O Simbolismo Dos Pés Descalços Na Arte De Adolphe William Bouguereau


Pain Of Love





Beauté Romane – 1904



Inomináveis Saudações a todos.


Nenhuma palavra pode alcançar a infinita admiração que sinto ao deparar-me com uma obra de Adolphe William Bouguereau na Internet, o meu pintor preferido, um dos Grandes Mestres Da Pintura cuja obra sinaliza a verdadeira forma de um artista aproximar-se da Perfeição. Perfeição, Deusa Perfeição, um Estado, O Estado; um Fundamento, O Fundamento; um Altar, O Altar; um Patamar, O Patamar; um Centro, O Centro; um Círculo, O Círculo; um Recinto, O Recinto; uma Morada, A Morada. Nascendo na própria estrutura de nossa essência, inspirando cada finura da nossa consciência, a admiração de uma obra como a dele nos movimenta na rítmica aventura do Grande Sonhar, pois a simetria das formas apresentadas em seus quadros habilita a geração de admirações a mais da mesma em nosso interno estético lar.






A Young Girl Defending Her Self Against Eros


Do mais comum ao mais complexo dos sentimentos que podemos ter diante da belíssima exposição de imagens feita por Bougurereau em seus quadros, há algo que os torna mais fascinantes por um detalhe que percebo na maioria deles. Tal detalhe refere-se ao fato de quase todos os retratados, quando os pés são mostrados, estarem descalços. Curiosamente, este detalhe não poderia ser considerado aos olhos comuns, mas meu olhar se amplia na execução de elaborações de pensamentos mais diretamente lançados na intenção do estudar tal detalhe. Não se trata de uma maneira simplória de estudar um quadro, mas de uma maneira que visa a nossa ambientação aos seus simbólicos significados a respirarem permanentemente em nossas almas. E a simplicidade, em contrapartida, não tendendo a gerar uma contradição, participa desse estudar no modo de reagirmos ao que nos chega ao estético olhar.





Petite Maraudeuse - 1900


Os pés próximos ao calor e frescor da terra e da mata, sentindo a Energia que flui máxima dos subterrâneos terrestres, onde irrompe uma Draconiana Vontade que sobe das plantas dos mesmos ao nosso cérebro. Para sentir-se o calor alado que há dentro de tal Vontade, os pés descalços são essenciais, por eles, a partir deles, corre por todo o nosso corpo a comunicação nossa com as Forças Primordiais Do Mundo, a comunicação nossa com A Natureza, oferecida ao nosso Ser, chamativa do nosso Ver.




The Bathers


O que Vemos? Vemos que a nossa ligação com a terra, com o Elemento Terra, nos direciona a termos com o mesmo um comportamento mais amadurecido, um comportamento mais nitidamente erguido nas temperadas formas de nos darmos como Filhos Da Natureza ao nosso Eu. Dizemos sempre que “a natureza é importante”; no entanto, não seria mais importante incorporar-se à Terra não de modo apenas labialmente repetitivo e, sim, de um modo simbioticamente acrescido do nosso real contato com a mesma? Pisar na terra com mais atenção ao que por ela corre, pisar descalço e sublimemente livre de qualquer movimento contrário a tal contato, não seria mais sábio do que apenas dizer que “a natureza é importante”?





The Bohemian


Bouguereau, direta ou indiretamente; sutil ou abertamente; gritante ou silenciosamente; insistente ou instintivamente; enfim, agindo em conluio com o consciente ou com o inconsciente movimento de seu intelecto na concepção de seus quadros, eternizou a chave que nos faz melhor compreender a Natureza, pois estando os pés nus em contato com a terra na qual pisamos podemos nos dizer Unos com Ela se estamos cientes Dela como um Grande Ser Respirante Em Nosso Redor.





Pastourelle


A Natureza desnudada em nós, a certeza de um contato desvelador do nosso Verdadeiro Ser, o prazer de sentir a terra na pele acessível a tais movimentos imensos de intensa afetividade moldam o que podemos interpretar como a maneira antiga de nos relacionarmos com O Natural. Os pés descalços na terra, ou na água (em alguns quadros de Bouguereau), trancendem o linear e fazem curvas que se ampliam em nosso mental lar. Os pés descalços, símbolos de uma perdida antiga era na qual nós não nos revestíamos de símbolos arcaicos inundados de intempestivos erros inúteis e hipócritas para termos com a Natureza um maior contato.





Femme au Coquillage - 1885


Lembranças da Pagã Verdade, antigas lembranças da Pagã Senda, de eras onde verdadeiros homens e verdadeiras mulheres, não as sombras de tais homens e de tais mulheres hoje caminhantes no mundo, aprendiam a unir-se na mesma pele com a Terra. Lembranças históricas, lembranças intensas, que afetam a muitos, que continuam em muitos, que eternizadas e relembradas por muitos, como Bouguereau, vem a ser pelas novas eras da Terra.


Saudações Inomináveis a todos vós, leitores virtuais.





Aprés Le Bain






The Little Beggar Girls





Au Bord du Ruisseau - 1875



Links:

WebMuseum: Bouguereau, Adolphe-William


ARC ARTicles - Biography of William Bouguereau - Damien Bartoli






0 Loucas Pedras Lançadas: