Crítica Ao Marxismo-Leninismo - Terceira Crítica


Inomináveis Saudações a todos.

Para o materialismo dialético, o homem é um ser escravo total das leis universais, submetido ao poder possante destas como um utensílio no qual todas as mãos possíveis tocam. Dizer que o homem não pode mudar as leis ou criá-las é dizer que já está determinado tudo em uma existência material, sem nenhuma possibilidade de um caminho desviante do pré-estabelecido, o qual é sempre o abismo de um ente pensante. Há erro dialético, um erro gigantesco, nessa afirmação que beira ao fatalismo que tanto é condenado pelos marxistas; no caso destes, o fatalismo disfarça-se em observância do objetivismo das leis. Se uma rocha cai de um edifício de dez andares sobre uma criança e a mata, houve uma lei que fez aquela cair sobre esta; não haveria também uma lei que impedisse o síndico do dito prédio de armazenar rochas no alto do mesmo? E se houvesse uma lei que protegesse o direito desse síndico em manter as rochas no alto do prédio e outra lei que proibisse crianças de por perto das imediações dele transitarem? Não haveria homens contrários à primeira lei, receosos de que uma das rochas caísse do alto do prédio, matasse um deles ou a uma criança? Não haveria homens a defenderem a segunda lei, a fim de protegerem suas próprias vidas e a das crianças? Se todos não pudessem criar ou modificar leis por causa de impedimentos éticos quaisquer não haveria milhares de rochas em milhares de altos de milhares de prédios caindo sobre milhares de homens e milhares de crianças e matando-os? Há uma veia ética na afirmação da submissão dos homens às leis, todas as leis que estes mesmos criam como instrumentos do Estado ou acreditam existir na matéria como “terríveis medusas que petrificarão aqueles que as desobedecerem”. Eticamente seguindo a sua dialética, um marxista acha que a causa de todas as leis universais serem leis é uma causa universal de leis inexoráveis, inescapáveis, supremas, absolutas e imutáveis. Se o discurso seguisse a cartilha materialista, no que o termo materialismo possui inscrito em si mesmo, atravessaria um caminho mais adaptado ao seu caráter. Se a matéria é essencial a todo movimento universal para o materialismo dialético, por que os adeptos destes não possuem a coragem de confrontarem as leis universais como fazem com o sistema capitalista? É uma estranha contradição a notada neste ponto do estudo da doutrina citada, pois se na concepção usual do termo materialismo subentende-se a negação da Metafísica, que é a intérprete das causalidades universais conforme os estudos de seus adeptos, vê-se que na prática doutrinária aqui estudada permanece algo do sistema metafísico de interpretar-se o universal. A dialética marxista é uma arte que engana a si mesma, procurando axiomas que cumpram o dever de justificá-la e gerando sofismas que apenas uma observação muito cuidadosa e esmerada como a que este filósofo pratica consegue revelar. É revolucionário tal sistema que acovarda-se diante das leis universais? É solucionador de todos os males da Humanidade tal sistema que estremece em sua construtividade quando tenta crer na eficácia do novo por ele pregado? Leis, universais ou humanas, podem ser submetidas por uma vontade que creia na vitória sobre as fraquezas que levam-na a ser submissa conscientemente a elas e mecanicamente violentada em seus parâmetros essenciais inconscientes. Leis são travas do desenvolvimento se são leis temidas, mesmo que inconscientemente, levando ao atraso, ao permanecer em um ponto imóvel na estrada da evolução. Querer pensar que apenas a dialética marxista ampara uma concepção verdadeira da História nega a variedade de outras concepções filosóficas que podem nascer dentro dela mesmo se o sentido da matéria for realmente compreendido. Se materialmente constituído em seu surgir, permanecer e continuar o Universo encontra-se, o universal expande-se, não há então seguridade em leis que descambam para o olhar do terreno metafísico. Enganando-se quanto ao sentido sutilmente exprimido do termo matéria e do anteriormente citado termo materialismo, os defensores do marxismo são os sofistas maiores da contemporaneidade. Se fossem verdadeiramente materialistas os homens que seguiram o marxismo, na época de maior vigor deste no mundo, construiriam sobre as mais fortes bases materialistas leis que impedissem a crença consciente no poder escravizante das leis universais que não podem ser vencidas, conforme defendiam dialeticamente mal. Sendo falsos materialistas, temerosos de irem demasiado longe do projeto de vida socialista que culminaria no projeto de vida comunista propondo algo que talvez lhes fosse perigoso para o mundo, aceitaram seus erros dialéticos discursivos à maneira de um viajante que após dez horas de longa e exaustiva viagem adormece em seu quarto e descansa o dobro de horas. Só que o descanso dos marxistas foi perpétuo e nisso residiu a sua ruína ao final do século vinte, restando no atual século vinte e um alguns sobreviventes da doutrina aqui estudada, a continuarem com o mesmo discurso de quarenta anos atrás, parecendo-se com espécimes de uma raça extinta que esqueceram-se de serem extintos por ainda acreditarem estar existindo. Para o mundo objetivo, ao invés de terem um filho vigoroso e valente que a tudo desafiasse para a construção constante do novo, fizeram nascer por si mesmos, seres amedrontados com o medo de desafiarem o que acreditavam ser o maior caráter do antigo, um filho fraco e doente que morreu junto com a queda da União Das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Mas, primeiramente, o marxismo agonizou subjetivamente nas consciências medíocres dialeticamente de seus adeptos. Procurando segurança na mediocridade dialética que adotaram, perderam a chave do templo que poderia conter o maior livro das revelações que jamais será escrito: a do elemento iniciador de uma reforma humana que retiraria gradualmente o pensamento na infalibilidade das leis universais como leis que desde os mais distantes ancestrais devem ser obedecidas.

Negação da negação: princípio interessante dentro de tal sistema povoado de repetições doutrinárias exaustivas. Aplicado a uma dimensão maior da pluralidade materialista marxista, poderia ter salvo ao Socialismo e ao Comunismo. Os marxistas poderiam ter negado Marx e Engels no desenvolvimento dos seus países, mantendo alguns aspectos mais passíveis de serem utilizados na negação que geraria um mais novo. O mais novo possível do marxismo poderia ter sido: a cada cidadão o pleno direito de ser mais cidadão do que uma simples máquina produtiva do Estado. Já se disse que os marxistas e Marx diferem essencialmente em muito, sendo que muito da doutrina deste tenha sido deturpada pelos que diziam-se seus “discípulos”. O Estado acabou por engolfar em sua máquina desenvolvimentista a liberdade da cidadania, uma liberdade amparada no direito de ter o social como meta de seguridade em progresso e não o de ser o social progredindo à parte do progresso estatal. Socialmente, a negação da negação proviria o sistema de vida cada vez mais de essências próximas da cosmocracia, esta que acima da bela democracia morta do mundo contemporâneo paira bem distante do golfo humano de indivíduos que pensam serem cidadões livres. No Socialismo, Comunismo, Capitalismo, Fascismo, Nazismo ou em qualquer outro “ismo” nascido da “democracia” encontra-se esta visível afirmação: o cidadão bom é aquele que nega ser um ser social participativo verdadeiro da vida social; cidadão bom é aquele que esquece de se para si mesmo e torna uma máquina de um maquinário maior denominado Estado. Ao Estado, tudo. Ao Estado, as vidas em sociedade, rural ou urbana. Ao Estado, a maquinaria cidadã, a transformação em cegos viventes no meio social de peças estatais de carne, osso, sangue, suor, lágrimas e remorso por não ter jamais visto que se é escravo e não um verdadeiro cidadão. O Estado socialista poderia a si mesmo ter negado continuamente, de maneiras verdadeiras, pondo cada vez mais os dependentes de sua existência em contato com os seus atos de evolução substancial. A quantidade de negações que nada negavam a si mesmas atrofiou o sistema socialista e a qualidade das invencionices doutrinárias marxistas retardou o impulso adiante do saber-se melhor e maior a cada uma daquelas nos marxistas. As próprias negações contraditórias, mesmo em sistema onde supostamente diziam os marxistas não haverem contradições, incharam o que pode ser chamado ego inconsciente estatal. Conscientemente sendo reconstruído a cada negação com o absurdo do inchaço em suas particularidades, tão infalíveis e dignas de veneração por parte dos marxistas, o Estado socialista, em cada fase do seu devir, foi tão inclinado a uma forçada grandeza que se revelaria em sua fase comunista que desintegrou-se fraco em todos os países nos quais existia. Nos aparatos da negação da negação, a própria fórmula de estatismo e mobilização social que degastaram-se com o decorrer do tempo formariam bases de fundamentos novos a cada nova envergadura dos objetivos “revolucionários” marxistas. Foram mudanças que não foram mudanças as negações; o próprio fator de ainda manter-se no novo requisitado por uma desta alguns elementos do velho revela a insensatez crônica marxista de obedecer cegamente às suas próprias decisões. Verdadeiros revolucionários contrapõem-se até às decisões que justifiquem como eternas em seu papel eterno de sempre revolucionar, são mutáveis e criativos no revolucionar, atingem progressos reais no revolucionar a cada instante as suas visões revolucionárias. Faltou esse fogo revolucionário intenso aos marxistas, como antes faltara aos que lutaram na Revolução Francesa, crentes de que apenas falar em “liberdade, igualdade e fraternidade” fosse possível para fazer-se modo de viver um sólido revolucionar. Liberdade revolucionária é negar liberdades interiores ao revolucionar contrárias ao estabelecimento de novos rumos sociais; igualdade revolucionária é negar igualdades errôneas que atravancam aquele sentido tão quase utópico de justiça social decantado ainda pelos sobreviventes da queda do marxismo como “grandiosa doutrina revolucionária”; e fraternidade revolucionária é negar sentimentos fraternais hipócritas, tão comuns a todos os políticos, sejam estes das chamadas direita e esquerda, que mobilizam lavagens cerebrais muito eficientes nas populações que, ignorantes do seu dever de também poder revolucionar, cedem ao “amor” daqueles que lhes exploram. Negar o negado na liberdade, igualdade e fraternidade revolucionárias é reagir ao atavismo creacionista de falsificações da particularidade de uma verdadeira revolução: negar-se como evolução definitiva de um golpe maior apenas e afirmar-se negando ser apenas um golpe maior estrondoso que em pouco tempo perde a força de impactar mentes verdadeiramente revolucionárias que sabem negar. Como justa propriedade fabricada pelas suas limitações, o marxismo produziu negações que nem atrasavam ou faziam progredir a “revolução” que parecia fazer parte de suas premissas orgânicas organizadoras de suas dedicadas conjunções de metas racionais. O marxismo negou tudo, negou muito, mas afirmou-se, inconscientemente, incapaz de negar-se como marxismo e atingir mais elevadas gerações do revolucionar em seu organismo doutrinário, o seu corpo de modificações tão celebrado. Afirmando-se cada vez mais marxista, negou-se cada vez mais não-revolucionário por uma falta precisa disto: o império revolucionário do revolucionar acima dos ideais humanamente limitadores de vontades que querem algo a mais do que simplórias exaltações de avanços quaisquer. Decantar avanços apenas é cantar uma melodia de estagnação a cada instante no corpo estatal, este sempre situando-se na negação da negação de si mesmo como corpo e mais como imaterialidade para a materialidade dos sonhos marxistas de avanço do Socialismo para o Comunismo. As canções erradas foram muitas. As revoluções erradas infinitizaram-se. A ação revolucionária marxista negou-se viva, afirmou-se suicida.

Saudações Inomináveis a todos.


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Estudos Avançados - O legado de Marx no Brasil


As Leituras de Marx no Século XXI - Robert Kurz


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