Da Frieza Da Intelectualidade



Inomináveis Saudações a todos vós, leitores virtuais.

Na exigência acadêmica, através de nossos condicionamentos através de estudos e mais estudos, acabamos nos tornando frios intelectualistas providos apenas de um mecanismo interpretativo de tudo que lemos e estudamos. Se, por um lado mais técnico da afirmação que faço aqui, podemos desenvolver em demasia a nossa inteligência e capacidade de raciocínio, por outro podemos cair nas bases de uma atrofia emocional absurda que beira a irracionalidade. Somos muito mais do que animais, sim, todos somos; lutamos, cada um, por nossas melhorias e avanços em quaisquer campos de nossa atividades; subimos várias montanhas, caminhamos com vontade soberana, em busca de desafiar o que Kant tanto compreendia: os limites de tudo aquilo que podemos saber. Podemos saber sobre as melhores e maiores filosofias. Podemos saber sobre as melhores e maiores técnicas de produção artística. Podemos saber sobre as melhores e maiores técnicas de produção industrial. Podemos saber sobre as melhores e maiores técnicas de produção arquitetônica. Podemos ser excelentes engenheiros. Podemos ser excelentes matemáticos. Podemos ser excelentes cientistas. Mas, e a emotividade, onde fica? A emotividade que contagia, ardentemente, a mente que se enquadra no buscar da solução de um problema? A emotividade que qualifica o aprimoramente do interno mais do que do externo? A emotividade formadora de intensos buscadores da Verdade no meio acadêmico (sem nenhuma pecha de religiosidade, convém isto aqui esclarecer)? A emotividade, a grande motivadora das gerações de nossos conhecimentos completos e nada errôneos? Como raciocinar logica e emocionalmente ao mesmo tempo, sem se perder no sentimentalismo mais tosco e exaltante de erros e no racionalismo mais radical que sempre leva ao veneno do totalitarismo do pensamento? Acham isto impossível dentro da lógica academicista da frieza do pensar que em nada contribui, na atualidade, para mais efetivas descobertas científicas em todos os campos de pesquisa que possam auxiliar-nos nas resoluções dos mais altos problemas existentes na contemporaneidade?

Nós não somos equações:

x + y - z = 0

2x + 4y - 9 = 11

2 x (3x - 5 y + 18 = 25)

Não resultamos em respostas percentuais:

19%

25%

34%

45%

66%

Não nos definimos logicamente matematizados como:

2 + 2 = 4

3 + 3 = 6

4 + 4 = 8

5 + 5 = 10

6 + 6 = 12

7 + 7 = 14

8 + 8 = 16

9 + 9 = 18

10 + 10 = 20

Não somos uma contagem numérica:

100, 200, 300, 400, 500, 600, 700, 800, 900, 1000, 1100, 1200, 1300, 1400, 1500...

Não somos frações numéricas:
1/10

2/10

3/10

4/10

5/10

6/10

8/10

9/10

10/10

Não somos dados, somos humanos, cientes racionalmente de nossas capacidades, incapacidades, virtudes e vícios. Quando tomamos ciência da Ciência de sermos o que somos, escapamos da frieza mais do que insensata e inútil da pura intelectualidade. Viajamos melhor pelos estudos e análises, já que a emotividade pode nos constituir como descobridores de novos mundos. Oscar Niemeyer, um Gênio, utilizou sempre a sua emotividade, apesar da aparente frieza de suas obras; Noel Rosa, outro Gênio, foi um dos mais emotivos compositores populares; Cândido Portinari, igualmente Gênio, foi um grandioso pintor que fez muito uso da sua emotividade; e cada um de vós, como utilizais as vossas respectivas emotividades, sendo ou não Gênios desta nossa Humanidade? Um coração frio jamais pode ser criador, uma mente fria jamais pode ser captadora das mais altas inspirações, as mais naturais e de desconhecidas origens até mesmo para os mais intelectualizados que, utilizando conjuntamente com seus respectivos intelectos as suas emoções, alcançaram altos patamares desde a criação da universidade na Idade Média. Emoção + Intelecto = Possibilidade Real de uma efetiva integração? Sentir o que se lê, o que se estuda, o que se pesquisa, é reunir um material que não se permite adormecer e nem resfriar diante do passar do tempo. O próprio Kant, acima citado, não era simplesmente um frio e metódico pensador, há paixão, uma paixão intelectualmente própria dele mesmo, presente em sua obra principal, a que marcou-me existencialmente mais do que qualquer outra obra filosofica, a Crítica Da Razão Pura. Somente um apaixonado pelo desejo de Conhecer e de transmitir à posteridade tal Conhecimento poderia elaborar uma obra-prima que vigora como uma das maiores obras da intelectualidade humana. A paixão intelectualizada, a paixão dos estudantes mais entranhados em seu crescimento intelectual, sem deixar de lado o crescimento emocional, não deixa de ser uma humana paixão tanto quanto o amor e o ódio. Esta é uma opinião livre, fora do academicismo, dentro da ótica do livre-pensar, esta paixão intelectualizada minha que sempre está a me fazer especular e adotar uma conduta examinadora de questões como esta de um modo altamente apaixonado. O fogo intelectual movido pelo amor ao estudo, à pesquisa e ao Conhecimento move esferas do pensamento que nem sempre, em estados normais, podemos notar e tocar. Este é o objetivo ao qual quero chegar: todos podemos e somos, potencialmente, Gênios. Mas, O Gênio não é o homem frio e intelectualizado absorto em meditações tão frias quanto ele; O Verdadeiro Gênio é aquele que concebe e conhece, integralmente, o poder apaixonante de racionalmente estudar, pensar, pesquisar e concluir uma tese ou uma teoria ou uma monografia ou um livro contendo uma força que até mesmo ele, em si, desconhecia.

Que me perdoem os desapaixonados intelectualmente dotados, mas o pensar pode ser tão ardente quanto uma noite intensa de sexo desenfreado.

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