveis ao mais atentos observadores da Arte. Na História Da Arte, a mulher tem um alto valor, merecido valor; e quando este filósofo fala de Arte, fala de tudo o que é artisticamente aceito no mundo como tal. A mulher, artisticamente, foi elevada ao Ideal Do Belo E Do Sublime, imortalizada em seus dizeres existenciais nos quadros, esculturas, poemas, livros e todo tipo de conhecimento artístico possível. Ao subir no pedestal mais alto ao representar sua musa, o artista se transfigura em um Deus Criador de formas ideais, formas que podem ser ideais ou formas próximas ou distantes das ideais. Tal ocorre dependendo da intenção do momento de criação artística e não simplesmente de um ato deliberadamente planejado pelo artista. Diante de seu altar erguido em honra à sua musa, o artista consagra-o à Eternidade Universal Das Obras Eternas. Não reconhecer toda obra de arte como consagrada a esta Eternidade é não possuir sentido estético, é inapreciar a Arte em todo o seu conjunto de manifestações, manipulações, expansões, introduções, inovações e revoluções.

Uma revolução no olhar do nu feminino artístico pode ser introduida pela consciência de um observador que se ampara em uma específica Metafísica. Convencionalmente, trata-se a Arte como mero objeto de apreciação pública sem nenhum sentido de grande fecundidade para a Humanidade. A Arte se tornou para a Humanidade um produto que equivale aos modismos do momento, de uma década inteira, de quinze minutos ou de cinco segundos. A Arte agora é controlada pela mídia, é produção de capitalizações conforme o gosto social mais ao sabor dos que comandam os destinos sociais. A Arte, quando tenta escapar das garras da tirania dos setores regentes do social, setores que conduzem os gostos de todos os tipos; quando tenta ser de tal forma de "vanguarda", "revolucionária", acaba sendo incompreendida e passa a ser apenas apreciada por um seleto grupo fechado sofisticado com a sua própria linguagem e a sua própria imagem, afastada do público em geral. A pós-modernidade teceu monstruosidades no mundo artístico em geral, monstruosidades que aqui não cabe discutir pois o objetivo desta obra é totalmente o oposto de elevar uma críica aos excessos pós-modernistas artísticos decadentes. Tudo modificou de efêmero o Pós-Modernismo, porém manteve-se em seu eterno trono o saber representar nas esferas do Belo e do Sublime os corpos femininos.

De Vênus a Druuna, o mesmo gesto de exaltação do Belo e do Sublime do nu feminino. De Tiziano Vecellio a Paolo Eleuteri Serpieri, a mesma faceta de preocupação estética com o Belo e o Sublime do nu feminino. Mesmo que o gesto de exaltação do Belo e do Sublime do nu feminino tenha sido inconsciente, o processo de sua eternização está na atualidade visível aos que sabem apreciar sem travas no olhar as obras artísticas dos que trabalham com o nu feminino. Mesmo que a faceta tenha surgido inconscientemente na preocupação estética com o Belo e o Sublime do nu feminino, a direção de sua situação na atualidade é vigente quando a interpretação do que se aprecia com um olhar puramente analítico-sintético se torna uma natural busca pelas significações ocultas nos vários mistérios que se polarizam nos objetos em que podem ser artisicamente encontráveis. Nesta obra, este filósofo escolheu estudar o nu feminino através da Pintura e da Ilustração, métodos clássicos que os tempos conservaram como primordiais modos de representação do nu feminino. Leitores de todos os sexos possíveis, este filósofo sabe que a completude de uma tarefa como essa, a de elaborar uma Teoria Estética-Dialética Do Nu Feminino, exigiria a elaboração de um trabalho que abrangesse todas as formas de arte conhecidas. Compreendam, leitores de todos os sexos, que tal empreitada seria vazia em seus resultados práticos, pois se trataria de impor comparações que se aproximariam das realidades sofismáticas das diversas formas de arte conhecidas. E tal obra, se assim fosse elaborada, se tornaria um amontoado fatigante e maçante de pelo menos mais de duas mil páginas, pois assuntos e mais assuntos, tópicos e mais tópicos, surgiriam no decorrer do desenvolvimento da mesma.

A escolha da Pintura e da Ilustração segue um parâmetro metódico particular de análise estética-sintética deste filósofo. Pareceu a este filósofo tornar a obra mais suave, envolvente e fluente com o que em sua opinião mais pode aproximar-se dos significados do Belo e do Sublime. Tal trabalho poderia ser melhor realizado, admite este filósofo, se todas as faces da Arte aqui estivessem sendo analisadas em suas áreas a tratarem do nu feminino. Contudo, este filósofo não se pretende um sabedor de tudo, um esteta arrogante que procura saber de tudo que possa ser esteticamente organizado e classificado. Este filósofo não quer lhes doar algo que possa ser lido e esquecido, leitores de todos os sexos possíveis, como uma obra volumosa com alguns poucos momentos de altos rompantes de maravilhamento dialético-analítico. A exibição aqui de conhecimentos estéticos elevadíssimos não faz parte da meta dialética deste filósofo, leitores de todos os sexos possíveis. A exibição aqui é de belos e sublimes exemplos de corpos femininos a filosoficamente serem tratados sem nenhuma pretensão de ser uma célula do erguimento de uma "Filosofia Do Nu Feminino", a qual seria ridícula em toda sua estrutura de construtividade e em suas ambições de ser uma "face maior" da Filosofia Da Arte. A exibição aqui é do nu feminino analiticamente tratado nos campos de uma teorização sobre o que pode elevadamente dizer aos sentidos, à mente, ao corpo, à Alma Eterna e ao Espírito Eterno dos observadores interessados em mais do que uma simplória apreciação. A exibição aqui é do que se pode ver no que é visto muitas vezes com luxúria medíocre ou desatenção aos detalhes que validam uma necessidade maior de um conhecimento estético maior.

Desnudem seus sentidos, leitores de todos os sexos possíveis.

Desnudem os seus corpos, leitores de todos os sexos possíveis.

Desnudem as suas Almas Eternas, leitores de todos os sexos possíveis.

Desnudem os seus Espíritos Eternos, leitores de todos os sexos possíveis.

Aqui o nu dos sentidos é o revelador dos sentidos das palavras que vós lereis, leitores de todos os sexos possíveis.

Aqui o nu dos corpos é o revelador dos sentidos dos corpos desnudos a partir do observar de seus próprios corpos em natural exposição, leitores de todos os sexos possíveis.

Aqui o nu da Alma Eterna é o revelador de imagens entre as imagens que com prazer estético erguido além da corporalidade vós todos vereis, leitores de todos os sexos possíveis.

Aqui o nu do Espírito Eterno é o revelador das diversas espiritualidades, do conteúdo das imagens às imagens dos conteúdos das imagens, que vossas espiritualidades mais íntimas poderão decifrar, leitores de todos os sexos possíveis.

Nus, os meus sentidos.

Nu, o meu corpo.

Nua, a minha Alma Eterna.

Nu, o meu Espírito Etermo.

Nu, o revelar filosófico estético do nu feminino.


Quarta-feira

06 de setembro de 2006

18:08 h

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