Sobre O Caso Bruno


Tristes Saudações a todos vós, leitores virtuais.

As recentes notícias não são nada agradáveis e, causticamente, estão imantadas por um peso muito grande de barbarismo, selvageria e desumanidade. Um verdadeiro filme de terror, dirigido por seres que merecem mais a denominação de monstros do que a de seres humanos. Muito tempo deste blog passei, devido a problemas pessoais, e neste retorno reinicio as postagens pondo uma visão minha acerca do que se pode passar despercebido no que está sendo mais comentado no momento, dentro da esfera dos noticiários: o Caso Bruno.

Não podemos nos ater apenas aos fatores conducentes à mesmice de pensar que "o dinheiro, a fama e a riqueza corrompem". Não podemos nos ater apenas aos fatores conducentes a interpretar a ação dos envolvidos no barbarismo cometido contra Eliza Samudio como "um ato de pura covardia, crueldade e maldade". Não podemos nos ater aos fatores conducentes a um linchamento público estrondoso, que está a ocorrer,denunciando as inúmeras graves consequencias concernentes aos resultados do crime que ocorreu. Não podemos nos ater aos fatores conducentes a cremos que Eliza, a vítima, tenha "encontrado o que buscava" ao envolver-se com um homem violento. Não podemos, nem mesmo, nos ater aos fatores concernentes à Imprensa, que avassaladoramente nos nocauteia com mais e mais e mais notícias acerca deste Caso diariamente.

Por que não podemos nos ater a tais fatores? Porque Eliza poderia ser qualquer um de nós; Bruno poderia ser qualquer um de nós; e todos os demais envolvidos, poderiam ser qualquer um de nós. Não basta apenas julgar e julgar e julgar comportamentos, atos e, como "puros de coração", nos afastarmos do centro de todas as problemáticas que envolvem a atmosfera do mundo gerado pelo ultraviolentíssimo ato. É uma tolice subir em um pedestal, em um altar ou prostrar-se em frente às câmeras televisas e dizer que os criminosos são "menos do que animais, vermes, lixo humano" e por aí vai, sempre tendenciosamente vendo o lado mais fácil de visualização aderente a um sistema todo de raízes que vão muito mais além do que nossos pequenos humanos olhos podem sondar.

Como dizer que não possamos cometer um crime igual ou pior do que o cometido contra Eliza? Nós todos, humanos-cientes-ou-não-cientes-de-nossas-fraquezas-morais-e-comportamentais, podemos nos fechar em um tipo de vivência fora de toda a violência, naturalíssima, que portamos em nosso interior? O que mais vale não é assumir que há um horrendo monstro dentro de nós, pronto para sair, mas que polimos e o fazemos adormecer quando focalizmos a energia que ele possui para obras construtivas? E os vossos interiores monstros, leitores virtuais, de variados tipos, determinadas formas e heterogêneas naturezas? As vossas orações conseguem segurá-los? As vossas atenções para com atividade artísticas e/ou literárias conseguem fazê-los adormecer? As vossas distrações, como foder todos os dias, comer todos os dias e/ou ir para uma danceteria ou evento aos finais de semana, conseguem fazê-los retirar-se das vossas consciências? É mais fácil julgar selvagemente ou muito mais fácil compreender que há um monstro dentro de cada um de nós humanamente escravizados por uma civilização toda anti-natural?

Por que denomino esta civilização de anti-natural? Porque as aparências, sempre elas, são um obstáculo para percebermos que a Terra está a afundar-se em um abismo cada vez mais aprofundante. O crime cometido por Bruno e seus comparsas, a nefasta lógica toda monstruosa dos passos e fatos do mesmos, pressupõe que estamos diante, mesmo, da verdadeira face humana. Perguntem a qualquer psicólogo e ele lhes responderá, leitores virtuais, que nós, humanos-que-somos-e-cremos-ser-muito-mais-do-que-somos-quando-nada-somos, somos mais propensos ao Mal do que ao Bem. Somos destrutivos, nocivos, senhores de uma animalidade que conserva todos os traços do primitivismo abrutalhado de nossos ancestrais que aqui caminhavam antes mesmo da primeira civilização terrestre erguer uma moradia. Espantados e aterrorizados muitos estão com este crime, mas se todos pudessem ter a mínima noção do que o ser humano que abraça o Mal durante o seu desenvolvimento conscientemente normal é capaz de realizar, compreenderiam muito melhor ao que levou à consecução deste terribilíssimo crime.

Agora irão, aos veículos informativos, videntes, pais-de-santo, mães-de-santo, espíritas, evangélicos e a turma aproveitadora toda que é, esclareço, uma minoria dentro de tais vertentes, tentar "esclarecer os verdadeiros motivos deste crime conforme as lições e experiências aprendidas religiosamente". Igualmente, a parcela da Imprensa que ama explorar o Humano Horror, vai brigar por mais audiência nas televisões, as vendagens mais altas de revistas com várias páginas mostrando e analisando o assunto, formando uma trupe de mercenários interessados no prestígio de "querer levar a verdade a todos os leitores e/ou telespectadores". A mídia, esta monstruosidade, encontra neste Caso Bruno mais uma maneira de formar um novo circo tremendamente espalhafatoso, estridente e lamentável. Um Caso que ao mesmo tempo que anuncia a nossa decadência tanto como civilização quanto como raça planetária faz com que certos espíritos inocentes digam que "jamais praticariam um crime como esse" e outros, mais exaltados, pensem em "praticar a justiça com as próprias mãos". Muitos lados, muitas visões, muitas especulações, muita cegueira... Tudo o que não querem enxergar, a cada crime que choca este país e o mundo, nos esbofeteia a todo momento, leitores virtuais:



"Sou violento e digo: 'Devo tornar-me não-violento'. O 'tornar-me não-violento' exige tempo e, no ínterim, estarei semeando os germes da violência. Consequentemente, não deixo de ser violento. Assim pergunto a mim mesmo: Existe um meio, existe uma percepção independente do tempo e, por conseguinte, geradora da ação imediata? Existe uma percepção da violência que seja o fim imediato da violência? Quero ver se a violência pode terminar instantaneamente, e não gradualmente, porque, se dizemos 'gradualmente', ela nunca terá fim. Entendeis? É possível perceber com uma percepção que seja, ela própria, ação? Vamos continuar deste ponto? Ora, que é que impede essa percepção - essa percepção que é ação, que é perceber e agir instantaneamente, como quando se vê uma serpente? Aqui, não se pode dizer: 'Agirei na próxima semana'. Há reação imediata, porque há perigo. Ora, que é que impede à mente e, pór conseguinte, ao cérebro, essa imediata ação da percepção?"

Jiddu Krishnamurti
in: O Novo Ente Humano
pag.65



A resposta à indagação acima de Krishnamurti não é difícil, basta ter paciência para, sem divisão interior, encontrá-la.

Saudações Tristes a todos vós, leitores virtuais.


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Notícias sobre Eliza Samudio



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