O Que Ainda Nos Leva A Matar?





Mórbidas Saudações a todos vós, leitores virtuais.

Somos assaltados diariamente pelas notícias dos mais bárbaros e diversificados crimes que chocam a opinião pública, mas nos últimos dias, assistindo aos noticiários, ouvindo as emissoras de rádio e acessando os programas policiais televisivos, estamos sendo bombardeados por uma recrudescência da violência de um modo brutal e nitidamente elevadíssimo. Quando se pensa que o ser humano possa estar sendo esclarecido sobre as Leis Da Vida; quando estamos vivenciando um início de ano com esperanças de melhores dias; quando irradiamos a espontaneidade de nos crermos seres que possam estar em paz conosco mesmos e com os demais; quando intensificamos nossas esperanças em um mundo melhor, este mesmo mundo nos afoga em sangue...

Será que somos mesmo civilizados?

Será que a civilização possui algo de civilizado?

O que é a civilização?

Perdemos a noção de civilização?

Patinamos na neve da ignorância acerca do dever de nos civilizarmos?

Possuimos a cegueira existencial que detona toda nossa carga de racionais pensamentos?

Por que matamos ainda?

Por que matar ainda?

Por que odiar ainda?

Por que?

Porque somos humanos...

Por que?

Porque somos fracos...

Por que?

Porque somos detritos...

Por que?

Porque somos degenerados...

Por que?

Porque somos vermes...

Por que?

Porque somos lixo...

Por que?

Porque somos excrementos...

Por que?

Porque somos merdas...

Por que?

Porque somos imperfeitos até para O Imperfeito...

Por que?

Porque parecemos senhores de tudo, mas estamos até abaixo dos animais...

Por que?

Porque sonhamos com futuros brilhantes e tornamos o nosso presente um amontoado de ossos acumulados pelas esquinas das ruas...

Por que?

Porque somos covardes demais para admitirmos que somos os culpados por todos os tipos de violência...

Por que?

Porque somos o que somos...

Humanos...

Monstros...

Humanos e monstros...

Humanos ou monstros?

Humanos. Monstros. Qual a diferença? Ali temos um homem estuprando quatro crianças; acolá, um golpista espancando a esposa até a morte por estrangulamento dela; mais adiante, uma mãe com um filho recém-nascido é arrastada para um matagal e estuprada; virando à nossa direita, uma mulher mata uma criança lançando-a ultraviolentamente contra a parede; virando à nossa esquerda, bandidos matam policiais; olhando para trás, policiais matam jovens estudantes de uma favela; olahndo para cima, um "soldado filósofo", um imbecil completo fardado acadêmico, defende o direito de matar; olhando para a frente, um homem é filmado por câmeras de segurança matando a sua ex-mulher com oito tiros... Mais: os políticos que roubam matam de fome e miséria famílias inteiras; os exércitos que deflagram guerras afirmam e reafirmam a herança de Adolf Hitler, Napoleão Bonaparte e Júlio César; empresários inescrupulosos destroem as matam e ceifam aldeias indígenas inteiras (ah, mas a mídia sequer com isto se importa, nem mostra!); e muitos que a tudo isso ouvem e sentem e vêem, nada fazem ou ignoram ou fingem que não ouvem e sentem e vêem... Será que queremos mudar mesmo, isto é, atingirmos o patamar de seres verdadeiramente racionais? Será que podemos nos unir mesmo em prol da verdadeira paz entre todos nós? Será que é tão difícil assim assumirmos que somos um bando de monstros bárbaros propensos a nos dilacerar uns aos outros como nem os animais são capazes de realizar mesmo instintivamente agindo? Será que a nossa meta é mesmo alcançar uma atmosfera de evolução maior agindo como os assassinos que somos? "Ah, mas eu não sou capaz de fazer isso!"; "Ah, mas eu não mataria nem uma mosca!"; "Ah, mas eu não quero praticar nenhum tipo de violência, seja contra bicho ou contra uma pessoa!"; "Ah, mas eu nunca vou erguer a minha mão contra alguém dessa maneira!": é o que dizemos, pensamos e, no momento em que alguém, simplesmente, pisa no calo de nossos pés, pegamos uma faca ou um machado ou um revólver ou um fuzil ou uma metralhadora ou utilizamos as nossas próprias mãos para darmos um fim ao Ser que nos fez mal! Admitamos que estamos sem a Luz Divina, a maioria da Humanidade, a grande maioria... Admitamos que perdemos as chaves da Verdadeira Vida, todos nós, sem exceção, violentos e não-violentos... Os não-violentos, os defensores de uma paz que jamais chega enquanto não admitirem, eles mesmos, que, sendo humanos, podem matar, são mais criminosos do que os pedófilos, os estupradores, os assassinos seriais e todos os tipos de criminosos porque ativamente não agem contra a escalada de carnificinas que nestes últimos dias estamos assistindo a todo momento! Sufocante... Irritante... Revoltante... O que está ocorrendo? Explicações espiritualistas? Explicações espíritas? Explicações religiosas as mais várias? Explicações filosóficas? Explicações psiquiátricas? Explicações, explicações, explicações? Falatório, falatório, falatório! Apenas falatório, falatório, falatório! Porque não agirmos assim, com a mais extrema coragem, gritando para nós mesmos, em nós mesmos e em conjunto:

EU SOU UM COVARDE MONSTRO!!!

EU SOU UM COVARDE VIOLENTO!!!

EU SOU UM COVARDE IMPERFEITO!!!

EU SOU UM COVARDE MERDA!!!

EU SOU UM COVARDE EXCREMENTO!!!

EU SOU UM COVARDE LIXO!!!

EU SOU UM COVARDE VERME!!!

EU SOU UM COVARDE DEGENERADO!!!

EU SOU UM COVARDE DETRITO!!!

EU SOU UM COVARDE FRACO!!!

EU SOU UM COVARDE HUMANO!!!

Ah, mas somos orgulhosos, arrogantes, senhores de nós mesmos e não admitimso as nossas fraquezas e cegueiras! É isso, somos covardes, todos nós, os seres humanos, os mestres deste universo de sangue, violência e mortes diárias! E capazes de fazermos o mesmo que o nosso humano irmão monstro do vídeo acima foi capaz de fazer:

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

MATAR!!!

Saudações Mórbidas a todos vós, leitores virtuais.





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