Do Humano Sonho E De Todos Os Outros Sonhos




No sonho não existe espaço para verdade ou inverdade, para a lógica ou a fantasia. No

sonho está o homem inteiro, com tudo aquilo que ele sabe conscientemente e com tudo aquilo que ele não sabe e talvez possa não saber jamais. Se a criação e o próprio homem não são nunca outra coisa que um sonho, então esta é a sua indestrutível verdade. E tudo existe, como existe o homem. Porque existe o homem que sonha.


Roberto Sicuteri

in: Lilith, A Lua Negra

pag. 11



Inomináveis Saudações a todos vós, humanos sonhadores virtuais.


Em um dia, sonhamos. Em uma noite, sonhamos. Em todos os dias e em todas as noites, estamos nos posicionando diante dos sonhos, fantasmas e demoníacas viagens, alegrias e efemeridades disponíveis aos nossos olhos astrais e materiais. Desenvolvemos um tipo de vício, criamos a conjuntura nova de potencialidades incessantes, resitimos ao amaargor intensamente causticante do tédio. Irrompemos selvagemente em direção aos fatos vindos do exterior e nos chocamos com nosso exterior, inspirando-nos apenas a rota de colisão em direção ao encontrar de algum maior ideal já realizado dentro e fora de nós. Especulamos acerca da gravidade espacial de nossos pensamentos, rondamos a finura total da universalidade de nossos sentimentos, estourmamos a cabeça em frente a muros de findados firmamentos. Escapamos do sangrento alvo que lança suas setas em direção ao nosso coração. Espancamos a doce adaga apontada para a veia maior que sangrará até que morramos deitados nas calçadas fatídicas de nosso interior lar. Assistimos ao filme de terror melhor filmado dentro de nossos cinemas sempre lotados de espectadores que nada mais são do que os vários personagens dentro de nós de todos os filmes que já realizamos, realizaremos e estamos a realizar fora da sala escura de nossas mentes que são nada mais que abismos ainda não totalmente navegáveis. Reduzimos e aumentamos o custo de nossas passagens nas viagens que realizamos para dentro de nossas mentes, nadamos nas praias desérticas cheias de ossos dançantes em nossas consciências, tomamos sol nas colinas habitadas por inertes corpos vivos em nossas inconsciências, completamos a viagem ouvindo Death cortante em nossos pensamentos maiores e menores sonhando e despertando quais gigantes deitados em horrorosos berços esplendidamente espinhosos. Executamos o bandido mais sanguinário na cadeira elétrica de nosso presídio interno e soltamos Barrabás logo após, para que a santidade de nossa inocência sacrificada seja diante do altar a conter o veneno da serpente que muito bem nos faz, uma serpente dentro de nós que muitos teimam em não aceitar. Dançamos como Zaratustra no baile de cordas do inferno maior que em escamosas labaredas torra-nos a essência, buscando nos fazer erguer intensamente após cremações e renascimentos sucessivos de nosso auto-conhecimento, se é que realmente todos nós verdadeiramente nos conhecemos. Somos Zorro, Conan, Goku, Dean Winchester, Lestat, Mulher-Maravilha, Anita Blake, Vampirella, Vampira, Hillary Clinton, Barack Obama, Lula, Pelé, Ronaldinho Fenômeno e outros fenomenais seres humanos e seres humanamente imaginados em nossos sonhos, sem mesmo sermos nós mesmos abaixo da névoa dos astrais campos a envolverem nossas finíssimas camadas envoltórias etéricas no Mundo Dos Sonhos. Logramos um ouro nascido aos nosso pés de lama apodrecendo cada vez mais, esticamos o pescoço, abrimos os braços e...


e...


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alcançamos alguma coisa... sim, estamos em alguma coisa... pegamos alguma coisa... abraçamos alguma coisa... beijamos alguma coisa... chutamos alguma coisa... untamos alguma coisa... tomamos alguma coisa... honramos alguma coisa.... a coisa... uma coisa... A Coisa... Eu sou uma Coisa que indaga, vós sois Coisas que me lêem, busquem a Filosofia e vós sabereis o significante filosófico do termo "Coisa" em pleno filosófico poder. A Coisa de que antes eu falava... A Coisa... A Coisa... A tal Coisa... A tal Coisa... A Coisa mencionada... A Coisa mencionada... A Coisa apresentada... A Coisa apresentando-se... A Coisa que se apresenta-se... A Coisa que se apresentará... Pode ser a nossa salvação? Pode ser a nossa guia? Pode ser a nossa glória? Pode ser a nossa muleta inquebrável? Pode ser a nossa moça aguardada pronta para nos beijar infinitamente? Pode ser o nosso homem desejável pronto para nos foder infinitamente? Pode ser a nossa desculpa? Pode ser a nossa culpa? Pode ser apenas o meio do olho de nossos cus? A Coisa... Qualquer Coisa... A Coisa... Uma Coisa... para a qual somos obrigados a nos ajoelhar... para a qual somos obrigados a abaixar as cabeças... a qual somos obrigados a homenagear... a qual somos obrigados a amar... a qual somos obrigados a temer... a qual somos obrigados a querer... a qual somos obrigados a adorar... a qual somos obrigados a sermos submissos... a qual somos obrigados a sermos obedientes... a qual somos obrigados a agradecer...


agradecer por tudo


agradecer por nada


agradecer por algo


agradecer pelo nada


agradecer pelos tropeços


agradecer pelos acertos


agradecer pelos furos


agradecer pelos remendos


agradecer pelos roteiros


agradecer pelos finais


agradecer pelos iniciais


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


agradecer!


A quem? Ao quê? Por que? Porque A Coisa, manifestada pela doença chamada religisosidade, vem a nos querer escravizar incessantemente, a nos amarrar em si, nos sufocando e atrapalhando as nossas existências. Sempre estamos em dúvidas, nós, nós que somos seres pensantes que Sabem duvidar... Não falo aos imbecis ignorantes que são ovelhinhas escravizadas e tolas, obedientes e tortas; eu falo aos que duvidam da nascente das situações diárias e das correntes das noturnas angústias várias, nós, nós todos que somos vistos como anormais, rebeldes e fora da sociedade apenas porque pensamos, questionamos, não aceitamos por muito tempo todo engano que aos nossos olhos percebemos. Falo aos que não carregam mais o bezerro de ouro da crença cega e que, após se ajoelharem diante de uma Coisa chamada "Deus Único" questionam se são realmente ouvidas... Eu me questiono. Eu ando me questionando. Eu não estou livre do questionamento, apesar de crer nessa Coisa que chamamos de Deus, A Grande Coisa De Todas As Coisas. Causa-me espanto ver, agora assim questionador, o quanto muitos aceitam tudo ajoelhados, não percebendo que as dúvidas, as indagações, são mesmo necessárias aos atos totais de delimitações de marcos essenciais de desenvolvimentos internos totais. Foda-se se hoje é a tal "Sexta-Feira Santa", dia católico para as mentes católicas; foda-se se estou sendo ou não rebelde, somente sei que devo expressar ao mundo esta sensação indagadora, pois eu Sei que muitos podem ler esta mensagem com uma mente qualificada a rastrear as demais mensagens nela contida. Cansado estou desta crença cega, desta crença tola, da necessidade de pedir, pedir, pedir... Apenas pedir... Sempre pedir... E eu luto, não apenas peço, mas tudo parece ocorrer e correr ao contrário do que peço... Estou orando errado ao Deus errado? Estou orando certo ao Deus certo? Ou o que chamam de Deus não é exatamente Aquilo que dizem que Ele É? A mentira vem sendo bem contada ou A Verdade contrária ao que se diz Dele se faz mais forte dolorosamente em meus ossos que agora muito doem? Quem está saudavelmente ciente de que é ouvido pelo que chamam de Deus? Quem é o doente, como eu, doente porque ainda não sabe inteiramente se é ou não ouvido, se é ou não atendido, se é ou não auxiliado, que indaga, fortemente, acerca de ser ouvido ou não por Alguém Acima, que possa chamar de Pai? Não há revolta nisto... Não há retorno nisto... Quem vai ler isto? Muita gente, talvez... Pouca gente, com certeza... Quem vai comentar isso? Foda-se, não me importo, escrevo para fazer refletir, para fazer a balança pesar a favor do Humano Pensamento e não estou atado ao desejo barato da fama, do dinheiro, do caralho todo fadado sempre a ser feito a partir de uma necessidade de escândalo e aparatos geradores de polêmicas baratas. Não sou ateu, não sou satanista, não sou umbandista, não sou candomblecista, não sou espírita, não sou budista, não sou cristão, não sou católico, religiões e doutrinas não me interessam como parte do meu pensar, apenas estudo para poder conhecer, para poder me informar. Sou um indagador, há muito havia me esquecido disto. Um inominável indagador, sem pretensões de ser um grande pensador, um tão humano pensador que sofre na carne pelos erros cometidos em nome de antigas ilusões nesta existência e nas anteriores. Sou espiritualista, creio na Espiritualidade, mas, também indago assim a esta: por que me ajoelhar diante de outros Espíritos se eu sou um Espírito encarnado com as mesmas possibilidades que os desencarnados possuem de evoluir e agir em torno de todas as situações do meu atual existir? Indago, indago, indago.... Indago, indago, indago... Indago, indago, indago... Será que estou sonhando agora? Será que tudo está sendo realizado fora de mim como um sonho? Será que tudo está sendo realizado dentro de mim como um sonho? Por que a necessidade de Espíritos? Por que a necessidade de Deus? Por que até mesmo uma necessidade, qualquer que seja, de se sentir bem com a presença de qualquer Coisa, acima, ao lado, à frente, atrás ou abaixo, de cada um de nós? Este é um sonho a filosofar e uma filosofia que sonha, um risco de ritmo exemplar no rito sonoro do fantástico mais nublado sonhar... Quem sonha não indaga, apenas aceita as passagens de arco-íris e cavalinhos azulados e rosados em céus limpos totalmente azuis nos quais passarinhos alegres cantam e voam por todos os lados... Quem desperta indaga, ainda que sonhe um pouco ou tenha a necessidade, ainda a puta desgraça de uma necessidade, de sonhar. Eu despertei... Eu ainda sonho... Eu, sonhando... Eu, despertando... Carência? Medo? Ódio? Sofrimento? Revolta? Rebeldia? Lamentação? Dor? Solidão? Doença? Tédio? Insatisfação? Loucura? O que me leva a ser um inominável indagador, leitores virtuais? Parem um pouco de sonhar, despertem um pouco e a resposta vossas pesadas consciências poderão vos dar, como ocorre comigo nesta tarde maldita do mais sagrado existencial mal-estar. E nascerão ao mesmo tempo, se assim o quiserem, respostas para as vossas próprias indagações, se vós sois bastante corajosos para fora de si e em si mesmos elaborá-las acerca da Coisa e das demais Coisas que vos envolvem, sufocam, aborrecem, angustiam ou geram, primeiramente, as mais humanas dúvidas que não são, nunca, nada mundanas.


Saudações Inomináveis a todos vós, humanos sonhadores virtuais.



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