Determinando A Eternidade Da Violência No Homo Violens - Introdução


"O homem aceitou a guerra como norma da vida; aceitou o conflito como coisa inata, parte da existência diária; aceitou o ódio, o ciúme, a inveja, a avidez, a agressão, a inimizade, como a norma natural da existência. Aceitando uma tal norma de vida, devemos naturalmente aceitar a estrutura social tal como existe. Se aceitamos a competição, a cólera, o ódio, a avidez, a inveja, o espírito de aquisição, então, naturalmente, ficaremos vivendo dentro do padrão da respeitável sociedade. É nele que nos vemos aprisionados, a maioria de nós, visto que desejamos ser entes altamente respeitáveis."


Jiddu Krishnamurti



O Homem, criatura dotada de possibilidades de engrandecer-se cada vez mais em prol do avanço de toda a sua espécie, possibilidades de fazer altas obras de altas verdadeiras evoluções, mais encontra-se a ser carrasco de si mesmo e a autopunir-se por sua ignorância. O Homem, este Ser completo, este Ser desperto como consciente do mundo no qual habita, no entanto, vem a fragmentar-se há muito tempo, vem a desumanizar-se desde que perdeu a capacidade de ver que nitidamente erra ao tentar escapar de seus limites. O Homem, limitado em suas condições de compreender as realidades mais complexas da Realidade na qual se encontra, compromete-se a gerar condições para as quais em essência não está preparado.


Por que tanto desenvolvimento tecnológico complexo se a resolução dos problemas mais simples, como o de alimentar a criança faminta nas ruas, favelas e países miseráveis, continua a ser cruel em um século XXI no qual se dizia haverem esperanças de um novo caminho para a Humanidade?


As mais altas tecnologias desenvolvidas, os mais altos valores gastos em artefatos tecnológicos, principalmente os de guerra. As doenças, a falta de perspectiva, os altos índices de mortalidade infantil, a miséria gigantesca, nos horizontes mundiais desprovidos de recursos maiores para a sua subsistência. Ao lado das riquezas portentosas, as misérias humanas mais dantescas. Ao lado dos miseráveis, as riquezas a serem abertamente demonstradas, a serem dedicadas ao gerar de mais riquezas. Como uma sinfônica melodia de diferenças, desajustes e desigualdades historicamente aceitas pela Humanidade, aceita-se toda miséria como normal e toda tentativa de diminuição das misérias mundiais não alcança seu resultado aparentemente dito como "salvador". A desumanização é o mote do mais desigual dos mundos possíveis. Não se pode falar em "melhor dos mundos possíveis", como Cândido em um mundo desumanizado. A Desumanidade, a espécie desumana, povoa de várias violências os horizontes terrestres.


Várias violências?


Não apenas a violência física predomina. Há violências em todo ato desumano silencioso. Há violência em todo ato desumano incentivado pela hipocrisia desumana. Há violência em todo ato desumano de desamparo aos que necessitam urgentemente de amparo. Há violência em todo ato desumano cercado de interesses egoísticos intensos. Há violência no esquecimento de que o ser desumano é naturalmente ser violento.


E onde encontra-se o ser humano?


Tal pergunta mereceria respostas diretas. Tal pergunta mereceria respostas longas. Tal pergunta mereceria uma série de livros nascidos de uma pesquisa em prol da busca do ser humano. Tal pergunta mereceria uma série de debates televisivos e radiofônicos. Tal pergunta mereceria a atenção da ONU caso a ONU se interessasse em saber onde encontra-se o ser humano...


Perdido está o ser humano?


A resposta a esta pergunta é respondia pelo viver diário. Responder sim indicaria realismo. Responder não indicaria ilusão. Não dizer nem sim e nem não indicaria uma esperança ainda na Humanidade diante da Desumanidade, a senhora nova do mundo contemporâneo. Mundo contemporâneo de diversas violências. Mundo contemporâneo de violências visíveis. Mundo contemporâneo de violências invisíveis. Mundo contemporâneo violento que visivelmente em caos se transfere para caminhos ainda mais desumanos. Mundo contemporâneo violento que a muitos torna invisível a queda de tudo em abismos mais desumanos do que os abismos diariamente observáveis.


Que é esta espécie que hoje habita este mundo?


Espécie desumana. Espécie de desumana espécie. Espécie que nascentes cada vez mais novas de violências embrutece. Tratar-se-á aqui neste estudo de elaborar uma visão da Realidade Desumana, a Realidade na qual transitam os espécimes desumanos que a incentivam no existir, resistir e continuar a insistir como a panorâmica realizada representativa de todo o caos que compreende. Tratar-se-á aqui neste estudo do homo violens, O Homem Do Agora Desumano, O Homem Do Hoje Desumano. Tratar-se-á aqui neste estudo de traçar a observação do problema da eternização da Violência na espécie desumana do mundo contemporâneo. O problema da Violência em todas as violências. O problema do ser violento do homo violens. O problema do homo violens, adormecido ou desperto, em todo ser humano que desumanizadamente permite-se achar o caos do mundo um paraíso no qual pode transitar com sorrisos de voraz felicidade no rosto.





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