Sobre O Estudo Do Ser, Do Nada E Do Homem Efetuado Por Jean-Paul Sartre Exposto Em Comentários Básicos - Parte II


Sobre O Estudo
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I Análise Fenomenológica Existencial Do Ser


O vocábulo “ser” possui várias significações conforme as suas utilizações na linguagem, originando várias interpretações. Ser pode significar, em seu sentido mais utilizado e compreendido, existir. Ser existente apenas, no entanto, não designa o que verdadeiramente é o ser, porque toda a compreensão deste varia conforme o conceito no qual utilizam-no como objeto de estudo. Ao exame ontológico importa muito o sentido gramatical do termo “ser”, pois todo estudo dependente do analisar deste adjudica um sentido direto para ser desenvolvido com eficiência. O princípio do estudo do ser pode adequar-se ao investigar do que é o fenômeno, caminho tomado por Sartre na introdução de O Ser E O Nada, Em Busca Do Ser. Buscando o ser no fenomênico, as aparições revelam-se: “As aparições que manifestam o existente não são interiores nem exteriores: equivalem-se entre si, remetem todas as outras aparições e nenhuma é privilegiada”. O existente é um todo de aparições que são apenas uma aparição, denotando uma única aparição possível, um único aspecto definidor do fenômeno que apresenta-se. “A aparência remete à série total das aparências e não a uma realidade oculta que drenasse para si todo o ser do existente. E a aparência, por sua vez, não é uma manifestação inconsistente deste ser”. Aparência é o ser, não simplesmente significativo do que a sua terminologia a defina, mas totalmente expressiva do fenômeno do existir. Ser, existir, aparecer, aparência: quatro fatos que, analisados pelo recurso interpretativo da simplória especificidade de seus significados gramaticais, produzem a falsa afirmação de que são estados heterogêneos. Ser + existir + aparecer + aparência= Ser, algo homogêneo, único, grandiosamente construído em um único fato, que é o fato de ser. Ser como um existir e ser como um aparecer; ser como um aparecer e ser como uma aparência: potência em cada fato daquele único fato, ato em cada fato daquele único fato. Nesse manifestar-se do ser os dualismos moldam-se presentes. Diminuir os dualismos é fundamental para o único perceber real do ser, porque se assim continuar haverá sempre isto: o ser existindo não é o existir do ser; o ser aparecendo não é o aparecer do ser; o ser com uma aparência não é a aparência do ser.
Conseguimos suprimir todos os dualismos ao reduzir o existente às suas manifestações? Parece mais que os convertemos em novo dualismo: o do finito e infinito”. Sartre diz que o dito existente “não pode se reduzir a uma série finita de manifestações, porque cada uma delas é uma relação com um sujeito em perpétua mudança”; e, quanto às aparições, “se a série das aparições fosse finita, as primeiras a aparecer não poderiam reaparecer, o que é absurdo, ou então todas seriam dadas de uma só vez, mais absurdo ainda”. Construir finitude ao que condiciona-se como infinitude, na questão de sua aparência como fenômeno, é um absurdismo lesador da própria condição condicionante do permanecer fenomênico como captável. Existente, aparição e aparência livram-se dos dualismos substituindo o do ser e o do aparecer pelo do “finito e infinito, ou melhor, ‘do infinito no finito’”. O existente passa a ser captado pela sua impressão do existente; a aparição passa a ser captada pela sua impressão de aparição; a aparência passa a ser captada pela sua impressão de aparência. Neste estado de oposição entre aquilo que é efêmero em seu perceber e transcendente em seu permanecer, “o que aparece, de fato, é somente um aspecto do objeto, e o objeto acha-se totalmente neste aspecto e totalmente fora dele. Totalmente dentro, na medida em que se manifesta neste aspecto: indica-se a si mesmo como estrutura da aparição, ao mesmo tempo razão da série. Totalmente fora, porque a série em si nunca aparecerá nem pode aparecer. Assim, de novo o fora se opõe ao dentro, e ‘o-ser-que-não-aparece’ à aparição. Da mesma maneira, certa potência torna a habitar o fenômeno e a lhe conferir a própria transcendência que tem: a potência de ser desenvolvido em uma série de aparições reais ou possíveis”. A essência do ser, da aparição e da aparência é inesgotável, apesar do dualismo que se lhes apresenta constitutivamente.
Ganhamos ou perdemos ao substituir, assim, uma diversidade de oposições por um dualismo único que as fundamenta?” A indagação de Sartre toca no questionar da veracidade fenomênica como fenomênica possibilidade de ser após tão grande modificar de sua estrutura. A aparição agora não limita-se apenas ao ser e a própria é fenômeno percebido em seu surgir. “Já que nada tem por trás e só indica a si mesma (e a série total de aparições), a aparição não pode ser sustentada por outro ser além do seu, nem poderia ser a tênue película de nada que separa o ser-sujeito do ser-absoluto. Se a essência da aparição é um aparecer que não se opõe a nenhum ser, eis aqui um verdadeiro problema: o do ser desse aparecer”. Nada opondo-se ao seu sentido de situar-se perceptível, a aparição é livre pois a si mesma basta como existente. Neste bastar-se encontra-se o seu situar-se como planificadamente plena de planificações próprias do seu ser. Livre em si mesma, a aparição deixa livre o ser-sujeito, o existir como um ser individual submetido a necessidades absolutamente inevitáveis como ser, pensar e existir. Livre em si mesma, a aparição deixa livre o ser-absoluto, o existir como um ser independente que em si mesmo preenche-se suficientemente trazendo em seu modo de assim ser a sua plena razão de ser. Ser-sujeito + ser-absoluto= Ser, uma individualidade independente de outras individualidades independentes, provedora do sustentáculo existencial da sua modalidade racional de ser. Aparecendo, o ser é; na aparência, o ser é; no ser, enfim, o ser é, o ser aparece, o ser é aparência, o ser é incessante surgir, incessante existir.
Fenômeno de ser: o que surge à consciência do existir, do aparecer, do surgir, como todo perceptível de estar existente. Ser do fenômeno: o que existe, aparece, surge, como existente perceptivelmente no que a consciência percebe como existente. Sartre procura saber se há entre o fenômeno de ser e o ser do fenômeno alguma identidade. “Contudo, convém fazer a toda Ontologia uma pergunta prévia: o fenômeno de ser assim alcançado é idêntico ao ser dos fenômenos? Quer dizer: o ser que a mim se revela, aquele que aparece, é da mesma natureza do ser dos existentes que me aparecem?” A identidade requerida é referente ao estado fenomênico de ser estar ligado ao estado de ser fenomênico, uma relação na qual fenômeno e ser sejam um, inseparavelmente. Cabe distinguir a relação do objeto comum ao fenômeno, que é o ser, e ao ser, que é o fenômeno. O que Sartre discute é se a essência do fenômeno-objeto é está contida no fenômeno-ser: “O conjunto objeto-essência constitui um todo organizado: a essência não está no objeto, mas é o sentido do objeto, a razão da série de aparições que o revelam. Mas o ser não é nem uma qualidade do objeto captável entre outras, nem um sentido do objeto. O objeto não remete ao ser como se fosse uma significação; seria impossível, por exemplo, definir o ser como uma presença ― porque a ausência também revela o ser, já que não estar aí é ainda ser. O objeto não possui o ser, e sua existência não é uma participação no ser, ou qualquer outro gênero de relação com ele”. E o existente assim o filósofo define: “O existente é fenômeno, quer dizer, designa-se a si como conjunto organizado de qualidades. Designa-se a si mesmo, e não a seu ser. O ser é simplesmente a condição de todo desvelar: é ser-para-desvelar, e não ser desvelado. Que significa então essa ultrapassagem ao ontológico de que fala Heidegger? Com toda certeza posso transcender esta mesa ou cadeira para seu ser e perguntar sobre o ser- mesa ou o ser-cadeira. Mas, neste instante, desvio os olhos do fenômeno-mesa para fixar o fenômeno-ser, que já não é condição de todo desvelar ― mas sim ele mesmo desvelado, aparição, e como tal, necessita por sua vez de um ser com base no qual possa desvelar-se”. Desvelando-se, sentindo-se ser, a condição de existir é facilitada na característica mesma de ser um fenômeno. Este não é objeto, já que o objeto é que é o fenômeno. O objeto não é o ser porque ampara-se para ser definido como ausente ou presente aos sentidos da percepção, não constituindo algo nitidamente definido.
Sartre coordena o continuar da resolução analítica do problema do fenômeno de ser e do ser do fenômeno: “Levando em conta não o ser como condição do desvelar, mas o ser como aparição que pode ser determinada em conceitos, compreendemos antes de tudo que o conhecimento não pode por si fornecer a razão do ser, ou melhor, que o ser do fenômeno não pode reduzir-se ao fenômeno do ser”. E considerando essa compreensão, Sartre partiu para a análise do cogito pré-reflexivo e a do ser do percipere. Ele definiu antes a diferença entre este e o percipi quanto às suas finalidades dizendo que “se começarmos por colocar o ser do conhecimento como algo dado, sem a preocupação de fundamentar seu ser, e se afirmamos em seguida que esse est percipi, a totalidade ‘percepção-percebido’, não sustentada por um sólido, desaba no nada. Assim, o ser do conhecimento não pode ser medido pelo conhecimento: escapa ao percipi. E assim o ser-fundamento do percipere e do percipi deve escapar ao percipi: deixe ser transfenomenal. Voltamos ao ponto de partida. Pode-se concordar conosco, todavia, que o percipi remete a um ser que escapa às leis da aparição, desde que esse ser transfenomenal seja o ser do sujeito. Assim o percipi remeteria ao percipiens o conhecido ao conhecimento e este ao ser cognoscente enquanto é, não enquanto é conhecido, quer dizer, à consciência”. Percipi: “ser é ser percebido”; percipere: “perceber”; percipiens: “aquele que percebe”. Com esse astuto deslanchar de expressões concernentes ao processo consciente do percebimento do aparecer fenomenológico, do ser, Sartre considerou a consciência como a chave desvendadora da problemática do fenômeno de ser e do ser do fenômeno. O cogito, argumento utilizado para extrair do existir do pensamento atual a realidade da alma enquanto substância individual, foi analisado como o indicativo da realidade do ser pré-reflexivamente. Quer dizer, tomar consciência de algo que existe como algo conscientemente existente na consciência, o que Sartre denominou “consciência de consciência”. Consciência que esgota-se visando seu objeto, mas sendo um objeto.
Porém, ele viu que isto não era suficiente para o encontrar da realidade do ser: “Não parece aceitável essa interpretação da consciência de consciência. A redução da consciência ao conhecimento, com efeito, presume introduzir na consciência a dualidade sujeito-objeto, típica do conhecimento” Analista existencial exímio, Sartre propõe fundamentar de modo epistemológico o conhecimento fundamentado ontologicamente, através de uma relação imediata da consciência com o objeto aqui considerado, e não-cognitivamente de si a si. Ele anuncia que “a consciência reflexiva (réflexive) posiciona como seu objeto a consciência refletida: no ato de reflexão (réflexion), emito juízos sobre a consciência refletida, envergonho-me ou orgulho-me dela, aceito-a ou a recuso, etc. A consciência imediata de perceber não me permite julgar, querer, envergonhar-me. Ela não conhece minha percepção, não a posiciona: tudo que há de intenção na minha consciência atual acha-se voltado para fora, para o mundo. Em troca, esta consciência espontânea de minha percepção é constitutiva de minha consciência perceptiva. Em outros termos, toda consciência posicional do objeto é ao mesmo tempo consciência não-posicional de si”. Tal modo de consciência, por assim dizer, que apreende aprioristicamente o que diz o perceber, é a liberdade do pensamento que busca o compreender e o ver da realidade do ser. E “não há primazia da reflexão sobre a consciência refletida: esta não é revelada a si por aquela. Ao contrário, a consciência não-reflexiva torna possível a reflexão: existe um cogito pré-reflexivo que é condição do cogito cartesiano”. O Eu Penso é condicionado pela “consciência não-posicional de si”, termo rejeitado por Sartre e substituído por “consciência (de) si”, pondo “o ‘de’ entre parênteses, para indicar que satisfaz apenas a uma imposição gramatical”.
Esta consciência (de) si não deve ser considerada uma nova consciência, mas o único modo de existência possível para uma consciência de alguma coisa”. A consciência (de) si possibilita toda consciência, seja ela de qual natureza for, como a da “afecção ‘prazer’”, utilizada por Sartre como exemplo para explicar que sua percepção na consciência “não se produz como exemplar singular de uma possibilidade abstrata, mas que, surgindo no bojo do ser, cria e sustenta sua essência, quer dizer, a ordenação sintética de suas possibilidades”. E logo após ele completa este pensamento dizendo que “o tipo de ser da consciência é o reverso do que nos revela a prova ontológica: como a consciência não é possível antes de ser, posto que seu ser é fonte e condição de toda possibilidade, é sua existência que implica essência”. Existindo, o ser constitui-se como provido de essência, daquilo que o torna ser, inserido condicionadamente na realidade. A consciência de existir não é uma gênese ou um ato pois “consciência é plenitude de existência”, plenitude absoluta. Após a renúncia à primazia do conhecimento, Sartre encontra o absoluto, aquilo que basta a si mesmo, como a consciência. Esta é o absoluto, “que precisamente por ser pura aparência, um vazio total (já que o mundo inteiro se encontra fora dela), por essa identidade que nela existe entre aparência e existência, a consciência pode ser considerada o absoluto”. Percipi torna-se assim percipiens, revelado em seu ser como consciência, esta que é o absoluto que torna todo fenômeno relativo. Um ser transfenomenal foi encontrado, mas Sartre questiona ainda se este era “o ser ao qual remetia o fenômeno de ser”, se seria “realmente o ser do fenômeno”.
O percipi foi, então, ontologicamente analisado. Algo percebido possui um ser que possibilita o ser percebido, apreendido, como existente. Mas, o que é percebido não pode reduzir-se àquele que percebe, este não pode ser aquele, nem aquele ser este. Não podem ser, genuinamente, o mesmo ser, já que existencialmente são heterogêneos. Pode-se dizer que são relativos um ao outro, mutuamente convivendo como existentes dados em um espaço dado, possibilitando ver que “o modo de ser do percipi é passivo”. A relatividade e a passividade interrelacionam-se: “Assim, a passividade é fenômeno duplamente relativo: relativo à atividade daquele que atua e à existência daquele que padece”. O que atua é o agente do ato de perceber e o que padece aquilo que é percebido, percipere e perceptum do ser. O percipere não afeta o perceptum, já que este para ser afetado deveria “existir antes de haver recebido ser”. Sartre faz uma observação acerca desse tema erguido em suas análises: “Pode-se conceber uma criação, desde que o ser criado se retome, se separe do criador para fechar-se imediatamente em si e assumir seu ser: nesse sentido, cabe dizer que um livro existe contra seu autor. Mas se o ato de criação deve prosseguir indefinidamente, o ser criado fica sustentado até em suas partes mais íntimas, carece de qualquer independência própria, não é em si mesmo senão nada, então a criatura não se distingue de modo algum de seu criador, reabsorve-se nele; trata-se de falsa transcendência, e o criador não pode ter sequer a ilusão de sair da sua subjetividade”. Mesmo porque não sairia já que “a passividade do paciente exige igual passividade no agente”, que sendo “espontaneidade pura” impossibilita a ação da consciência. Sendo que isto cairia no absurdo de um “nada transcendente”, Sartre conclui que “as determinações de relatividade e passividade, que podem referir-se a maneiras de ser, de modo algum se aplicam ao ser. O esse do fenômeno não pode ser o seu percipi. O ser transfenomenal da consciência não pode fundamentar o ser transfenomenal do fenômeno”.
A transfenomenalidade do ser em si mesma exige a do ser do fenômeno; Sartre demonstra com uma “ ‘prova ontológica’ proveniente, não do cogito reflexivo, mas do ser pré-reflexivo do percipiens”, como pode ser realizada a dita exigência. A consciência pode ser referente a um “ser de seu objeto” ou a “um ser transcendente”, sempre sendo o que é em ambos os casos. Sendo uma “subjetividade real” cuja “impressão é uma plenitude subjetiva”, um absolutismo essencial, no entanto, não pode utilizar tais características para conferir a plenitude ao que é transcendente: “Assim, se quisermos, a qualquer preço, que o ser do fenômeno dependa da consciência, será preciso que o objeto se distingua da consciência, não pela sua presença, mas por sua ausência, não por sua plenitude, mas pelo seu nada. Se o ser pertence à consciência, o objeto não é a consciência, não na medida em que é outro ser, mas enquanto é um não-ser”. Para a dependência do ser do fenômeno com a consciência, o não-ser é essencial para tal realização. “O ser do objeto é puro não-ser”, essencialmente “aquilo que se esconde e, por princípio, jamais será dado, aquilo que se dá por perfis fugazes”. Sartre proclama a transcendência como “estrutura constitutiva da consciência, quer dizer, a consciência nasce tendo por objeto um ser que ela não é”. E melhor realçando a “prova ontológica”, ele completa: “a consciência é um ser para o qual, em seu próprio ser, está em questão o seu ser enquanto este ser implica outro ser que não si mesmo”.
Sempre na consciência haverá um outro ser dentro de um ser que fundamentalmente não será o ser que ela não é. O ser do fenômeno é esse não-ser constante da consciência, cujo ser transfenomenal “é, em si mesmo, em si”. O ser-Em-si é o fenômeno de ser, no qual a consciência ultrapassa “o existente, não em direção a seu ser, mas ao sentido desse ser”.
O ser não possui atividade e nem passividade, pois sendo em si mesmo é um momento eterno no qual nenhuma posição de humana vista o deprime e extingue. O fenômeno de ser é o de que “o ser é em si”, a si mesmo remete todas as suas necessidades, possibilidades e finalidades existenciais. “O ser é o que é”, não é medido como sendo maior ou menor, constitutivo ou destitutivo, pois em sua opacidade ele é. “Opacidade que não depende da nossa posição com respeito ao Em-si, no sentido de que seriamos obrigados a apreendê-lo ou observá-lo por estarmos de ‘fora’. O ser-Em-si não possui um dentro que se oponha a um fora e seja análogo a um juízo, uma lei, uma consciência de si”. O ser-Em-si é consciente de sua consciência de não depender da objetividade ou da subjetividade que tanto atrapalham, pois tão cheio de si mesmo, é opaco, preenchido com toda sua opacidade infinita. “O ser é ser do devir e, por isso, acha-se além do devir”, o que equivale a dizer já é tudo o que é e não o que pode ou não ser. Não há no ser alteridade, ele é permanente em sua opacidade, permanente em seu próprio ser que não adquire desnecessárias mutabilidades que aniquilem o seu ser. “Mas ele mesmo não existe como se fosse algo que falta ali onde antes era: a plena positividade do ser se restaurou sobre seu desabamento. Ele era, e agora outros seres são eis tudo”. No desmoronamento do ser, o sr continua sendo ser, pois o tempo não lhe é cabível como necessidade a limitar-lhe o fluir existencial que sempre é ser um fluir existencial. “O ser-Em-si é”, é tudo o que de tudo que possui é, exprimindo a si mesmo a sua expressão de existir possuindo o seu ser, todo seguro do possuir um ser que é dotado de si mesmo das qualidades próprias de seu ser. O ser-Em-si em si mesmo é crescente, não escapa de si, não absorve-se no escapar de si, não admite o escapar de si, está absorvido em si mesmo, admitido em si mesmo, como a absorção e a admissão totais de si mesmo como sendo o que é. “O ser-Em-si jamais é possível ou impossível: simplesmente é”, pois o possível não existe no que já é realidade antes de ser admitido como possível de ser e o impossível não existe no que já é realidade antes de todas as negações que advém de sua impossibilidade de ser. O ser é completo na completude de ser completo. Completo realizado ser. Completado ser realizado. Realizadamente ser completo que a si mesmo realiza seu ser. Realização completa de si mesmo que é um ser realizador de ser realizado em si mesmo.
O ser é. O ser é em si. O ser é o que é”.Sartre revelou o ser, que é ser que simplesmente em si é. Ser pleno. Ser absolutamente se de si mesmo. Ser que nada possui fora de si ou dentro de si a limitá-lo como ser dado a limites de seu ser. Ser que nada é quando não é conhecido. Ser livre. Sartre, através da análise que efetuou tendo em vista o encontrar a finalidade do existir do ser como ser, expressou tal liberdade do ser com as palavras que a este buscaram. O ser foi encontrado.



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