Sobre O Estudo Do Ser, Do Nada E Do Homem Efetuado Por Jean-Paul Sartre Exposto Em Comentários Básicos - Parte IV



Sobre O Estudo
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III - Os Conceitos Essenciais Do Existencialismo Ateu E Do Humanismo Sartreanos



Sobre O Estudo
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O Para-Si é a liberdade, pois esta é apreendida por ele através da negação, diante do fator indeterminativo dos possíveis. A liberdade, lividamente, é vivida plenamente no modo da angústia, projetando-se ao futuro como Para-Si, arrancando-se à imanência do ser, pondo valores que apenas concernem a si. As análises do Ser e do Nada são a base do existencialismo ateu e do humanismo sartreanos. Impossível seria falar destes sem o visualizar resumido daqueles efetuado anteriormente. O analisar de Sartre possibilitou a construção dos alicerces de suas visões existencialista e humanística, tendo sido, portanto, essencialmente importante visualizá-lo se o objetivo é bem fundamentar a corporeidade dessas visões. Ao devir, então, o homem projeta-se, definindo o seu rumo conforme o seu descobrir-se no mundo como ser-Em-si inicialmente e ser-Para-si posteriormente. A trajetória é conturbada, assolam-no a angústia e os temores comuns a todos os que efetivamente vivem no mundo. A trajetória humana depende da humana vontade humana que, condenada a ser livre, é o motor elevante daquele a quem capacita. Não há um Ente Absoluto acima que possa dar ao homem a sua condição de projetar-se adiante, segundo Sartre. A trajetória é humana e humano deve ser o projetar do projeto estabelecido pelo homem para si mesmo, projeto definidor do seu ser, projeto expansivo do seu fazer, projeto característico do seu ter. O homem define-se por si mesmo, em sua realidade, esta é a resumida posição de Sartre em seu humanismo e, simultaneamente, ateísmo. Este difere de todos os ateísmos até então conhecidos à época na qual o filósofo francês declarou-se como ateu. O ateísmo sartreano é existencialista, pregando que o homem existe Em-si como homem para poder existir como Homem no Para-si. Ao Homem em seu todo, o nada ser possível é nada que não é possível. Ao homem, parte do Homem, do todo do Gênero Humano, cabe ser possível realizar todo o ser do seu projeto. Ao homem cabe-lhe ser o seu próprio projeto já realizado.
Negando a existência divina como a fonte da origem humana, “há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana”. Realidade humana na qual o existir humano é pleno de confiança em si mesmo, isento do recurso do “divino” para o seu subsistir e insistir no mundo. A negação da realidade humana levaria o homem a, amparado apenas em uma concepção por parte de uma superior forma de existência, a ser um nada no nada de nada. A afirmação da “realidade divina”, escravizando o existir humano em sua própria incapacidade de conceber-se por si mesmo, determinativa de todo passo da trajetória dos indivíduos, limita-o no mesmo existir que nega a liberdade. A angústia, tomando um papel decisivo na busca existencial, gerando a liberdade do existir humano, impede que nada faça um indivíduo sentir-se menos indivíduo quando acredita que ele mesmo é o responsável pelo seu trajeto, pelo seu projeto. Não há Deus limitando o homem no conceito de que tal Ente Absoluto defina a sua trajetória, o seu projeto, em uma imutável condição de destino inescapável. Negando Deus, o homem afirma-se e, se antes não era nada, nesse negar e no autodescobrimento do que autoconcebe-se existencialmente em si, torna-se o que verdadeiramente é. O subjetivo, a subjetividade como a comandante do desenvolver objetivo do existir humano assume a sua posição. O Para-si faz o homem posicionando-o no estado de ser formidavelmente existente, capacitado para desenvolver-se, ilimitadamente no infinito de realizações que pode incluir em seu projeto. O projeto é o império do homem descoberto por si mesmo.
O homem é, antes de mais nada, um projeto que se vive subjetivamente, em vez de ser um creme, qualquer coisa podre ou uma couve-flor; nada existe anteriormente a este projeto; nada há no céu inteligível, o homem será antes do mais o que tiver projetado ser. Não o que ele quiser ser”. O homem não é objeto, objeto vulgarmente utilizável, objeto amplamente aniquilável, objeto qualquer como todo objeto descartável no mundo objetivo. O objetivo, a objetividade, o modo de projetar-se ao seu projeto determinado é o objeto do projeto. O homem é subjetivamente, sujeito que será o projeto que realizou subjetivamente e o querer ser algo não lhe pertence. Querer ser algo indica individualidade, um si mesmo definido porque “não é mais do que a manifestação duma escolha mais original, mais espontânea do que se chama vontade”. A vontade, essência do homem, não pode, contudo, exercer o poder de direcioná-lo no avançar do seu projeto exatamente porque a existência precede a essência. O homem primeiramente existe e é o guia de si mesmo no que existencialmente é. Primeiramente existir indica toda a força propulsora da medida da quantidade de força necessária para o avançar do projeto. Existir primeiramente reivindica ao homem autoresponsabilidade total pelo seu caminhar projetado no caminho do projeto. Autoconsciente de seu projeto, ciente de suas capacidades por ser eficiente em dominar-se existencialmente, o homem não é apenas egoisticamente um ser centrado plenamente em sua individualidade. O homem, considerado como um indivíduo, não é o único ser a dispor do mundo, de todas as coisas do mundo, de todos os fatores factíveis de intelecção que formam o mover do todo do mundo, para unicamente satisfazerem as suas próprias necessidades. “E, quando dizemos que o homem é responsável por si próprio, não queremos dizer que o homem é responsável pela sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens”. À coletividade o homem deve voltar-se, responsabilizando-se pelo ser dos outros homens que não é maior ou melhor do que o seu. Todos os homens existem individualmente, convivem coletivamente e são responsáveis uns pelos outros.
O homem é um na coletividade, um a esta integrado, interagindo em harmonia existencial expressiva dessa noção de ser no coletivo. O subjetivismo desaparece no coletivo e neste aparece quando ocorre o que Sartre denomina como escolha. “Quando dizemos que o homem escolhe a si, queremos dizer que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, no escolher-se a si mesmo, ele escolhe todos os homens”. A escolha identifica o homem no Homem, este que é um ser íntegro, único, recheado de tudo que o facilita expressar-se como existente no mundo. A escolha é o homem identificando-se no Homem, este que é o coletivamente definidor existencial dos seres pensantes que lhe são parte, partícula, parâmetro, personalidade, plausibilidade de pluralidades existenciais que são uma em seu ser. A escolha é escolher ser o Homem, ser o Gênero Humano em total manifesto sentido do ser genericamente humano na humana sociedade. A escolha dota o agir de um dinamismo que constitui o projeto, no qual o agir para ser o que já é, projetado, origina “a imagem do homem como julgamos que deve ser”. A escolha do formar dessa imagem do homem é sempre proporcionada pelo bem, a única escolha que a todos vantajosamente possibilita o bem. A escolha do bem é a escolha do homem que é responsável por todos os homens quando escolhe-se, é a obrigação para com todos os homens de maximizadamente doar a estes o bem. A escolha do bem molda uma imagem, imagem refletida do homem que escolhe o bem em todos os homens. A escolha do bem aborta a escolha do mal, pois esta escolha é danificadora do existencialmente válido como o reator do projeto humano coletivo. À escolha do bem nada impede e à escolha do mal tudo impede porque a única obrigação existencial maior do homem responsável pelo Homem é o escolher o bem deste que ele é. A escolha torna o homem o que ele é no Homem, é uma semente de esperança no benéfico engrandecimento da Humanidade. A escolha toda é benefício, ilimitadamente originadora da ligação do homem com o Homem. A escolha existe para o homem ser Homem.
Assim, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a Humanidade”. Humanidade toda beneficiada com a escolha do bem que o homem totaliza para ser um total homem no total humano. Responsável por tão grandioso orbe de seres como ele, pensantes que são existentes no mundo presente ao seu existir, o homem e o seu projeto dinamicamente auxiliam no todo do bem humano. É um bem próprio do existir para construir realizadora imagem do realizado homem projetado no Homem e construindo a sua trajetória visando a realização da escolha. “Assim sou responsável por mim e por todos, e crio uma certa imagem do homem por mim escolhida; escolhendo-me, escolho o homem”. E o Homem sendo escolhido pelo indivíduo é o que o indivíduo escolhe ser, integralmente formando o ser da sua realização na Humanidade à qual integra-se como existente. Integrado existencialmente à Humanidade, instigado a existencialmente ser íntegro existencialmente na Humanidade, imperativamente existindo no imperativo existencial que com espontaneidade acolhe-o na Humanidade, o homem existe na Humanidade, o homem é na Humanidade, o homem é um com a Humanidade. Na comunidade humana, no comum humano como o comum que o prontifica como existente, o homem pode dizer-se existencialmente como homem existente agindo no grande agir que é o ato do existir humano. Existir que é o único considerado individualmente, múltiplo considerado coletivamente e uno considerado unitariamente, considerando-se para tais particularidades a forma existencial Homem que é única. Existir que nada impede de existir na realidade humana existencialmente real. Existir que é existir humanamente realizando e realizando-se na Humanidade.
Sartre convida o homem a ser Homem através do sentido existencial do escolher ser tudo aquilo que é. A existência humana, para ele, não é uma problemática insana na qual determinismos atrozes perturbam-na em sua trajetória. A existência humana, no pensamento humanístico sartreano, é a solução já solucionada na escolha. A existência e o humano existir foram descritos.





2 Loucas Pedras Lançadas:

Poetíssima disse...

Olá,
Obrigada pela visita.
Amei teus comentários...

e, respondendo..

1. Caso gramaticalmente o teu 'nós' seja relativo a eu e você, como manda a normatividade gramatical, a resposta é não.. eu e você não formamos juntos uma pátria..

2. Se eu serpenteio como meu eu lírico.. só um homem que se arrisque a descobrir descobrirá..

E, em relação a teu post, sou honesta e digo que só li o primeiro e último parágrafo... leio muito sobre psicologia... eu gosto disso.. O estudo do Nada e do Absurdo me atraem os olhos... mas estava sem tempo para ler no momento..

quem sabe não trocamos idéias a respeito?

Me responda agora tu...

Acredita ser mesmo Inominável?

Saudações.. [risos]

Retificando:

1. Tomadas as proporções gramaticais indevidas, posto que sou Inominável, Louco Inominável, o nós referiu-se ao conjunto do povo do qual fazemos parte, esta massa de mentes e almas agrestes e variada deste país.

Agradeço-lhe pela visita, Poetíssima.